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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2004
Aqui, eu e elas
Silêncio.
Ecrã branco, cheio de nada.
Cessaram já os flashes e as palavras trocadas aqui e ali.
Agora, tudo está calmo. Apenas o discreto som das teclas se faz notar.
Só eu e elas, numa ligação que se revela infinitamente cúmplice.
Desejos, segredos, provocações, intimidades, saudades, ou o simples basbaquear do dia-a-dia, revelado pelo ritmado crepitar das teclas.
Os pássaros desistiram já de chilrear, a suave respiração dos outros já não é perceptível. Os carros já não passam lá fora, a televisão já não fala do mundo.
Esta noite, apenas eu e elas permanecemos aqui.
Um cão late, tímido.
E novamente o silêncio, abrasador. riverfl0w
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publicado por riverfl0w às 04:36
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Terça-feira, 8 de Junho de 2004
Folha em Branco


Esta noite é de contemplação. Limito-me a fazer como certo dia vi num qualquer documentário da National Geographic. Os índios Iroquois reservam uma noite de tempos a tempos para... ficarem em absorto silêncio. Pintam a cara de preto (de modo a não serem reconhecidos na penumbra), vestem as suas melhores peles e juntam-se no cume de um monte, em completo emudecimento, numa meditação que dura até o raiar do Sol. Comigo é imperativo fazer algumas alterações, não vá ser levado para o hospital psiquiátrico mais próximo; pego no meu melhor charuto, à falta de peles; sento-me numa cadeira à varanda, no modesto 1º andar (o monte cá do sítio); e, com uma folha em branco e uma caneta, vivo um momento de tranquilidade que é só meu. Chega por vezes a assemelhar-se a uma cena de teatro, quiçá um pouco dantesca: uma luz tremeluzente misturada com um fumo espesso a iluminar uma folha em que se escreve tudo e não se escreve nada, em devaneios inconstantes.



A cada golfada fumarenta sugada, inúmeros pensamentos me cruzam o espírito: a qualidade dos charutos cubanos, em quem vou votar nas Europeias, ou que ruídos estranhos são aqueles que ouço vindos da janela ao lado. Talvez este último dê menos que pensar. Enfim, não me quero alongar acerca da prosmicuidade dos vizinhos. Apago o meu cubano bem a tempo de ouvir um gemido discreto a duas vozes. São dois prazeres perfeitamente legítimos numa madrugada de segunda-feira: desfazer uma cama a dois ou escrevinhar numa folha em branco a tragos de charuto. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 01:29
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