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Segunda-feira, 7 de Junho de 2004
Trintonas e quarentonas
Foi tão bom sentar-me ao lado dela!... (suspiro) Anda há semanas a fazer uma apresentação em powerpoint, aquele programinha maravilha do senhor Portões, e dia sim, dia não, planta-se perto de mim, no computador mesmo ao lado do meu. Aproveita para tirar umas dúvidas e chular umas dicas, sempre no interesse desinteressado da boa qualidade do trabalho final. É uma trintona. Muito bem conservada. E descomprometida. Pelo menos parece. Se não for, passa a ser, a bem desta narrativa. Daqui a nada é promovida a quarentona. As promoções da vida são o desespero de muitos, o princípio da decadência de outros tantos, e a oportunidade de triunfo dos que restam nos degraus abaixo. Isto vem tudo a propósito do facto de as trintonas e quarentonas descomprometidas me partirem todo. São demais! Bem conservadas, assim assim, ou mesmo já em fase de decomposição, há uma auréola de mistério que as envolve a todas. Seja o mistério A e o mistério B. O mistério A é o mistério daquelas que cresceram com a vida, são sabidonas, vividas, senhoras de si, principalmente do seu nariz, sabem estar, sabem ser, dominam o latim e fazem um homem sonhar com o carrossel e a montanha russa. O mistério B é o mistério daquelas que, enfim, pararam no tempo e no espaço, em todos os aspectos, e para as quais apenas tenho um trejeito: abanar tristemente a cabeça e soltar um “tss tss” misto de compaixão e reprovação. Resta decidir, pesando os legumes e as rendas, qual dos dois mistérios as torna mais apetecíveis. Misturando com a varinha mágica os atributos físicos que tanto nos regalam a vista, a decisão torna-se tarefa extenuante. Habilitamo-nos a encarar um mix típico do pau-de-dois-bicos, ou, com um pouco mais de sorte, a perder logo o apetite para as próximas duas refeições. É o verdadeiro mistério. Eu gosto de mistérios. E de arroz doce. Amanhã vou estar com mais atenção. Onde trabalho parece que as trintonas e quarentonas descomprometidas caem do céu de hora a hora. Vou levar uma rede para as apanhar antes de caírem no chão e se magoarem. Coitadinhas. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:14
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2004
Pedinchite aguda
Pensei que me tinha livrado dela até ao Verão, mas hoje vim a descobrir que não. Raios a partam... não tenho nada contra ela, pessoalmente, mas contra a maneira como se acerca de mim para pedinchar. Mais uma vez. Não tenho nada contra pedirem-me ajuda para isto ou para aquilo. É um prazer ajudar e ser útil. Mas, ó meus amigos, quando se nota a léguas que nos pedem ajuda porque têm preguiça, ó pá, aí tenham paciência... só dá vontade de lhe pegar pelos cabelos e rodopiar-lhe o corpo por cima do parapeito da janela. O caso é o seguinte: a fulana, tal como muitas fulanas, flausinas e trastes-que-tais, tem a mania que não percebe muito de computadores. Ora, em face da necessidade de usar uns quantos como consequência da sua profissão, toca a chatear este colega de trabalho para que lhe dê uma mãozinha. Eu é que só tenho duas mãozinhas e já usei as duas e os pés e acho que até uma orelha, em momentos anteriores em que a dita fulana recorreu aos meus préstimos. Acontece que estes meus préstimos são de um nível científico extraordinário, capazes de serem aprendidos e executados por uma criancinha de 8 anos após observar a primeira vez, e só com um olho. Mas esta fulana insiste em não querer aprender. Pois, é mais fácil vir pedinchar aqui ao colega, que não tem mais nada para fazer fora do seu horário de trabalho. Não há paciência! Ainda por cima, aborda-me como se eu fosse pago para andar atrás dela, feito mordomo que passa a escova no fato do patrão porque este não sabe como se passa a escova no fato. Irritam-me profundamente as pessoas que insistem em estagnar o seu conhecimento naquele patamar para o qual treparam pomposamente décadas atrás, ainda que seja apenas o primeiro degrau de uma imensa escadaria. Ou anos. Ou meses. E não têm vergonha de serem assim. Não têm vergonha de serem ignorantes. Não têm vergonha de não mexerem uma palhinha para aprenderem mais alguma coisa na vida. Provavelmente a culpa é nossa. Nossa, dos normais. Minha, que não sou muito normal, mas que consigo disfarçar quando está nevoeiro. Culpa minha, porque eu devia era ter-lhe enfiado dois dedos nas narinas, levantando-a do chão, e dizer-lhe num bafo pestilento: “Ó sua @#$+*\ mal jeitosa, carregas naquele botão redondo e psicadélico na frente do computador, o bicho liga-se, carregas no botão maricas do leitor de cd’s, metes lá dentro o cd, voltas a carregar no maricas para engolir o cd, e tá feito!!! Ok??? E agora: xô!!!...” pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:20
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