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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007
E eis que da penumbra surge...
Mais um post meu. Perdoem-me os que ainda esperavam o regresso de El-Rei D. Sebastião. Para quem começou a ler este blog há menos de um mês: sou o riverfl0w, prazer. E sim, eu existo, não sou apenas um mito. Adiante. Nos últimos 11 dias tenho-me dedicado dia e noite à concepção, planeamento e implementação de um artefacto digital de índole intercomunicacional (um site - para quem quiser ser poupado ao paleio académico). E isto não me tem deixado tempo para muita coisa, quanto mais não seja pela quantidade mínima de palavras que temos de usar para descrever uma coisa tão corriqueira como é um site. Mas este não é apenas mais um site. Este foi, na realidade, desenvolvido para um grupo de senhoras muito apessoadas cuja façanha informática mais relevante será, provavelmente, localizar o Microsoft Word na barra de Iniciar em menos de quatro minutos. Mas enfim, o importante é encontrá-lo (pelo menos é o que se diz nas revistas quando se fala do ponto G). Nós, a equipa de implementação, fomos portanto obrigados a fazer com que as ditas senhoras pudessem editar qualquer conteúdo do site, sem para isso precisarem sequer de saber soletrar "Internéte". E assim foi. Basicamente aquilo tornou-se numa espécie de Arautos do Estendal, em que lhes basta escrever umas baboseiras quaisquer e carregar no botão "Enviar", para depois aparecer tudo bonitinho sem mexer uma palha que seja. Mais difícil será certamente habituarem-se a descobrir o Internet Explorer algures no menu Iniciar. Aqui está uma imagem do dito (preservando, obviamente, o anonimato):

Resumindo, essa coisinha que aí vêem privou-me de uma vida normal, ou seja: dormir até às quatro da tarde, ver o telejornal, falar no MSN com as já famosas leitoras deste blog e, claro, apreciar de esguelha um ou outro rabo de saia. Para celebrar o sucesso do projecto, decidi aproveitar o convite da Sheilinha (que também trabalhou no projecto) e de uma amiga da Sheilinha para ir a um cinema e tomar um copo ali-não-sei-onde. (Devo referir, antes que me esqueça, que a  Sheilinha e a amiga são dois rabos de saia bastante apreciáveis. Pena uma ser casada e a outra não usar saia mais vezes.) Ora bem, cinema tá quieto. Como bons portugueses que somos, chegámos 25 minutos depois da sessão começar, pelo que decidimos ficar a conversar numa das mesinhas lá-do-sítio-onde-há-cinema. Isto foi o planeado, mas na realidade o tempo do filme foi todo gasto com as três meninas (Sheilinha+amiga da Sheilinha+irmã da amiga da Sheilinha) a irem à vez à casa de banho encher a cara de pozinhos e químicos. Chegados ao sítio ali-não-sei-onde, que por acaso é mesmo ao lado lá-do-sítio-onde-há-cinema, o panorama visual parecia promissor. Cerca de uma centena de corpos à pinha, muito top sem alças e muita carinha laroca. Pior foi quando efectuei o reconhecimento do panorama auditivo: música brasileira "ah e tal samba práqui samba prálá" e uma grande maioria da população a expressar-se na versão brasileira do português. Não é que eu tenha alguma coisa contra os brasileiros. É só que sempre que eles abrem a boca, dá-me uma vontade incontrolável de explicar àquela gente toda que "cara" refere-se à zona frontal da cabeça de um indivíduo e não ao indivíduo em si, e "galera" é um tipo de navio, muito utilizado nos Descobrimentos, e não um conjunto de "caras". Pior, só mesmo na passagem de ano, onde a proporção brasileiro/português era de cinco para um. Pena ninguém se ter dado ao trabalho de explicar que à meia noite de Lisboa, a passagem de ano no Brasil só será pelo menos daí a 3 horas. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 01:30
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
Surprise!
Surprise, como os mais cultos devem saber, quer “dizer surpresa”, em húngaro, ou noutra língua qualquer. Tanto faz a língua. E surprise porquê? Porque a miúda estava pacatamente a estender roupa no estendal (eu encomendei especificamente umas pernas, mas não me quiseram fazer a vontade) quando surgiu o artista e a retratou assim. Surpreendidíssima. Presumindo que a roupa estendida seria a roupa a vestir de seguida, nomeadamente umas botas pretas (ficam sempre sexy), uma camisola de gola alta laranja (já vi cores mais bonitas) e… e… bem… o que aparenta ser uma saia moderna, às listas verdes e brancas. Tanto faz que seja uma saia branca às listas verdes, como uma saia verde às listas brancas, desde que o verde não seja brando, nem vice-versa, porque aí é que ia ser uma grande confusão para a miúda. E é escusado alguém vir alegar que aquilo é uma toalha, porque não é. É uma saia, nota-se logo, até porque não há mais nenhuma peça de roupa para usar abaixo da cintura, o que imediatamente leva à brilhante conclusão que aquilo é a saia. O modelo da saia, isso sim, é o modelo sai-do-banho-enrolada-na-toalha, também muito sexy! Mas há outras coisas que faltam no estendal e que me levam a conjecturar. Outras coisas como uma cuequinha. Podia ser uma daquelas tipo fio-de-seda a fazer comichão nos pêlos do rabo. Mas nem isso. Não tem nada. E, para cima, para os apetrechos de amamentação das crianças, também não há nada que sirva de suporte ou, ao menos, de preservação do pudor. Nadinha. É uma opção de vida da miúda, entenda-se e respeite-se. Trata-se, obviamente, de uma galdéria, mas pronto, de galdérias e de peruas está o mundo cheio, que no inferno não as deixam entrar. Ao olhar para o rosto pretensiosamente surpreendido da moça, ocorre-me que nunca surpreendi uma miúda nestes preparos. Nem miúda, nem graúda, nem nestes preparos. É uma daquelas coisas da vida que apenas imagino através dos filmes. Será que só acontece nos filmes? Não sei, mas fico sempre com a impressão que não há miúda que seja realmente surpreendida assim. Ou nunca é apanhada de surpresa, ou se é apanhada, não é surpresa nenhuma, antes pelo contrário, é o satisfazer de um sonho íntimo e tal. Eu sei que estou a ser maldoso, mas os factos especulados são para ser relatados sem omissão. Sobre a miúda do estendal, apanhada de surpresa, devo acrescentar apenas que é desdentada. Eu não aprecio miúdas desdentadas, até porque depois não são capazes de dar umas trincadelas sensuais na carne alheia, mas deve haver quem aprecie profundamente miúdas desdentadas. Provavelmente, especulo eu, por razões de ordem técnica no decorrer de algumas actividades mais em privado. Neste mundo, há de tudo, como sabemos. Mas, recordo-me agora de uma história de uma miúda que foi, de facto, surpreendida com os pêlos púbicos arejados. Contaram-me há anos atrás e acredito piamente que a história é mesmo um facto. Passo a descrever. M (nome fictício para preservar a identidade de uma miúda que eu nunca conheci nem me lembro do nome) era uma estudante universitária e, tal como a maior parte das estudantes universitárias, transformou-se rapidamente numa galdéria espevitada e aluada (das que uivam à lua). Longe dos pais, a liberdade esticou-se até não poder mais, até aos limites de tudo o que pudesse ter limites. Certo dia, mais um dia daqueles dias banais feitos de aventuras e traquinices, juntou um grupo de amigos no apartamento alugado, na cidade. Amigos e amigas, que resolveram proporcionar uns aos outros uma actividade lúdica, recreativa e desportiva, banalmente conhecida como orgia. Para os que não sabem o que é uma orgia, é tipo numa festa com vinte lésbicas de olhos vendados dentro de um tanque cheio de peixes e enguias. Uma festança! Ora, calhou que, nesse mesmo dia, e não noutro, os dedicados pais que lhe sustentavam os estudos e o apartamento, resolveram vir de lá do sol-posto, qual caravana em peregrinação, para fazer uma visita de surpresa à adorada filha universitária. Vieram, chegaram, bateram à porta e foram atendidos por uma filha toda nua, com um fundo de jovens possuídos e desabridos, todos nus e suados, com música ambiente de gemidos e garrafas a tilintar. A isto, sim, chama-se uma “surprise” e uma miúda surpreendida! pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:24
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2005
Nostalgia, talvez

