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Sábado, 7 de Julho de 2007
Meio mamilo
Eu estava lá. Eu vi tudo. E aqui estou eu, a tocar a trombeta, no meu humilde papel de arauto. Foi hoje. O dia começou lindamente, com três mulheres a passarem a manhã no gabinete do patronato, mesmo à minha frente. Era em trabalho, mas não é por trabalharem que deixam de ser mulheres, não é? Depois, fui almoçar com as mesmas três mulheres, o que também é porreiro, dignifica a profissão e aligeira a infelicidade por ainda não ter ganho o Euromilhões. Da parte da tarde, as três mulheres foram embora, cada uma aos seus afazeres. Eu fiquei ali, na paz e no sossego, a tentar adiantar alguma coisa. Até que, lá mais para o final da tarde, chegou a loira-dentuça e o sossego acabou. Vinha com a Nanda, que também é loira, pelo que, de repente, fiquei com duas loiras sentadas numa mesa em frente da minha secretária. Mais uma vez, tenho que confessar que é dignificante. Bom, mas a verdadeira questão, aqui, não é ter duas loiras no gabinete. A verdadeira questão, que me traz aqui, é que uma delas, a loira-dentuça, vinha vestida com um longo vestido vermelho (tipo carmim, para uma descrição mais abichanada), com uma monumental racha desde o tornozelo até à ponta superior do fémur. Como se não bastasse esta abertura descarada, o vestido da loira-dentuça era dotado de umas alças fininhas e uma abertura para o decote que mais parecia o Mosteiro dos Jerónimos. Uma vez que não tinha uma máquina fotográfica para registar o aparato, recorri à Internet para poder apresentar, aqui, um modelo com algumas parecenças. Encontrei. O vestido era vermelho em vez de branco, a racha era enorme, mas o decote era tal e qual. Uma depravação! Pior, as mamas da loira-dentuça davam para chegar a meio caminho entre o umbigo e a rótula, não fosse o generoso do vestido apará-las. Sem mais nada por baixo, tal como na foto ao lado. Eu acho que, a partir de determinada idade, as mulheres deviam ser proibidas de andar nestes preparos. Só lhes tira dignidade. Hoje estou com a mania da dignidade. Bem, a determinada altura, que podia ser uma altura qualquer como as outras, reparo que há um ligeiro problema com a mama direita da loira-dentuça! É que, ali, naquela posição, a escrever apontamentos e a folhear um dossier, metade do mamilo direito estava completamente fora da protecção moralista do vestido decotado. Completamente visível. Atenção: isto não é mais uma embrulhada de palavras com segundo sentido! A loira-dentuça tinha, realmente, meio mamilo fora do vestido, para quem quisesse reparar. Esteve assim durante uma boa meia-hora, até terminarem o trabalho e irem embora. Meio mamilo! Impressionante! Pessoalmente, não é paisagem que me satisfaça. Se fosse de uma mocinha de vinte anos, carne fresca, seios firmes e hirtos, isso, sim, era qualidade visual. Neste caso, acabou por me deixar ligeiramente mal disposto, como se morresse de pavor que as mulheres bonitas tivessem desaparecido subitamente da face da terra. Como se os seios de todas as mulheres tivessem, agora, palmo e meio de altura. E ainda dizia o Dr. Karen Weatherby, depois de uns estudos quaisquer: "Olhar para os seios de uma bela mulher durante 10 minutos, em cada dia, é o equivalente a uma meia-hora de aeróbica. A excitação sexual aumenta a frequência cardíaca, e é benéfica para a circulação do sangue. Nós pensamos que, com tal prática diária, os homens podem aumentar a esperança de vida em pelo menos 5 anos." Pois, caro Dr. Weatherby, cumpre-me informá-lo de que não basta olhar para os seios de uma bela mulher. Nem olhar para os belos seios de uma mulher. Para resultar, é preciso olhar para os belos seios de uma bela mulher. Repare, Dr. Weatherby, que, uma mulher, por mais bonita que seja, se tiver seios para além do limite do umbigo, dificilmente conseguirá provocar excitação sexual. E mais, Dr. Weatherby: uma mulher com uma armação saliente de dentes e dentolas, e com meio mamilo à mostra, jamais trará um incremento da circulação do sangue. Quando muito, ter-se-á uma náusea súbita, seguida de uma hemorragia nasal. Quanto à esperança de vida, a minha hoje deve ter baixado aí uns nove anos. Ou vinte e nove! Ainda me sinto horrorizado! Xô! Vai-te embora, ó meio mamilo! Argh! Que nojo! pickwick
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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
A loira, a dentuça e a pele ao léu

