Março 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
procurar na gaveta
 
roupa no estendal

A sensual violação

Fábula erótica – volume u...

O varão, o tédio e os pêl...

roupa famosa

Teoria do Caos

O spiderman fez-me chorar...

Contadores de Anedotas

Quiche Lorraine

É na boa

Dez coisas que hoje me irritaram...

A Síndrome de Arlete

Generation Buraca

Feel like doin' it?

roupa na gaveta

Março 2014

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Dezembro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Dezembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Agosto 2010

Julho 2010

Maio 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Fevereiro 2006

Novembro 2005

Agosto 2005

Abril 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004


escreve-nos! já!

arautosdoestendal@gmail

3 dabliús
tags no estendal

todas as tags

Domingo, 30 de Setembro de 2012
A sensual violação

O C ainda acha que houve um enganado. Foi convidado para declamar um texto de Miguel Torga, durante um evento público. A senhora que o convidou, entregou-lhe um papel com o texto, ao qual acrescentou o seu número de telemóvel.

«….. De aí a nada, arregaçados, os homens iam esmagando os cachos, num movimento onde havia qualquer coisa de coito, de quente e sensual violação. Doirados, negros, roxos, amarelos, azuis, os bagos eram acenos de olhos lascivos numa cama de amor. E como falos gigantescos, as pernas dos pisadores rasgavam mácula e carinhosamente a virgindade túmida e feminina das uvas. A princípio, a pele branca das coxas, lisa e morna, deixava escorrer os salpicos de mosto sem se tingir. Mas com a continuação ia tomando a cor roxa, cada vez mais carregada, do moreto, do sousão, da tinta carvalha, da touriga e do bastardo.  A primeira violação tirava apenas a cada cacho a flor de uma integridade fechada. Era o corte. Depois, os êmbolos iam mais fundo, rasgavam mais, esmagavam com redobrada sensualidade, e o mosto ensanguentava-se e cobria-se de uma espuma leve de volúpia. À tona, a roçá-los como talismãs, passeavam então volumosos e verdadeiros sexos dos pisadores, repousados mas vivos dentro das ceroulas de tomentos…..»

O C não leu logo o texto, mas, enquanto se dedicava a nobres lides domésticas, recebeu um telefonema aflitíssimo da senhora, que ah e tal, havia um engano terrível, o texto era talvez muito ousado, tendo em conta a plateia que se previa composta por gente de bem e algumas batinas. Mas que, se ele achasse que não era assim tão ousado, poderia ler. Pelo sim, pelo não, deixou-lhe referência a outro texto, obviamente desprovido de ousadia, para ele escolher.

Tenho para mim que o C, de vez em quando, ou é muito ingénuo, ou disfarça mesmo, mesmo, mesmo, mesmo muito bem! Ainda tentei sugerir-lhe que o único engano terrível foi ele não ter ligado logo à senhora, em primeiro lugar, para discutirem o conteúdo do texto! Mas o C chutou esta minha conversa para canto, que não, ah e tal, tudo muito sóbrio. Estava firmemente decidido a declamar os dois textos, como que de empreitada: ou ousado e o não ousado. Para agradar a gregos e a troianos.

Eu só não sei é: como é que o C dará conta do recado! A declamação acontecerá depois de ele abandonar - à força - o repasto e hidratação abundantes do casamento de um primo! pickwick

publicado por pickwick às 09:45
link | tocar à trombeta | favorito
Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
Fábula erótica – volume um

Rebomilda era uma vaca leiteira, malhada, de porte majestoso, que passava os dias a pastar num lameiro na Serra da Freita, perdido num bonito vale verdejante. O facto de apenas pastar erva saudável e natural, evitando assim uma alimentação rica em porcarias sintéticas e industriais, permitia a Rebomilda ostentar um corpo fibroso e, quiçá, elegante. O sobe e desce no lameiro, a dificuldade inerente a progredir em terreno lamacento e a água natural abundante, contribuíam para essa elegância e fibra. Era, a bem dizer, aquilo a que se podia chamar uma bela vaca. Jeitosa, portanto. Certo dia de verão, em que o calor teimava em secar tudo o que não tivesse ao fresco, chegou ao vale verdejante uma esbelta lontra, de nome Magufas, com o pêlo lustroso e olhinhos bonitos. Chegou até ali subindo o ribeiro, saltitando entre penedos, calhaus e poças. Fez uma curva à esquerda, num raquítico afluente do ribeiro, subiu um pouco, e chegou ao lameiro da Rebomilda. Que verdura! Que paz! Que beleza! Uma nascente natural lançava um fio de água pelo lameiro abaixo, até ao ribeiro. Um enorme castanheiro, de braços longos e milhares de folhas, lançava uma apetitosa sombra sobre a erva húmida. Vendo Rebomilda ao fundo do lameiro, Magufas não fez cerimónias e dirigiu-se à vaca.

