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Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Ligue 113
Há uns tempos atrás, fiz a viagem de Lisboa para a minha terrinha em quatro rodas, num domingo à tarde, descansadamente, como quem está de férias mas não está, como quem não tem mais nada para fazer mas tem, como quem se está a defecar para o resto do mundo e as suas tretas. Enfim. Um dia “não”. Vai-se pela mítica Nacional Um, país a cima, a marcar passo nos infindáveis semáforos que são mais do que os cogumelos na mata. A música bem alta, para dar azo a talento escondido que há dentro de mim, ou à falta dele, e o cérebro calibrado para grandes meditações e pensamentos filosóficos. Momentos há, na vida, em que precisamos destas transcendências. Precisamos de afastar a mente das banalidades da vida, do trabalho, dos trabalhos, das gajas boas, do horror das gajas feias e gordas, da problemática da alimentação saudável, dos trocos nos bolsos, da roupa para passar a ferro que já vai em oitenta centímetros de monte, das bolas de cotão que vagueiam pelos fundos da casa à espera do aspirador, etc. Precisamos de pensamentos mais altos! E ali ia eu, estrada fora. Pouco antes de Pombal, assim como que um quilómetro antes, reparo que o fulano circula à minha frente não vai a jogar com as cartas todas do baralho. Viatura cheia, uma Sharan verde, grande animação familiar. De vez em quando, vai para o meio da estrada, uma roda de cada lado do traço contínuo. Para variar, também vai para o exterior da estrada, uma roda de cada lado do traço separador. Abdico dos pensamentos mais altos, para trocar comigo mesmo a impressão de que o tipo é parvo. Será que vai com os copos? Já estava quase na hora do lanche. Á passagem por Pombal, presto atenção à curva do Marquês (agora só restam as bombas de combustível) para ver se faz a curva a direito ou não. Faz, direitinho, como se fosse em piloto automático. Metros mais à frente, volta à mesma: ora no meio da estrada, ora na berma. Penso para comigo que não estou para aturar gente parva e, uma vez que a pressa não era minha companheira, deixei-me ficar para trás. A música estava boa e convidava a um exercício vocal. Se apanhasse uma brigada da GNR ainda parava para os avisar da palhaçada do fulano da Sharan verde. Com a distância que deixei, dois ou três carros meteram-se entre nós. Música! Há quem goste de cantar no banho, ou guinchar, o que quer que seja, mas eu prefiro fazer figuras tristes no carro, de vidros fechados, com o som bem alto. Ninguém me ouvirá a tentar cantar, por melhor ouvido que tenha. Quando muito, podem ver-me a abrir e a fechar a boca, mas, se eu não abanar a cabeça à Estêvãozinho Maravilhas (o black ceguinho, remember?), passo bem por um gajo ensonado. Disfarço, portanto. Absorto na música e em alembraduras que agora me escapam, já dois quilómetros depois de Pombal, reparo em qualquer coisa a ir pelos ares uns metros mais à frente, pedaços a voar, muito fumo. Pareceu-me ver carros no ar. Um deles era verde. Pois, acidente em cheio, mesmo ali. Como é habitual nestas coisas, pára o trânsito, junta-se logo muita gente, invadem o acidente, puxam as pessoas dos carros para fora, enfim. A Sharan, ao que deu para ver, chocou de frente com uma carrinha com trabalhadores vindos de algures. O choque foi tal que as viaturas trocaram de posição, pelos ares. Tudo amassado! O costume. Perdi a conta às ambulâncias que chegaram, carros dos bombeiros, equipamento para desencarcerar, GNR, blá blá blá. A estrada nacional ficou cortada durante umas largas horas, tal foi a brutalidade do acidente. Fui ter com um dos agentes da GNR para ver se queria ficar com o meu contacto, uma vez que tinha testemunhado o comportamento do condutor da Sharan, mas disse-me que não era preciso, porque não sei o quê, que resumidamente a culpa do acidente ficaria para os pássaros. Muito bem! Meia volta, apanhei a A1 em Pombal e rumei a casa, a resmungar com a parvoíce de um país e das suas gentes. Um mês mais tarde, quase a chegar a Faro, noite dentro, apanho na mesma direcção um camião TIR com um comportamento idêntico ao do Sharan: ora na berma, ora no meio da estrada. Vários carros tiveram que se desviar para não serem atingidos. O meu companheiro de viagem ligou para o 112, explicou a situação, passaram à GNR, blá blá blá, mas não vimos desfecho nenhum. E, assim, pergunto: porque raio é que, neste país das invenções, ainda não inventaram um número de telefone, o 113, por exemplo, para dar conta de situações de perigo na estrada? Até posso entrar em pormenores. Imaginemos o Sharan. Ligo para o 113, explico, e, em poucos minutos, sobrevoa-nos um helicóptero com um dístico gigante a dizer “Team 113”. Grande poeirada, barulho ensurdecedor, o aparelho atravessa-se à frente e pousa na estrada. O trânsito pára. Do helicóptero sai uma equipa vestida de negro (tipo SWAT, artilhados até mais não), um senhor vestido com uma bata branca e um urso. De forma eficaz, a equipa retira do Sharan o condutor e bloqueia qualquer acção dos familiares. O senhor de branco leva o condutor e o urso para a mata, para trás de uns arbustos. O urso, amestradíssimo, sodomizará o condutor (Ricardo Araújo Pereira, obrigado pela ideia!) contra um pinheiro, sob o olhar atento do senhor de branco. Consumado o acto e satisfeito o urso, o senhor de branco tratará qualquer potencial foco de infecção no condutor, provocado pela brutalidade sexual do animal. O condutor regressa ao carro e à família, de pernas abertas e cheio de dores. Os homens de preto, o homem de branco e o urso, embarcam no helicóptero e vão-se. Mais uma missão cumprida pela Team 113. Mais um condutor que não esquecerá a importância de conduzir de forma atenta e civilizada nas estradas portuguesas. Mais um acidente evitado. No banco do helicóptero, o urso relaxa com um ar consolado. Sempre é melhor que trabalhar para um circo. Bom, ele, de facto, trabalha para um: o grande circo das estradas! pickwick
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publicado por pickwick às 14:10
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