Outro dia, que era um belo dia de sol e calor, embora estivesse à sombra, fui acordado com violência. Era a hora do almoço, já mais para o começo da sesta do que para os aperitivos. Os meus dedos fervilhavam em cima de um teclado, olhos colados no ecrã onde as palavras surgiam a um ritmo alucinante, na ganância de aproveitar o tempo para adiantar trabalho e compensar o desleixo das semanas anteriores. Estava em transe-laboral, portanto. A sala estava resumidamente vazia, tirando a funcionária do bar, duas plantas de interior e o ruído da televisão. Estes momentos de sossego proporcionam oportunidades únicas para laborar com produtividade, sem gajas aos pulos, sem gajas a falar de parvoíces, e sem gajos a aturarem as gajas aos pulos e a falarem de parvoíces. A bem dizer, um gajo adormece para o trabalho – uma espécie de nível transcendental de ausência de sorna em que não há paragem nem apeadeiro. E foi deste estado de adormecimento que fui violentamente acordado. Do meu lado direito, a cerca de oito metros e trinta centímetros, surgiu um corpo ondulante, encimado por uma farta cabeleira loira. Ui!, exclamou imediatamente o meu subconsciente. Este alertou o consciente, o consciente alertou-me a mim, eu alertei o meu pescoço, o meu pescoço fez rodar a minha cabeça e zás. Olhos postos no corpo ondulante encimado por uma farta cabeleira loira. Não sei quem controlou os meus olhos naquele momento, mas o certo é que estes se fixaram alarvemente na zona do umbigo do corpo ondulante. Zona essa completamente ao léu! À mostra! Ali! Quinze centímetros de pele entre a cintura das calças e a borda inferior do top. A pele cor de bronze, como se tivesse mergulhado num banho para a tingir. Uiiiiiii!, exclamei, entre dentes. Corpo elegante, a abanar-se com o andar, nádegas e pernas sob uma calça de ganga deslavada e justa, apanhada à cintura por uma tira de couro. Em baixo, botas-de-dançar-numa-mesa-de-strip. Os olhos subiram. Peitos razoáveis, ombros quase à mostra mas meio tapados pela farta cabeleira loira e ondulada. Frisada? Como se chama ao cabelo meio ondulado como se tivesse saído de uma máquina de enfardar palha? Bem, o que quer que seja. Houve ali uns milésimos de segundo, enquanto fazia todas estas apreciações e observações, em que o meu subconsciente já ia um passo à frente, tentando colocar um bocado de raciocínio no ar. Um passo à frente, identificando a proprietária daquele preparo todo, daquele festival de sensualidade. O subconsciente – o maroto – ficou caladinho que nem um rato, esperando calmamente que o meu consciente me apanhasse a dar com os olhos no rosto da fidalga. Como que à espera para ver o espectáculo. E que lindo espectáculo! Assim que os olhos pousaram no rosto dela, a informação circulou rapidamente até à base de dados do cérebro, identificando-a como a fulana-tal, cujo nome desconhecia, mas cuja dentuça é uma aberração. AAAHHHHHHHH!!!..., guinchei quase a morrer de agonia! Era a gaja dos dentes de hipopótamo! Ah pois é! Que nojo! Imagine-se: uma gaja com ar de boazona, corpo de boazona, loira até mais não, elegante, gingona, mas com uma dentuça a brotar da boca que nem pode usar um copo para beber – tem de ser com palhinha de quarenta centímetros! Perdi logo o apetite para o lanche e para o jantar. Ela não tem culpa, eu sei, mas voltamos à mesma coisa. Uma gaja com aquela armação de dentes que quase chegam ao umbigo, deveria ter um bocadinho de bom senso e não se vestir de forma tão espampanante, nem pintar o cabelo ondulado daquela maneira tão loira. Na melhor das hipóteses, uma saia pelo joelho e pronto! E o umbigo à mostra é para quê?! E como é que ela come sopa? E para que é que ela se ri em público quando isso lhe projecta a dentuça vinte centímetros mais à frente que o normal? Não há uma noçãozinha de harmonia estética? Não há espelhos em casa? Bem, cheguei a casa ainda tão agoniado que corri a escrever essa crónica. Antes, fui procurar na net por alguma aberração semelhante, mas, dada a dificuldade, tive que me sujeitar a forçar qualquer coisa que pudesse, de alguma, forma ilustrar o meu discurso. Apresento, orgulhosamente, três versões de uma loira com dentuça.

Devo dizer, em abono da verdade e da justiça, que a terceira loira, com o cabelo ondulado (ou frisado, ou lá como se chama), tem extraordinárias semelhanças com a loira da dentuça que é a protagonista. Mas, tal e qual! O cabelo é assim, o rosto é assim, e os dentes são tal e qual como esta apresenta. Bom, os dentes são ligeiramente amarelados, para condizer com o cabelo, mas as dimensões são muito realistas, afianço! Isto é, ou não é, de um gajo apanhar um susto de morte cada vez que tira os olhos do umbigo e os choca naquela armação de marfim? É como aqueles gajos que trepam aos postes de alta tenção, com motivações obscuras e pouco inteligentes, e que, de repente, apanham um daqueles esticões que parece uma mistura entre o fogo de artifício na Madeira e as febras a fritar na festa do Avante – um flash que frita a vista e embrulha o estômago! Arre! Oh mulher!, não tens quem te apare o marfim com uma rebarbadora? Nem uma lima para as unhas? pickwick

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publicado por pickwick às 20:47
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Quarta-feira, 21 de Março de 2007
Sandy, que tal ires ao Brasil?