- Olá! Bom dia! Eu sou a Magufas e vim pelo ribeiro acima.

- Olá! Eu sou a Rebomilda. Como é que conseguiste subir o ribeiro sozinha? És tão pequenina!

- Oh, sou pequenina, mas oriento-me bem. Enquanto houver água, eu safo-me.

Rebomilda correu o corpo humedecido da lontra, de cima a baixo. Aquele palmo e meio de bicho parecia tão confiante. E tão engraçado. Que olhos tão giros.

- Então e vives aqui? – perguntou a lontra.

- Bem, passo aqui os dias, sim. De vez em quando, o meu dono vem mexer-me nas tetas e rouba-me umas dezenas de litros de leite. Eu não gosto muito.

- É melhor eu ter cuidado com o teu dono. Não me está a apetecer muito que ele me apanhe de surpresa e me mexa nas tetas para me tirar leite.

- Quais tetas?

- As minhas!

- Também tens tetas? – Rebomilda inclinou a cabeça, tentando espreitar para a barriga da lontra.

- Claro. Sou uma gaja! Uma lontra gaja! Por isso, tenho tetas!

- Oh, mas não te preocupes, o meu dono não vai perder tempo a tentar tirar-te leite. Daria muito trabalho e renderia quase nada. Ele quando vem para tirar leite é sempre para ir carregado.

- Mas podia querer meter-se comigo, se fosse tarado ou assim. Não gosto que me apertem as tetas à bruta.

- Bem, ele é assim um bocado tarado. Às vezes, quando vem com o nariz muito vermelho, põe-se a falar comigo, a fazer-me festinhas e a chamar-me Catarina. Não é que ele seja bruto, mas eu não gosto de sentir mãos calejadas em cima do meu corpo.

- Ah, pois é, mas sabes que mãos de macho são assim mesmo. Além de grotescas, não têm sensibilidade.

- Gostava que ele fosse um pouco sensível e me apertasse as tetas com mais delicadeza.

- Claro, até porque as tuas tetas são muito bonitas e é um crime maltratá-las.

- Achas?

- O quê?

- Que as minhas tetas são bonitas.

- Ora, claro que sim, notei isso logo que te vi. As tetas e não só.

- Ai… estás a deixar-me envergonhada…

- Não vale a pena ficares envergonhada. É um facto que és uma vaca muito gira, tens um corpo muito sensual, não és gorducha nem mal feita.

- Achas mesmo?

- Claro que sim.

- Bem, tu também…

- Sim…?

- Tu também.

- Eu também o quê?

- Oh, também és uma lontra muito gira, muito elegante, com uns olhos muito giros.

- Obrigada!

- Então e vais ficar por aqui?

- Estava a pensar passar aqui uns dias, aproveitar a paisagem, descansar, dormir umas sonecas e aproveitar a tua companhia. Achas bem?

- Ai, acho muitíssimo bem. Era excelente! Isto aqui é uma seca muito grande, passar os dias sozinha, de um lado para o outro. De vez em quando aparece uma raposa, para dar dois dedos de conversa.

- Ui, uma raposa? Eu adoro raposas! São tão… tão…

- Tão o quê?

- Eh pá, tão sexy!

- Sexy?

- Sim. Muito! Aquele focinho, aquela cauda sensual. Há três semanas atrás passei uns dias com uma raposa chamada Mimi. Conheces?

- Não, aqui perto só vive uma chamada Ana Teresa.

- Essa não conheço. Bom, mas a Mimi é uma doida! Passámos o tempo todo ora na toca dela, ora num charco. Fazíamos amor de meia em meia hora. Que maluca!

(silêncio no lameiro)

- Fizeste amor com ela?

- Sim. Foi tão bom! Nunca tinha experimentado, nem com uma raposa, nem sequer com uma lontra fêmea. Mas, adorei!

- Então e…

- Então e o quê?

- E é assim tão bom?

- Nunca experimentaste com outra vaca?