Hoje era urgente vir aqui. Dei por mim a duzentos e muitos quilómetros de onde sempre vivi, fechado num quarto a ler na diagonal o que os outros escreveram sobre a arte do século XX. Reparei que mal conheço as pessoas com quem vivo há quatro meses... reparei que talvez tenha criado laços mais fortes com os dois franceses e as duas polacas que a minha família acolheu nos últimos cinco dias, mesmo falando um francês mal amanhado. Aprendi que na Polónia não há laranjeiras, que a Torre Eiffel tem 360 metros, que se vê a uma distância de sete quilómetros, e que "Doubránotz" quer dizer "Boa Noite". São trivialidades, talvez. Mas não serão estes pequenos momentos que dão sabor à vida?

Reparei que mal sei os nomes dos meus colegas de curso. Uma delas competiu comigo num dos campeonatos de natação, há uns anos. Aquele nome não me era estranho, eu sabia. Cruzámo-nos algumas vezes na câmara de chamada. Veio-me à memória aquele cheio intenso a cloro, que antes das provas me dava sempre a volta ao estômago... o ajeitar frenético dos óculos, os músculos retesados à espera do sinal de partida.
Vasculhei nos motores de busca à procura desses tempos... ei-los! Míudos de catorze anos na piscina, de sorriso rasgado. Não foi há muitos anos que era eu quem estava ali... sonhava em ser campeão nacional, em ser apurado para os campeonatos da Alemanha, muito mais.

Hoje estou aqui, longe, e noto que que pouco tenho dessa época. Uma ou duas fotos, perdidas no tempo, alguns telefones que nunca mais foram marcados.
Hoje já não quero ser campeão nacional. Quero ir a São Tomé e Príncipe, a Taizé, escrever artigos para a revista, tirar a carta, ser titular da equipa de FutSal... e quem sabe ser jornalista, produtor multimédia, o tempo o dirá. E é por isso que tenho apontamentos sobre Les Fauves, Débussy, Schönberg, Bahaus, Breton, Entartete Kunst pousados na secretária.
Mas acima de tudo, quero falar mais, conhecer mais, viver mais. Cada momento como se fosse o último. Doubránotz. riverfl0w
publicado por riverfl0w às 01:19
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