Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

17
Abr12

Tortura silenciosa

pickwick

No blogue de uma certa menina e moça lisboeta com escamas, que não conheço de parte alguma, encontrei uma referência a um episódio a transbordar de erotismo: uma mulher trajando um casaco comprido (o termo técnico é “trench coat” – as coisas que eu aprendo com mulheres), saia curta e oculta, provocando, assim, a imaginação de quem lhe passa a vista por cima; com uma hipotética abertura do casaco, revelar-se-ia um corpo nu e sensual, ou, para estragar tudo, um bem abonado mostruário de relógios traficados.

 

Pessoalmente, acho que, quando uma mulher usa casaco comprido e saia curta, sendo que esta é tão curta ou aquele tão comprido ao ponto de aquela ficar oculta por este, fá-lo por pura e dura sacanice para com o sexo oposto. Não é uma opção inocente. Não pode ser. É propositadíssimo, porque já é sabido que tal combinação de vestuário vai gerar uma daquelas dúvidas capaz de levar um homem ao suicídio por afogamento na própria saliva.

 

Há um niquinho de sadismo em toda a mulher minimamente apresentável… uma espécie de “querias comer-me toda mas agora não que acabaram-se-me os oregãos”. E o ego vai pela sanita abaixo quando não se vislumbra um olhar masculino carregado de dúvida. Não me importo nada com isto e até acho muito bem. Nós, homens, devemos saborear as dúvidas, ao invés das “favas contadas”, pois as coisas mais difíceis são aquelas a que daremos mais valor. Dizem.

 

Mas, muito pior que um “trench coat” por cima de uma saia curta, é uma saia-calção, ou, melhor, um calção-saia. Ou seja, um calção a imitar uma saia. Uma mini-saia! São a coisa mais irritante que existe em termos de vestuário feminino! Dá vontade de ir lá e espancar a rapariga e gritar-lhe sua estúpida era mini-saia a sério que devias usar, mas ‘tás parva ou quê?! Um gajo ali a salivar e afinal… Juro que já não me chegam os dedos dos pés para contar o número de vezes que senti um impulso animal interior para ir ao pé delas e distribuir chapadas a eito e meia dúzia de cabeçadas com a nuca.

 

Aparentemente, usar calção ou calção-saia vai dar ao mesmo, dado que mostra a mesma área desnuda de pernas, mas… que tem de tão fenomenal a mini-saia? É aquela “coisa” do casaco… o que estará por baixo? Toda a gente sabe, é o mesmo em todo o mundo, tirando o mito das orientais ou alguma inesperada redução de pano… Portanto, qual é a crise?

 

Qual é a ideia, afinal? A pornografia é uma mera exibição da nossa privacidade… é como fazer cocó e levá-lo num frasquinho para o trabalho, para mostrar aos colegas, ou para um jantar com a família. Eventualmente, selar o cocó com laca para o cabelo, para o expor inodoro numa qualquer galeria de arte. Ninguém leva o cocó para o trabalho, porque é coisa íntima, tal como o pirilau que não se exibe por aí com um pouco de Rimel nos pêlos púbicos mais compridos.

 

A mini-saia consegue fazer a ponte entre a privacidade e a pornografia. O triunfo da mini-saia, não está na nudez das pernas, mas no efeito “trench coat” que provoca. Se não fosse assim, e se não houvesse o niquinho de sadismo feminino tão generalizado, não haveria mini-saias. Era calções curtos para todas as mulheres: a mesma área de pernas a bronzear, muito mais prático para subir escadotes em bibliotecas, e a garantia de nunca arejar as cuequinhas numa qualquer escorregadela imprevista! pickwick

Toma! Toma!

 

15
Jan07

Crítica cinéfila

pickwick

Ora bem, vou estrear-me nesta arte por si só que é a crítica cinéfila. Ou seja, vou ao cinema, faço de conta que sou um gajo importante e que existem pessoas que lêem o que eu escrevo antes de irem elas mesmas ao cinema, e ganho o meu sustento assim. Deviam ser espancados, esses gajos! Nem é vida! Bom, fui ao cinema no sábado, sessão da meia-noite e vinte, ver um filme do Mel Gibson chamado “Apocalypto”. Esta é uma obra que se pode chamar um quatro-em-um. Gay, pornográfico, índios e cobóis, e romance. Eu explico. O filme começa com uma cena gay. Muito larilas. Um bando de gajos seminus corre pela selva amazónica atrás de um javali. Montam uma armadilha e matam o animal, coitado. Depois, um seminus come um dos testículos do javali, que lhe rebenta dentro das beiças, esguichando um líquido branco suspeito, ficando para ali a babar-se. Riem-se todos e pronto. Homem que é homem, não anda pela selva amazónia a trincar testículos de animais, ok? Depois, passamos a ter uma cena pornográfica. Os gajos deixam de ser todos larilas e viram machos amazónicos, com mulheres e filhos, à excepção de um matulão com 1,90m de altura, que ainda não conseguiu emprenhar a mulher. O ex-larilas mais velho, num momento mais íntimo, empresta-lhe umas folhas cor-da-embalagem-de-mon-cheri para ele esfregar nas partes baixas e assim fazer logo dez filhos. No acampamento, a desdentada da sogra, depois de insultar o matulão por este não emprenhar a sua filha querida, cola-se na porta da cabana do casal, não desgrudando enquanto o desgraçado não saltar para cima da mulher. Ele salta, ui que é bom, gemem os dois e saem disparados cabana para fora, ela aos saltinhos e ele… Bem, ele atira-se de nádegas para cima do bebedouro comunitário, mergulhando as partes baixas no líquido e, assim, afogando o ardor insuportável. Isto tudo, claro, perante uma tribo que se rebola no chão, todos perdidos de riso. Enfim, esta gente do cinema não consegue fazer um filme sem sexo. Ordinários! De seguida, após a cena gay e a cena pornográfica, começa a extensa parte do filme dedicada aos índios e cobóis. Porrada, corridas, sangue, mortos, feridos, setas, decapitações, prisioneiros, etc. Só faltaram as esporas e os tiros. Até dançarinas houve! Um bocado nojentas, é verdade, mas pronto. Por fim, depois da cena gay, da cena pornográfica e da cena dos índios e cóbois, chegámos à cena de romance. Romance, tipo filme de amor. O herói, que já tinha levado com uma seta no fígado e outra no coração, corre três dias sem comer nem beber nem dormir nem urinar nem defecar, escapando milagrosamente ao inimigo, chegando, por fim, ao pé da sua mulher, que se encontra dentro de um poço cheio de água, com um filhote de cinco anos num braço e um bebé no outro. O bebé tinha sido parido há minutos, debaixo de água, e ainda estava ligado à senhora pelo cordão umbilical. O gajo safou-a do afogamento, mais aos putos, partiram dali e foram começar a vida para longe. Lindo, lindo, lindo. Adoro estas cenas românticas. Depois desembarcaram os espanhóis e tal, mas isso é outra estória. Mel, ganda filme, carago! Estiveste mesmo bem! Escusavas era de ter metido aquela cena do gajo a trincar um testículo de javali e a rebentar-lhe a coisa toda na boca. Que nojo! pickwick