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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

15
Set07

Luciana and her new boobies

pickwick
Eu não sou de ler revistas com notícias deste calibre, mas, aconteceu. Chegou a casa mais uma edição da revista da Cabovisão, enviada gratuitamente (ou não) para todos os seus clientes, a qual abri ingenuamente. Pimba. A Luciana Abreu na rifa. Chiça! Assim, na foto, até parece uma mulher toda boazona, quase que perfeita, não fosse a experiência do apreciador já denunciar uma tendência crónica desta mulher para inchar por todos os cantos, assim que parar com o jejum. Luciana, desculpa lá, mas não consigo ser benevolente para contigo. Mesmo sabendo que, pelos vistos, foste para cima de um palco com as maminhas novas a doerem muito. Chamam-te profissional. Eu chamava-te outra coisa, mas agora não interessa. Para que é que uma miúda que veste flores vai meter borracha nas maminhas? Para que é que revistas fazem notícias sobre as maminhas de borracha da miúda? Para que é que uma miúda vai para cima de um palco com as maminhas a doerem? E como é que o pessoal que estava no concerto descobriu que ela tinha um soutien com um novo tamanho?! Estes madeirenses são do caraças! A menos que, e já nada me espanta, a Luciana tenha subido para cima do palco e levantado a blusa para mostrar a novidade a toda a gente, provocando uma ruidosa onda de uivos. Sim, uivos, que na Madeira o que há mais é grotescos comedores de garotas e esfaimadas lésbicas de férias. Nada contra, claro. E o que virá a seguir? Uma onda de histeria das pitas portuguesas a atormentarem as mães para lhes pagarem uma ida à faca e um par de bolas de borracha? Não é preciso muito! Temos a televisão, temos as histéricas e temos o dinheiro. Improvável? Não parece. Se elas querem, à viva força, ir para a escola com blusas da Floribella, com uma saia da Floribella, lápis da Floribella em estojos da Floribella, cadernos e mochilas da Floribella, meias da Floribella e o sorriso idiota e depravado da Floribella, só ficará mesmo a faltar as maminhas novas da Floribella, certo? Borracha, silicone ou massa para vidros, tanto faz, o que interessa mesmo é dobrar a espinha para trás – como a Floribella – e fazer sobressair o que quer que seja de volumoso que tragam ao peito. Pessoalmente, acho que daqui sairá uma tragédia nacional. Por um lado, qualquer viagem de transportes públicos parecerá a visita a uma fábrica de colchões de água, com um repetitivo “shlok, shlok, shlok” a soar nos peitos de todas as pitas, adolescentes, jovens mulheres e mães delas todas (que não quereriam, nem por nada, ficar atrás). Por outro lado, e tendo em conta que a esmagadora maioria das miúdas portuguesas tem maminhas de muita qualidade e volume perfeito, o resultado de uma corrida às mamas de borracha transformará o panorama feminino nacional numa manada gigantesca de réplicas da Dolly Parton. A Dolly, para quem não sabe, nos seus tempos de glória da canção, tinha o hábito de atirar as mamas para trás das costas para poder cantar com mais afinco e afino. Anos mais tarde, já quarentonas, estas agora pitas terão que se confrontar com dramas vários: os filhos desgostosos e traumatizados com meses a mamar leite com sabor a borracha, os graves problemas de coluna por causa do esforço continuado para evitar que as mamas toquem no chão, a recauchutagem da borracha por causa do desgaste, a eventual reposição do tamanho original (quando o juízo regressar) e as consequentes e horríveis cicatrizes, o prejuízo das empresas de fabrico de soutiens confrontadas com uma quebra brutal e inesperada nas vendas de soutiens XXXL, etc. E, isto tudo, porque uma tal de Luciana se lembrou de meter borracha nas mamas. Luciana, se leres isto, ainda estás a tempo, adiciona-me no MSN para desabafares um pedaço e eu te convencer a voltar com as tuas maminhas ao tamanho natural. O endereço? Ah e tal, pickwick e não sei quê do sapo. Mas não metas flores na imagem de apresentação, ok? Estou mais numa de bifes. pickwick
03
Jul07

