Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

13
Ago07

Que tédio – parte 2

pickwick
Porque o tédio está sempre presente…
 
4. De cama
Foi em três tempos que apanhei um bicho qualquer e fiquei derreado por muitos dias: dor de cabeça, tosse compulsiva, dores no corpo todo, sonolência, etc. Em pleno Verão! Não há condições! Um gajo devia andar permanentemente de cuecas, ou sem elas, mas, dadas as circunstâncias, só me restava passar o dia de fato de treino ou pijama de Inverno, para tentar suar um bocado e expelir os bichos. É foleiro. Já quase no fim, com a coisa quase a passar, a D. Fernandina bateu à porta, para saber se eu estava bem, porque não me via há já vários dias e a vizinha de baixo tinha-lhe dito que eu passava a vida a tossir. Ah e tal, você é como um filho para mim, dizia ela. Eu até me engasgava. Tão contente que eu vivo, bem longe das saias protectoras da minha mãe, e ia logo agora arranjar uma mãe adoptiva?! Chiça! Ah e tal, não, estou quase bonzinho, obrigado, ah e tal. Entretanto, apareceu uma amiga. Passou na cozinha, de raspão, e, com aquela mítica capacidade que só as mulheres têm, descobriu que eu tinha andado a medicar-me com aquele frasco grande de licor de uva caseiro que tinha feito no ano passado, a partir de um garrafão de aguardente que me arranjaram. E, qual, antibiótico, senti-me na obrigação de o mamar até ao fim. Enfim, esta estratégia de medicação não pesou a meu favor na perspectiva da minha amiga, mas soube muito bem enquanto durou o néctar.
 
5. A gastar dinheiro
Quando as gajas estão a transbordar de tédio, que fazem? Vão às compras esturricar dinheiro em coisas fúteis. E eu? Todo doentinho, todo cheio de tédio. Fui à Internet fazer compras. Acho que nem dei bem conta do que andei a fazer, mas parece-me que tenho uma bonita conta de várias centenas de euros acumuladas no cartão de crédito. E tudo isto para quê? Para ser proprietário de meia dúzia de livros antigos e pirosos, que em nada melhorarão as minhas condições de vida, nem me aproximarão de gajas boas. Enfim, podia dar-me para pior e comprar cuecas às riscas e sapatos com lantejoulas e purpurinas e mais não sei quê. Por isso, não tenho nada que me queixar. Ao longo das próximas semanas os livros vão chegando pelo correio e pronto, nada mais haverá a fazer.
 
6. O escondidinho
Anda, anda, o sol. Muito escondidinho. Assim, à primeira vista, parece bem. Há menos calor, a vida suporta-se melhor, não suamos tanto, não cheiramos tão mal, não gastamos gasolina com o ar condicionado do carro, temos menos vontade de ensopar o esófago com cervejolas fresquinhas, não perdemos tempo à procura de sombras porque é tudo uma sombra geral, etc. Só que, há um pequeno detalhe que faz com que a vida fique dramaticamente cinzenta. É que, com tanta falta de sol, com tanta falta de calor, as lindas mulheres deste mundo não se apresentam em todo o seu esplendor. Não têm calor, logo não têm necessidade de recorrer a vestuário mais reduzido, o soutien não incomoda, a saia pode ser comprida e decote não porque fica frio nas maminhas. São Pedro, tu, que estás aí em cima, qual é a tua? Estás nalguma missão de preservação da moral pública? Foi alguma beata mal feita que te encomendou o serviço? És mesmo um chato do caraças!
 
7. Andas a comê-la?
Hoje fui apanhado de surpresa. O Nené ligou-me e, assim como quem quer pegar o touro pelos cornos, perguntou-me: andas a comer a Maria Papoila (nome de código)? Estas conversas de homens são do melhor. Aleguei patamares de exigência e qualidade, limites etários e outras justificações que me vieram à cabeça e depois a conversa passou a versar sobre queijos. A comer a Maria Papoila?! Esta agora!... pickwick
19
Jun07

