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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

04
Ago08

Coitado do Jessie

pickwick

A entrada em mais um fim-de-semana seduziu-me para o aluguer de um filme em DVD, no clube cá da merdaleja. Ultimamente, tem sido difícil escolher um, entre as centenas disponíveis, porque praticamente todos apresentam um ar de genuína porcaria artística. Será produto de uma crise mundial de falta de imaginação?

 
Entre as novidades, estava um filme com um nome compridíssimo, a saber: “O assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford”. Ora, ambas as personagens existiram, na realidade, embora com algumas diferenças em relação ao filme.
 
Robert Ford tinha um ar pouco másculo, tal como o actor, mas, pelo contrário, não tinha o cabelo liso e empastado de ranço. E não tinha lábios finos e inquietos, como o actor.
 
Jesse James, tinha menos ombros que o actor e a barba era muito mais comprida e escura. Aliás, esta obra cinematográfica seria mais próxima da realidade se não tivessem contratado o Pito para o papel principal, que, como sabem, não deixa que ninguém lhe pinte a barba ou lhe dê uns acrescentos. E mais: Jesse James tinha umas ancas enormes, como se tivesse parido dois gémeos por cada assalto que fez ao longo da sua vida de aventuras. Mais ainda, enquanto que o Pito tem uma queixada de quem come carne crua deste os três anos de idade, o verdadeiro Jesse James tinha um queixo apertadinho e afunilado, o que lhe dava um ar um pouco pateta e razão pela qual começou a usar barba.
 
O que eu não sabia, mas fiquei a saber ao fim de quinze minutos de filme, é que a obra foi realizada pelo nosso querido e adorado Manoel de Oliveira, disfarçado sob o pseudónimo de “André”. Tarde demais, direi eu, senão teria ficado na prateleira do clube, em troca de uma porcaria menor com crocodilos a comerem pessoas num lago qualquer... pickwick