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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008
A saga das maminhas – parte 4

O dia de domingo chegou com a maior das tranquilidades. Com sol. Com o piu-piu dos passarinhos. Com as garrafas de tinto vazias. Com os corpos doridos. Com o desejo que alguém manifestou de receber massagens nos membros inferiores. Com um cardume de peixinhos no rio. Com uma lata de leite condensado ao pequeno-almoço.

 
Depois da árdua tarefa de ensacar o lixo da véspera, desmontar o abrigo e arrumar as mochilas, rumámos monte acima, passando novamente na quinta abandonada, sempre a subir, até ao cruzamento com um trilho por onde havíamos passado na véspera, a caminho da Drave.
 
Quase ao mesmo tempo, chegou ao cruzamento um grupo de caminhantes de domingo, assim tipo ajuntamento familiar ligeiro, no meio do qual se destacou uma mocinha de peito decotado e muito generoso, que chamou imediatamente a atenção de alguns membros do nosso grupo. Um peito com duas peças de arte muito idênticas à meloa que se comeu na noite anterior e que me esqueci de relatar no post anterior. Peças muito redondinhas e perfeitas, portanto.
 
Bom, no meio dos pais, das mães, das crianças e da mocinha de dezasseis anos (idade estimada segundo técnica científica já relatada em post anterior), apareceu um senhor dos seus cinquenta anos, vestido como quem vai de verão à missa, com uma machadinha na mão, todo suado. Conversa puxa conversa e tivemos ali história para meia-hora, pois o senhor encontrou o outro grupo algures e ofereceu-se para mostrar as vistas.
 
Assim, venham as histórias. O senhor da machadinha viveu naquela quinta abandonada, ao lado da qual dormimos, durante a sua infância e juventude. A quinta, afinal, tem nome: é a Quinta do Pego! Ora, em 1964 saiu de lá para ir trabalhar para Paris, uma mudança demasiado radical para quem viveu enfiado num buraco no meio do nada, entre ribeiras, montes e penhascos. Em criança, saía todos os dias da quinta, de madrugada, subia até ao cruzamento onde todos ouvíamos atentamente esta história, encontrava-se com outro rapaz que vinha da Drave, e juntos seguiam para a escola primária em Regoufe, ainda a quase uma hora de distância a pé. No regresso da escola, a avó ainda o metia a pastar cabras pelos montes vizinhos. Eram outros tempos, portanto.
 
Convenhamos que, apesar de estar todo suado e apresentar-se com uma rechonchuda barriguinha de cerveja, já tínhamos reparado na velocidade impressionante com que o homem caminhava pelos montes, resultado de muitos anos de passo ligeiro por aquelas paragens, em tempos idos.
 
Questionado sobre a Quinta do Pego, o homem da machadinha contou a seguinte história: há cerca de trezentos anos atrás, uma das famílias que habitava a aldeia da Drave era constituída apenas por homens, por via do falecimento da senhora esposa do respectivo marido: o viúvo e três filhos. Certo dia, um dos filhos meteu-se ao caminho e foi a uma aldeia da região –Fujaco – desencantar uma mulher. Buscar, portanto. Tal como relatou o senhor da machadinha, naqueles tempos, um gajo ia a uma aldeia qualquer, encontrava uma fêmea do seu agrado, negociava a sua “aquisição” com o pai da respectiva, e no mesmo dia podia regressar à proveniência com uma esposa debaixo do braço. Bons tempos, portanto.
 
Ora, chegado o casal à Drave, o pai do rapaz viu-se confrontado com uma situação pouco confortável, mesmo para a época: uma casa cheia de machos evidentemente esfomeados (esta interpretação é da minha autoria, obrigado), invadida pela tentação da carne que se concretizava no corpo apetecível de uma jovem mulher, provavelmente virgem de facto, exalando aquele perfume natural tão delicioso que brota dos poros da pele fresca de uma fêmea sem rodagem. Posto isto, o pai foi célere em resolver a questão. Filho, – disse ele – toma lá uma vaca, uma cabra, um burro, monta a tua mulher e vai habitar para o Pego (ainda gastámos alguns minutos, bem mais tarde, a tentar decifrar o que o homem da machadinha quis dizer com o “monta a tua mulher”, mas não chegámos a nenhuma conclusão conclusiva).
 
O Pego, na altura, há trezentos anos atrás, era pertença desta família da Drave, mas era desabitada. Servia como uma horta para a família, e apenas isso. O casalinho foi para lá viver e transformou o lugar numa quinta de facto. Até há uns cinco anos atrás, quando de lá saiu a última habitante, por motivos de doença. Assim, para além de terem levado uma vida feliz – num local daqueles, não há infelicidade que consiga vingar -, a miúda escapou-se a ser violada pelos cunhados e pelo sogro e ainda por alguns depravados que habitassem na aldeia, daqueles que se babam por qualquer pedaço de carne fresca. Consta que, ainda por cima, a miúda era toda jeitosa, para a época. Digo “para a época” porque, sendo historicamente factuais e contextualizando as coisas, há trezentos anos, qualquer mocinha habitando aldeias serranas, rodeada por cabras e moscas, aos dezassete anos já teria perdido quatro dentes à frente, teria bigode preto farfalhudo e unhas pretas de cavar a terra com os dedos, a higiene das partes baixas aproximava-se da inexistência, e seria possuidora de um caparro muito masculino, às custas de tanto trabalho rural.
 
Mesmo assim, e após a partida do senhor da machadinha para ir mostrar a Quinta do Pego ao outro grupo, decidimos que a aldeia do Fujaco mereceria uma visita científica da nossa parte, para averiguar se, ainda hoje, a povoação é capaz de fornecer matéria prima de qualidade para casamentos em searas alheias, com as devidas adequações físicas à época actual: dentaduras completas, buços convenientemente disfarçados, unhas limpas e cuidadas, higiene íntima sempre actualizada e uma pele macia sobre um corpo muito feminino e apetitoso. A ver, vamos. pickwick
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publicado por pickwick às 00:05
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