O varão, o tédio e os pêlos

pickwick

No domingo passado, um daqueles dias para esquecer, alapei-me no sofá de uma amiga e matei o vício da televisão. Já não sei que filmes passaram, nem que filmes vi, mas fiquei fascinado com o episódio de uma série policial da treta. Daquelas séries em que os agentes usam técnicas sofisticadíssimas de investigação e blá blá blá, e computadores, e microgaitas, luvas de borracha, e vão à morgue remexer os restos mortais das vítimas. Acho que está na moda, por isso é melhor não tentar achincalhar demasiado a coisa. Bem, neste episódio, ah e tal, um gajo é assassinado (pouco original) na sua própria casa, vindo a descobrir-se que uma irmã dele vivia secretamente na mesma casa que ele, num quarto secreto. Se assim não fosse, não viveria secretamente. E porque vivia a mocinha secretamente num quarto secreto? Porque sofria de hipertricose! E eu, na minha santa falta de cultura, imaginei a mocinha com deformações nos dedos por passar tempo a mais a fazer tricô. Afinal, não era nada disso. Hipertricose, segundo parece, é um funcionamento defeituoso do organismo que provoca o crescimento excessivo de pêlos. E que afecta, também, as mulheres. Nada melhor do que uma “notícia” destas para me estragar a tarde… Escusavam era de ter mascarado a actriz com a mesma maquilhagem do… do… nem sei! Bom, isto agora parece-me estranho, mas, depois do episódio, a amiga trouxe à conversa outro tema que, para além de me fascinar, foi uma novidade para mim: as gajas casadas que aprendem a dançar no varão e depois compram um varão por 200 euros e vão para casa enroscar-se nele à frente do marido para combaterem o tédio da vida conjugal. Não consigo ainda perceber a ligação entre os dois temas. Qualquer dia, pode ser que venha a perceber. Seja como for, depois de chegado a casa fui investigar os dois temas. Vi fotos de gajas com hipertricose acentuada e até fiquei com medo de ir este Verão à praia. E fui ler uma notícia sobre as dançarinas do varão. Ui, ui! Abana para aqui, abana para ali, enrosca, desenrosca, ah e tal. E não chegava a perna de uma mesa? Não chegava a perna da cama? Não chegava a perna do marido? Não chegava o cabo de uma vassoura? Não! Não chegava e por isso toca a comprar varões a 200 euros! Um tubo rasca para aparafusar ao tecto e ao chão e toma lá. Mas, há mais, e passo a citar: “há varões no mercado que têm um gancho próprio para o disfarce; o gancho é para pendurar um vaso e enganar a sogra; afinal, o que é que ela ia pensar se visse aquilo lá na sala do filho e da nora? assim, com uma planta pendurada, fica muito mais versátil!”. Versátil?! Com um gancho para pendurar um vaso?! No meio do quarto? Sogra que é sogra, fica mais escandalizada por ver um vaso pendurado de um varão suspeito no meio do quarto do filho, do que ver um varão para danças eróticas! Aliás, um varão com um gancho e um vaso nele pendurado, levanta enormes suspeitas! Imagine-se. Pode ser para pendurarem nacos de carne crua num ritual satânico. Pode ser para o gajo pendurar a mulher com as mãos amarradas atrás das costas e um pêssego na boca. Pode ser para pendurarem a roupa suja para ser mais facilmente levada pela fada madrinha para lavar. Pode ser uma antena interior para apanhar melhor a TV Cabo. Pode ser um gigante cachimbo de água para fumar pêlos de rabo-de-boi. Pode ser um vibrador gigante com botão de arranque em forma de gancho. Sei lá. O que eu acho é que é altamente perigoso! Imagine-se, uma gaja que sofra de hipertricose (assim coisa para tufos com o mínimo de 27 cm), ficar com os pêlos emaranhados no gancho, lá no cimo do varão, a dois palmos do tecto. Não é bonito. Não é sensual. Não é aconselhável. Portanto, mulheres com hirsutismo, ou hipertricose, ou outra coisa começada por “hi” e acabada em muitos pêlos, aqui fica um sábio conselho: para combater esse tédio, nada de arraiais em varões! Vão fazer patinagem no gelo, vão nadar em pêlo num dos tanques do Oceanário de Lisboa, mas não se metam com varões com ganchos para pendurar vasos, está bem? pickwick