(continua) pickwick

publicado por pickwick às 00:10
link | tocar à trombeta | toques de trombeta (1) | favorito
Terça-feira, 19 de Junho de 2007
O varão, o tédio e os pêlos

No domingo passado, um daqueles dias para esquecer, alapei-me no sofá de uma amiga e matei o vício da televisão. Já não sei que filmes passaram, nem que filmes vi, mas fiquei fascinado com o episódio de uma série policial da treta. Daquelas séries em que os agentes usam técnicas sofisticadíssimas de investigação e blá blá blá, e computadores, e microgaitas, luvas de borracha, e vão à morgue remexer os restos mortais das vítimas. Acho que está na moda, por isso é melhor não tentar achincalhar demasiado a coisa. Bem, neste episódio, ah e tal, um gajo é assassinado (pouco original) na sua própria casa, vindo a descobrir-se que uma irmã dele vivia secretamente na mesma casa que ele, num quarto secreto. Se assim não fosse, não viveria secretamente. E porque vivia a mocinha secretamente num quarto secreto? Porque sofria de hipertricose! E eu, na minha santa falta de cultura, imaginei a mocinha com deformações nos dedos por passar tempo a mais a fazer tricô. Afinal, não era nada disso. Hipertricose, segundo parece, é um funcionamento defeituoso do organismo que provoca o crescimento excessivo de pêlos. E que afecta, também, as mulheres. Nada melhor do que uma “notícia” destas para me estragar a tarde… Escusavam era de ter mascarado a actriz com a mesma maquilhagem do… do… nem sei! Bom, isto agora parece-me estranho, mas, depois do episódio, a amiga trouxe à conversa outro tema que, para além de me fascinar, foi uma novidade para mim: as gajas casadas que aprendem a dançar no varão e depois compram um varão por 200 euros e vão para casa enroscar-se nele à frente do marido para combaterem o tédio da vida conjugal. Não consigo ainda perceber a ligação entre os dois temas. Qualquer dia, pode ser que venha a perceber. Seja como for, depois de chegado a casa fui investigar os dois temas. Vi fotos de gajas com hipertricose acentuada e até fiquei com medo de ir este Verão à praia. E fui ler uma notícia sobre as dançarinas do varão. Ui, ui! Abana para aqui, abana para ali, enrosca, desenrosca, ah e tal. E não chegava a perna de uma mesa? Não chegava a perna da cama? Não chegava a perna do marido? Não chegava o cabo de uma vassoura? Não! Não chegava e por isso toca a comprar varões a 200 euros! Um tubo rasca para aparafusar ao tecto e ao chão e toma lá. Mas, há mais, e passo a citar: “há varões no mercado que têm um gancho próprio para o disfarce; o gancho é para pendurar um vaso e enganar a sogra; afinal, o que é que ela ia pensar se visse aquilo lá na sala do filho e da nora? assim, com uma planta pendurada, fica muito mais versátil!”. Versátil?! Com um gancho para pendurar um vaso?! No meio do quarto? Sogra que é sogra, fica mais escandalizada por ver um vaso pendurado de um varão suspeito no meio do quarto do filho, do que ver um varão para danças eróticas! Aliás, um varão com um gancho e um vaso nele pendurado, levanta enormes suspeitas! Imagine-se. Pode ser para pendurarem nacos de carne crua num ritual satânico. Pode ser para o gajo pendurar a mulher com as mãos amarradas atrás das costas e um pêssego na boca. Pode ser para pendurarem a roupa suja para ser mais facilmente levada pela fada madrinha para lavar. Pode ser uma antena interior para apanhar melhor a TV Cabo. Pode ser um gigante cachimbo de água para fumar pêlos de rabo-de-boi. Pode ser um vibrador gigante com botão de arranque em forma de gancho. Sei lá. O que eu acho é que é altamente perigoso! Imagine-se, uma gaja que sofra de hipertricose (assim coisa para tufos com o mínimo de 27 cm), ficar com os pêlos emaranhados no gancho, lá no cimo do varão, a dois palmos do tecto. Não é bonito. Não é sensual. Não é aconselhável. Portanto, mulheres com hirsutismo, ou hipertricose, ou outra coisa começada por “hi” e acabada em muitos pêlos, aqui fica um sábio conselho: para combater esse tédio, nada de arraiais em varões! Vão fazer patinagem no gelo, vão nadar em pêlo num dos tanques do Oceanário de Lisboa, mas não se metam com varões com ganchos para pendurar vasos, está bem? pickwick

tags no estendal: , , , ,
publicado por pickwick às 00:05
link | tocar à trombeta | toques de trombeta (1) | favorito