Concorrência desleal

pickwick

Ontem, que por acaso foi Domingo, fui até à capital do meu distrito fazer uma palestra sobre várias coisas, entre as quais a Guerra Anglo-Boer na transição entre os séculos XIX e XX. Como se eu percebesse alguma coisa do assunto! Enfim, o povo contenta-se com pouco e quaisquer blasfémias projectadas pelos ares são recebidas com júbilo e cânticos de aclamação. A caminho da cidade, a cerca de vinte quilómetros da minha aldeia, concretamente na travessia de um rio que dá nome a uma famosa zona demarcada de vinhos, vi-a. Top branco e justo, saia preta esvoaçando graciosamente, botas de cabedal preto de cano alto, joelho ora à vista ora escondido, caminhar decidido e ritmado como se estivesse numa qualquer passerelle, cabelo solto pelas omoplatas, e uns óculos enormes para proteger os olhos do sol ou o sol das olheiras. Vi-a de costas, atravessando a ponte. Coisa bonita de se ver, confesso. Completamente deslocada geograficamente. Que faria uma raridade daquelas, num Domingo de manhã, sozinha, vistosa, a atravessar uma ponte perdida numa estrada entre montes e vales e matas? Olhei de lado e pareceu-me reconhecer uma menina-de-serventia que costuma plantar-se num cruzamento cem metros mais à frente. Nunca a tinha visto tão bem arranjadinha, tão cuidada, tão bonita, tão menina-inocente. Passei no cruzamento e lancei a vista para onde é hábito ela estar de serventia, sentada num balde de tinta vazio virado a contrário, a puxar umas fumaças. Junto ao balde, um cão rafeiro morto. Será que ela se ia plantar por lá, naquele cenário, à espera de cliente? Segui em frente e fui à palestra. Regressei já quase no fim da hora do almoço, com o estômago ainda vazio. Voltei a passar junto ao balde de tinta virado ao contrário com o cão morto a fazer-lhe companhia. Ao entrar na ponte, vi-a novamente, caminhando na minha direcção, com uma garrafa de água de litro e meio na mão, com a maior das descontracções. Realmente, estava mesmo muito apresentável. Se a memória não falha, costuma estar de serventia com umas calças de ganga rafeiras e uma camisola qualquer. Por ser Domingo, sei lá, estava toda catita, como se houvera picado o ponto na missa dominical. Sob o top branco notava-se, na perfeição, um soutien normalíssimo. Para que raio é que uma meretriz anda com um soutien? Faz sentido? Claro que não. E a que propósito é que uma graciosidade daquele calibre faz serventia num local ermo como aquele cruzamento, sujeita a toda a lixarada, poluição, canídeos mortos, ratazanas esfomeadas e clientes mal cheirosos? É um desperdício. É como atirar pérolas a porcos, digo eu. Uma mocinha daquelas devia trabalhar num bordel decente, com ar condicionado, banhos quentes, campainha na recepção, chão encerado e copos de água nas mesinhas de cabeceira para clientes com dentaduras postiças. E doze mudas de cuecas por dia! Condições de trabalho, portanto. Fiz uma pequena pesquisa na Internet e encontrei a foto de uma mulher que em muito se parece com a figura da menina-de-serventia em causa. A cor do top é ao contrário e a saia era preta. O corpo, muito idêntico. Enfim, bonito de se ver. No entanto, e para compensar estes dois “encontros” à beira do asfalto, um à ida, outro à vinda, falta-me relatar um terceiro “encontro”, ocorrido entre aqueles dois. Aconteceu à chegada às fraldas da cidade, quando virei da estrada principal para uma secundária que dava acesso a uma aldeia que já havia sido praticamente engolida pelo crescimento desenfreado da grande cidade. A cerca de vinte metros do cruzamento, já a deixar para trás a fila de carros a caminho do reboliço citadino, apanhei um daqueles sustos que nem com água gaseificada se recupera. Mesmo ali, ao lado esquerdo, debaixo de umas mimosas, entre ramos caídos e restos de entulho, estavam duas senhoras com idade para terem filhos a acabar a universidade, gorduchinhas como manda a idade e a falta de brio, com um ar altamente suspeito. Estavam de serviço! Obviamente. Não percebi qual das duas era a mais feia, mas aposto como passam o tempo a roer-se de inveja por cada qual ser menos feia que a outra qual. Aposto como adoram ser feias, mal feitas e terem um aspecto asqueroso tipo máquina-de-encerar-o-chão com defeitos causados por uso excessivo e continuado e momentos de sobreaquecimento. Aposto como pelo menos uma delas é desdentada e a outra tem borbulhas de pus nas virilhas. Aposto como fazem serventia a pares, quando assim solicitado pelo cliente. Aposto isto tudo. Mas, o que não consigo perceber, é como é que há seres humanos com pila ao pendurão que solicitam a serventia destas matronas fora de prazo e sem inspecção feita, quando há um exemplar de qualidade inegável, a poucos quilómetros dali, que presta serviço idêntico (à parte os pormenores técnicos de flexibilidade corporal e o caderno de encargos do serviço, claro). Assim, à primeira vista, parece-me um caso de concorrência desleal. Afinal de contas, como é que duas gajas naquele estado terminal (nem com tripla recauchutagem numa clínica brasileira ficavam em condições) podem competir, naquela profissão, com uma moçoila tão jovem e tão bem apresentada? Teoricamente, não haveria, sequer, competição. As duas, debaixo daquelas mimosas, acho que nem se fossem elas próprias a pagar, ou a oferecer bolos de frutos secos, se safavam. Mas, isto, sou eu a pensar, com a minha visão redutora e limitada do mundo. Às tantas, pensando de forma mais aberta, com um olho no horizonte do mau gosto do homem e o outro nas razões da mente que a própria mente desconhece, talvez chegue à conclusão de que a concorrência é desleal, sim, mas para o lado da moçoila jeitosa e bem apresentada. Basta, assim por momentos, contabilizar as coisas que as outras duas têm a mais: mais chicha, mais buracos de serventia, mais crostas, mais unhas podres, mais cataratas, mais banha, mais espaço entre dentes, mais lubrificante natural (banha derretida com o calor, entenda-se), mais área almofadada para posições cansativas, mais volume para amarfanhar com os dedos, mais batom esborratado à volta das beiças, etc. Pobre moçoila do cruzamento. Assim, com esta feroz concorrência, só mesmo dando serventia sem recibo, para poupar no IVA. pickwick