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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

15
Jan07

Crítica cinéfila

pickwick

Ora bem, vou estrear-me nesta arte por si só que é a crítica cinéfila. Ou seja, vou ao cinema, faço de conta que sou um gajo importante e que existem pessoas que lêem o que eu escrevo antes de irem elas mesmas ao cinema, e ganho o meu sustento assim. Deviam ser espancados, esses gajos! Nem é vida! Bom, fui ao cinema no sábado, sessão da meia-noite e vinte, ver um filme do Mel Gibson chamado “Apocalypto”. Esta é uma obra que se pode chamar um quatro-em-um. Gay, pornográfico, índios e cobóis, e romance. Eu explico. O filme começa com uma cena gay. Muito larilas. Um bando de gajos seminus corre pela selva amazónica atrás de um javali. Montam uma armadilha e matam o animal, coitado. Depois, um seminus come um dos testículos do javali, que lhe rebenta dentro das beiças, esguichando um líquido branco suspeito, ficando para ali a babar-se. Riem-se todos e pronto. Homem que é homem, não anda pela selva amazónia a trincar testículos de animais, ok? Depois, passamos a ter uma cena pornográfica. Os gajos deixam de ser todos larilas e viram machos amazónicos, com mulheres e filhos, à excepção de um matulão com 1,90m de altura, que ainda não conseguiu emprenhar a mulher. O ex-larilas mais velho, num momento mais íntimo, empresta-lhe umas folhas cor-da-embalagem-de-mon-cheri para ele esfregar nas partes baixas e assim fazer logo dez filhos. No acampamento, a desdentada da sogra, depois de insultar o matulão por este não emprenhar a sua filha querida, cola-se na porta da cabana do casal, não desgrudando enquanto o desgraçado não saltar para cima da mulher. Ele salta, ui que é bom, gemem os dois e saem disparados cabana para fora, ela aos saltinhos e ele… Bem, ele atira-se de nádegas para cima do bebedouro comunitário, mergulhando as partes baixas no líquido e, assim, afogando o ardor insuportável. Isto tudo, claro, perante uma tribo que se rebola no chão, todos perdidos de riso. Enfim, esta gente do cinema não consegue fazer um filme sem sexo. Ordinários! De seguida, após a cena gay e a cena pornográfica, começa a extensa parte do filme dedicada aos índios e cobóis. Porrada, corridas, sangue, mortos, feridos, setas, decapitações, prisioneiros, etc. Só faltaram as esporas e os tiros. Até dançarinas houve! Um bocado nojentas, é verdade, mas pronto. Por fim, depois da cena gay, da cena pornográfica e da cena dos índios e cóbois, chegámos à cena de romance. Romance, tipo filme de amor. O herói, que já tinha levado com uma seta no fígado e outra no coração, corre três dias sem comer nem beber nem dormir nem urinar nem defecar, escapando milagrosamente ao inimigo, chegando, por fim, ao pé da sua mulher, que se encontra dentro de um poço cheio de água, com um filhote de cinco anos num braço e um bebé no outro. O bebé tinha sido parido há minutos, debaixo de água, e ainda estava ligado à senhora pelo cordão umbilical. O gajo safou-a do afogamento, mais aos putos, partiram dali e foram começar a vida para longe. Lindo, lindo, lindo. Adoro estas cenas românticas. Depois desembarcaram os espanhóis e tal, mas isso é outra estória. Mel, ganda filme, carago! Estiveste mesmo bem! Escusavas era de ter metido aquela cena do gajo a trincar um testículo de javali e a rebentar-lhe a coisa toda na boca. Que nojo! pickwick