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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

13
Abr12

A fotógrafa do presidente

pickwick

Há uma semana atrás, estava eu a degustar um Sunday de caramelo no McDonalds, de frente para uma amiga de peito excepcionalmente generoso mas sem qualquer nesga de decote, quando recebo um telefonema “urgente” do meu treinador: ah e tal, o senhor presidente da câmara quer homenagear-te por teres sido campeão nacional.

 

E assim foi. Ontem, acompanhado de uma muito extensa comitiva do meu clube desportivo (treinador, administrativo, presidente da direcção, presidente da assembleia, secretário, ajudante de secretário, vice-qualquer-coisa, etc.), fui recebido pelo senhor presidente da câmara municipal, no salão nobre da autarquia.

 

E o que é que um gajo pensa assim que é convidado para uma coisa destas? Obviamente: gambas e vinho verde! Infelizmente, os tempos são de crise e nem um quadradinho de chocolate de culinária.

 

O senhor presidente bota discurso, eu reservo-me o direito de pouco ou nada dizer para pouco ou nada errar, os membros da comitiva aproveitam para debater o movimento desportivo no concelho, o meu treinador divaga em mil e uma filosofias, recordam-se tempos idos que nada me dizem porque eu ainda por cima resido no concelho ao lado, elogia-se o pai do senhor presidente que por acaso até foi treinador (da bola) de alguns dos presentes num passado recuado vinte anos, e, voltando a mim, suspiro ininterruptamente em segredo, pois no salão só há homens. Ou não.

 

Com muita discrição, uma mocinha dos seus trinta anos entra pelos bastidores, de máquina fotográfica em punho e sorriso tímido. Como é que fazem os radares quando detectam um submarino? Ping, ping, ping? Pois é. Calças de ganga justas, camisola discreta, uma delícia de elegância feminina. Nem uma gordurinha naquelas coxas! Com a atenção toda concentrada nas costuras das calças dela, perco definitivamente o fio à conversa do senhor presidente com a comitiva desportiva. Sinto-me satisfeito, assim como que com a sensação de dever cumprido e a pátria a salvo, quando descubro uma mulher assim tão bem apresentada. Como se a descoberta contribuísse, realmente, para a salvação da pátria. Eu sei que não, mas há dias em que parece.

 

Entretanto, há umas movimentações inesperadas e sou apanhado pelo senhor presidente a apertar-me a mão e a oferecer-me uma salva metálica e uma porcelana e um saquinho e uns brindes e a dizer umas palavras bonitas sobre a ocasião e o esforço desportivo. A menina saltita para a esquerda e para a direita e solta-se-lhe uns flashes. Para melhor captar a cena, refugia-se atrás do magote de gente que compõe a comitiva desportiva, privando-me sadicamente da visão das suas esbeltas coxas. Ainda estou a tentar apanhar bonés e o senhor presidente, numa iniciativa enérgica, afasta a grande mesa de madeira e chama a comitiva para uma foto de grupo, gracejando sobre o meu peso e não sei o quê de eu lhe poder dar um enxerto de porrada, que não percebo nada porque o “céu” fica limpo e a fotógrafa aparece em primeiro plano, procurando o melhor ângulo. A foto já apareceu no site da câmara e eu estou com um ar de tarado, de olhar fixo algures abaixo da linha da objectiva da máquina fotográfica. Vergonhoso, eu sei, mas ela era tão fofinha… pickwick