Já ando para escrever sobre esta mulher há uns tempos, mas o frio que se tem feito sentir nos meses pretéritos não tem proporcionado ambiente adequado. Veio o sol, mas já está de partida, pelo que sobra o aquecedor para amenizar as agruras. Bom, vamos à Sandy. Obviamente, Sandy é um nome de código para esconder a identidade de uma colega de trabalho. Tenho que começar a precaver-me, não vá o diabo tecê-las e lixar-me a vida ao virar da esquina do tempo. A Sandy é uma moçoila dos seus 30 anos, mais coisa, menos coisa, de uma elegância irrepreensível, cuidada, bem trajada, pé ligeiro, óculos, cabelo ondulado… enfim, bem conservada. É mãe de duas crianças, cuja idade desconheço, pois não sou de andar a perguntar às minhas colegas que idade têm os filhos nem o que vão jantar logo à noite. Volta e meia traz saia, o que é muito simpático da parte dela. Podia ser ainda mais simpática e trazer uma saia acima do joelho, mas, pronto, não se pode ter tudo. A Sandy, apesar de todos estes atributos, tem um problema físico que me faz questionar:

1. Como raio é que um homem se agarra àquilo numa noite de muito entusiasmo e aromas sensuais?!

2. Como raio é que aquela mulher deu de mamar às crianças?!

Ou seja, para ser curto e brejeiro, a Sandy é desprovida de uma dimensão mínima de mamas. Seios, portanto. Nada! Tábua! Planície! É impressionante. Hoje, aproveitei o facto de ter passado a tarde inteira com ela – e com mais meio mundo – para investigar se as minhas teorias sobre a sua superfície peitoral se confirmavam. Aproveitei o facto de ela vir com umas calças de ganga justas, vislumbrando-se um corpo perfeito com as curvas nas medidas exactas, um casaquinho preto daqueles a imitar o fato de casamento dos machos, e uma camisa branca como a cal. A camisa branca, para gáudio do único gajo omnipresente nas mesmas reuniões que ela, era dotada de um decote muito generoso, ajudado pela forte goma do tecido. Por entre a abertura, e para além da prancha de pele e ossos, surgia o que parecia um soutien. Daquelas coisas que as gajas usam no peito para evitar que as mamas cheguem ao umbigo antes dos 25 anos. Obviamente que não me meti para ali com os olhos a saltar-lhe para dentro do decote, até porque à mesa estavam mais nove gajas. Mas deu para ficar com a ideia que o soutien seria de medida escandalosa: tipo tamanho zero e copa zero e coiso zero. Tipo paninho de algodão só para enganar o olho dos curiosos. Como eu ser careca e ir para a piscina de touca. Daqui a algumas semanas, dado que a Primavera chegou hoje, a Sandy aparecerá mais aliviada de roupas e poderei averiguar com mais rigor o volume (ou não) peitoral, do qual darei crónica aqui neste blog se tal merecer algum destaque. Vim embora, ao final do dia, com a quase convicção de que deveria convidar a Sandy para uma conversa a sós, longe dos ouvidos das demais trabalhadoras, no decorrer da qual lhe facultaria aconselhamento estético gratuito, sugerindo-lhe, com toda a franqueza, que se metesse num avião da Varig e fosse ao país das brasucas mamalhudas fazer um daqueles tratamentos miraculosos que incham as mamas até estas flutuarem como balões cheios de hélio no meio de uma tempestade tropical. Até lhe poderia fazer algumas sugestões relativas à dimensão, apresentando, com rigor científico de décadas de atenta observação, prós e contras desta ou daquela medida. Eu gosto de ajudar. É bonito. Especialmente quando está em causa a estética, o bom gosto, a satisfação pessoal da mulher, a satisfação geral do pagode, e sensação de bem-estar de quem sente qualquer coisa a baloiçar no peito. Sandy, que tal ires ao Brasil? Num mês, vais, voltas, habituas-te e entras no mês de Maio com um olhar à matadora e o guarda-roupa completamente renovado. O teu marido agradece, eu agradeço, e acho que até o porteiro agradeceria. E o Filipe também. E o Cláudio até era capaz de uivar! O Cláudio passa a vida a uivar, bastando que lhe venha à memória visual a imagem daquela tontinha da Sónia Araújo, mas acho que passaria a uivar só de te ver. pickwick

publicado por pickwick às 21:47
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