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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

14
Abr12

Recalibrar

pickwick

Páscoa, é época de rever a família, atulhar o organismo com calorias e gorduras, e passar uma imensidão de tempo afundado num sofá em frente a uma TV.

 

Por vezes, um gajo satura as nádegas e a espinha de tanto descanso de qualidade e aspira a uma lufada de ar fresco. Propus ao meu irmãozinho fazermos uma investigação breve sobre o “gajedo” no mega centro comercial da cidade, ao que ele contrapôs com um comentário de elevadíssimo nível intelectual: não, irmãozinho, vamos é recalibrar! Eu sei que o meu irmãozinho anda a ficar meio apanhado de tantas horas a trabalhar em investigação ao nível da fusão nuclear e outras coisas do mesmo calibre, mas, ainda assim, fiquei impressionado. Vamos ao centro comercial recalibrar. Soa bem. Parece que vamos recalibrar um osciloscópio, quando, de facto, a verdade esconde o desejo obsceno de recalibrar dezenas de elásticos de cuequinhas e sutiãs.

 

Já no centro comercial, não aguentei mais e obriguei o meu irmãozinho a pronunciar-se mais profundamente sobre o conceito da recalibração aplicado ao sexo feminino. O que dali saiu, foi uma teoria lindíssima, surpreendentemente aplicável no dia-a-dia, a saber:

 

Do ponto de vista masculino, quando convivemos algum tempo com a nossa namorada, amante colada, companheira ou esposa, há um processo insuspeito do nosso subconsciente que nos convence progressivamente de que a dita cuja é realmente gira. Tal não corresponde à realidade, claro, porque a sorte não é para todos e há razões que a escassez de dinheiro desconhece. Mas, aos poucos, vamos ficando convencidos. Elas dão uma mãozinha, um perfume novo, lingerie fatal, menos saia, depilação cuidada, culinária apurada, carinho quanto baste, etc. Assim, e a bem daquele pragmatismo que nunca devemos abandonar (uma gaja boa, é uma gaja boa), é de suma importância que seja feita uma recalibração periódica dos parâmetros que assistem à definição da beleza feminina. Tal consegue-se, com alguma facilidade, lavando as vistas em qualquer centro comercial ou praia onde abundem exemplares do sexo feminino. Um gajo observa, tira as medidas, arreganha as beiças, deixa escorrer um fio de baba pelo canto da boca, sussurra umas exclamações pouco católicas, e, aos poucos e poucos, começa a recalibrar a bitola da qualidade. A fasquia sobe, evidentemente, até à medida standard, pelo que a namorada ou esposa sofre uma queda brutal na reapreciação, com uma aproximação consistente à realidade. Já não é “gira”, mas apenas “engraçada”. De “boa”, passa a “dá para umas trincas”.

 

Já agora, o que é uma amante colada? É uma namorada que não se assume como namorada, mas que vive colada como uma, embora seja apenas amante. Dá para perceber? Pois claro.

 

Este processo de recalibração deve ser usado com algum cuidado e critério. Se decorrer em ambiente adverso, apinhado de gajas feias, peludas, gordas, mal feitas e forradas com trapos, incorre-se no risco de ficarmos convencidos que a nossa namorada ou coiso e tal é uma forte candidata a Miss Universo (já ganhou) e uma excelente capa para a Playboy. pickwick