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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
O povo javardolas
O dia um de Janeiro de dois mil e oito começou muito bem. Depois de uma noite maravilhosa, de céu limpo, com milhões de estrelas lá ao longe, chegou um sol fantástico. Não há nada como o sol a bater na barraca, logo pela manhã, para aquecer o ambiente e incentivar à alvorada tardia. Infelizmente, foi coisa de pouca dura, pois vieram as nuvens e estragaram tudo. Ou apenas uma nuvem, segundo a teoria de alguém. Uma nuvem imensa, que cobriu o topo da serra por completo e mergulhou o povo naquele estado crítico da visibilidade de “um palmo à frente do nariz”. Depois de desmontada a barraca e arrumadas as trouxas, abalámos calhaus acima, a apalpar o terreno, pisando a neve com cuidado por causa das surpresas, em direcção à Torre. Deveríamos demorar apenas alguns minutos, mas, com aquela visibilidade, a marcha foi feita como quem está a percorrer com os dedos o corpo de uma deusa toda nua, pela primeira vez. Devagarinho, portanto. Mais à frente, começámos a ouvir vozes. Devíamos estar próximos, obviamente, mas pouco mais se via para além de neve, calhaus e a maldita nuvem omnipresente. A determinado instante, quase chocámos com uma fila de carros e autocaravanas estacionados. À esquerda, como um monstro a sair do nevoeiro, erguiam-se aqueles edifícios foleiros. E entrámos no mundo divertido da Torre. Centenas de pessoas, vestidas como se estivessem no meio da serra, andavam ali, para trás e para a frente. Uns a entrar e a sair do centro comercial. Outros a entrar e a sair do café. Outros a entrar e a sair dos carros. E resmas, mas resmas, mas muitas resmas, a chafurdarem no lamaçal congelado em que se tinha transformado a zona mais alta de Portugal continental. Luvas, trenós de plástico rasca, sacos de plástico, óculos pirosos, gorros, casacos volumosos, dentes por lavar, risadas, registos fotográficos, carros topo de gama, sei lá. Todos os anos encontro estas cenas e fico decepcionado com este meu povo. Vêm lá de baixo, da civilização, equipados a rigor, muitos em carros topo de gama, para depois se comportarem como cachorros rafeiros a chafurdar na primeira poça de lama que encontram. É que, a bem da verdade, não se pode dizer que aquela malta andava a brincar na neve. Não, isso é que não! A neve é branca e dá para lamber, tipo sorvete de aroma natural. Por um lado, o nevoeiro não convidava ninguém a aventurar-se para longe dos carros. Por outro, o povo é mesmo rasca e contenta-se com aquela coisa nojenta e castanha que sobra depois de centenas de botas lamacentas espezinharem a neve branca. Francamente, e não querendo ofender ninguém, aquela malta parecia um bando de javardolas. Sai a família toda do seu Mercedes ou BMW, e toda a esfregarem-se naquela nojeira, a rirem-se, a atirarem bolas de lama congelada, e fotografarem-se uns aos outros, as miúdas a guincharem de histerismo e alegria, enfim. Uma coisa sem palavras. Este povo contenta-se mesmo com qualquer porcaria. Eu até acho, na humildade da minha curta visão comercial, que alguém poderia ganhar rios de dinheiro a vender máquinas de fabricar neve, para os cidadãos instalarem no quintal lá de casa e esquiarem e atirarem bolas de neve uns aos outros e guincharem à vontade e tirarem todas as fotos que quisessem. Até podiam instalar na varanda, ou na sala, ou num canteiro de flores, porque, pelo que deu para ver, qualquer sítio serve para o efeito. E os equipamentos que eles levam? Ui! Elas é casacos brancos de penas de ganso! É gorros com aspecto de penico de lã! É botas de ir à horta apanhar alfaces! É luvas de lavar retretes! Enfim. Centenas de exemplares desta gente, deste calibre medonho, e filas intermináveis de carros a entupir as estradas. Mais valia deixar de haver neve na serra e a Torre passar a servir apenas de palco a festivais eróticos para motards. Os motards, apesar daquele aspecto sabujo e vestuário carnavalesco, sempre se comportam de forma mais… humana… pickwick
publicado por pickwick às 20:41
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