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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
A mulher com cabeça de cabeça-de-fósforo – parte 1
Esta é uma história de fantasia e sei lá mais o quê, essencialmente disparates, outro modesto tributo à Carlinha, autora e escritora, com o mundo à sua frente.
 
Era uma vez uma jovem adolescente cuja cabeça era igualzinha a uma cabeça-de-fósforo: vermelha, áspera, combustível, explosiva, sem olhos, sem boca, sem nariz. Chamava-se Rusalka, em memória de uma sereia checa qualquer. Aos 17 anos, Rusalka sujeitou-se a uma operação plástica para tentar dar à cabeça uma aparência minimamente humana, mas os médicos conseguiram pouco mais do que uma sucessão de rejeições do organismo aos implantes. Dois anos mais tarde, Rusalka passou vários meses numa instituição científica que se ofereceu para conceber um manual de instruções para comunicação, que permitisse a qualquer ser humano normal comunicar com a jovem. Durante esta estadia na instituição, um dos médicos que acompanhou os trabalhos adiantou a remota hipótese de a aberração da cabeça de Rusalka poder ser “curada” com uma curta cerimónia descrita num livro de mistérios e lendas da natureza. Dizia este livro, escrito algures no século XVIII, que, nas altas e distantes montanhas de Tá Tá Lingsh, existe um animal misterioso, uma mistura improvável da natureza: o Kondilingsh, com catorze metros de comprimento, cabeça de crocodilo, corpo de libelinha e rabo de tigre-de-bengala. O Kondilingsh, apesar de ser uma aberração, é dotado de estranhos poderes, nomeadamente o de corrigir aberrações da natureza através de uma simples lambidela. Assim, e ainda segundo o livro, o portador da aberração deveria aproximar-se do Kondilingsh até ficar a cerca de 42 cm deste, bater palmas sete vezes, gritar “Ai Tá Tá! Moiumbé Lingsh Kondimar” e fechar os olhos. O Kondilingsh, então, daria uma lambidela na pessoa e, de um momento para o outro, a aberração desapareceria, dando lugar a um ser humano perfeitamente normal. Lenda ou realidade? Rusalka estava disposta a tirar a dúvida e arriscar. Aos 22 anos, e depois de 3 anos a treinar intensivamente montanhismo com o João Garcia, ali na Serra da Arrábida, Rusalka partiu para as altas montanhas de Tá Tá Lingsh, equipada com o seu manual de instruções para comunicação (MIC), uma mochila impermeável, um saco-cama-térmico, dezoito mudas de lingerie, um leitor de MP3 com o grito “Ai Tá Tá! Moiumbé Lingsh Kondimar”, um par de botas de escalada, um pack de preservativos de marca branca, e um saco de tremoços. Na aldeia de Shumyk, no sopé das montanhas de Tá Tá Lingsh, Rusalka contratou o hábil Ninini, caçador de caracóis, massagista e guia de montanha, mediante o adequado pagamento em tremoços e o solene compromisso de lhe conceder a primeira noite de sexo depois de ser curada pela lambidela do Kondilingsh. Ninini ajudá-la-ia a encontrar um Kondilingsh e a levar a cabo a cerimónia. Assim ficou combinado. Quatro madrugadas depois, partiram os dois, montanha acima, cada qual montado no seu burro-de-cauda-encaracolada. Seguiram-se seis tardes e duas manhãs, entre o sol das três da madrugada e a lua das cinco da tarde, na árdua subida das montanhas de Tá Tá Lingsh, apenas com umas curtíssimas paragens para tomar uma bica ou fazer as necessidades. A meio da sétima tarde e quase no fim da terceira manhã, Ninini descobriu o rastro fresco de um Kondilingsh adulto, a cerca de 14450 metros de altitude! Ninini sacou imediatamente dos seus óculos de visão diurna, fabricados em Macau com bambu e fundos de garrafas de cerveja Tsing Tao. Ao fim de algumas horas de perseguição, Ninini e Rusalka viram-se frente a frente com um Kondilingsh a comer pevides à sombra de um embondeiro. Que impressionante, o animal! Que imponente! Que vigoroso! A Mãe Natureza soube fazer a Sua obra. Ninini e Rusalka tiraram as botas de montanha e calçaram as pantufas em pele de pato que compraram em Shumyk por cinco tremoços cada par. Silenciosamente, Ninini conduziu Rusalka até esta ficar a escassos 42 cm do Kondilingsh. Tudo a postos para a cerimónia! (continua amanhã, no mesmo local, à mesma hora, com ainda mais disparates) pickwick
publicado por pickwick às 00:10
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