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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

30
Nov08

O frango e o anúncio gay

pickwick

Estou a rapar o fundo da taça de plástico barato que, minutos atrás, estava cheio com o meu jantar de hoje. O facto de ter decidido comprar uma garrafa de tinto para, na solidão deste apartamento, celebrar a véspera do feriado de 1 de Dezembro, contribui fortemente para a componente erudita deste post.

 
E o que é a ementa para hoje? É um petisco da minha exclusiva autoria e tem o nome artístico de “Frango enrabado por uma mangueira”. Passo a explicar: mete-se ao lume uma panela com água e macarrão (parece uma mangueira cortada aos bocados), temperado com nós moscada e uma pitada de sal; na frigideira, quatro quintos de uma cebola (não me apeteceu cortar o resto) em azeite servem de cama a um bife de frango, temperado com piri-piri, alho, pimenta preta e salsa, que coze durante longos minutos; no fim, mistura-se tudo na panela do macarrão, serve-se num alguidar e acompanha-se com um Dão à maneira (com efeitos nocivos na capacidade de raciocínio).
 
Isto de passar um fim-de-semana sozinho em cada, dá para estas coisas.
 
Bom, e o anúncio gay? Eh pá, é aquele que agora passa na rádio… ah e tal, singing aia iupi iupi ai, não-sei-quê, e um beijinho no nariz do esquimó!
 
Um beijinho no esquimó?!
 
Os esquimós esfregam o nariz, porque as luvas grosseiras não dão muito jeito para apertos de mãos, nada mais! Ora essa! Beijinhos no nariz, das duas, uma: ou se dão às criancinhas, quando não estão evidentemente ranhosas, ou, então, pura e simplesmente não se dão.
 
Anúncios gay no Natal de 2008. Era só o que me faltava… pickwick
30
Mar07

Frango morto nas natas

pickwick

Antes que esqueça, e porque isto se torna perigoso, começo por introduzir os personagens: Mary, Charlie (é gaja, atenção), Philip e eu mesmo. Nomes de código, claro, por precaução. Outro dia, coiso e tal, a Mary manda SMS: ah e tal, a Charlie esqueceu-se de te convidar para vires cá comer um frango com natas. Um convite? Para comer? Hum… que simpáticas que são estas gajas. Ah e tal, é preciso levar alguma coisa? Gelado? Chouriça? Não, temos tudo! E bebidas? Ah, temos cá cervejas! Pronto, então. E lá fui eu, ontem à noite, com a sirene e os piscas e o fogo de artifício do Rover da Charlie a abrir caminho pelas ruelas de uma aldeia beirã cheia de casas de granito. Estacionamento numa aldeia onde as ruas foram feitas à medida para as carroças? Fácil: é mesmo no recinto da Igreja! Muito bem! Muitos carros beatos tem aquela aldeia. Bom, a casa das meninas era de granito, muito bonita, com vista para a Serra da Estrela. Lá dentro, o Philip aquecia-se numa lareira com recuperador de calor com a respectiva porta aberta, enquanto a Mary chafurdava no forno, feita dona de casa. Não fui de modas e saltitei alegremente até perto do forno, espreitando, curioso. Um frango morto repousava num leito de natas a borbulhas. Olha, não era melhor deitares as natas mais no fim? Calou!, respondeu a Mary, sempre tão querida. Então e umas entradas, não há? Porra!, ‘tás aqui ‘tás lá fora, vociferava a moça, já arreliada com a inconveniência das perguntas. Estas foram as primeiras perguntas, mas muitas mais houve. Pois, porque um gajo aceita um convite para ir comer a casa de duas gajas trintonas (que não são lésbicas, note-se), pensando que seria presenteado com um banquete para alarves, com petiscos para a entrada, farto repasto para o meio e deliciosas sobremesas para rematar. Afinal, fui enganado! A Charlie não cozinha. O acordo é que a Mary cozinha e a Charlie lava a loiça. As entradas foram dois pães que resgatei heroicamente de um saco abafado. As bebidas foram uma Super Bock Abadia (exemplar único), uma Super Bock normal em lata que não abri com receio de apanhar uma infecção no estômago por causa da ferrugem da lata, e dois pacotes de sumos esquisitos. O frango morto vinha afogado numa mistela esturricada que em tempos foi um banho de natas. Ao que parece, havia também cogumelos à mistura, mas não dei por nada e a Mary também não encontrou nenhum. Para acompanhar, havia arroz branco, que, por minha insistência e sugestão, ainda passou pelo forno para tentar ganhar uma cor mais saudável que o branco-pálido-morto. A Mary ainda meteu mais arroz a fazer, porque o tacho inicial tinha arroz que dava para alimentar uma criança de quatro anos durante três minutos. Ninguém comeu alarvemente. Bom, eu ainda fiquei mais uns quinze minutos à mesa a enfardar arroz, mas isso agora não interessa. Para a sobremesa, apareceu um gelado Vianeta com ar raquítico e enfezado, do qual sobrou cerca de três quartos, não sei bem porquê. Para acabar em beleza, um cafezinho feito pela Mary. O Philip ia desmaiando de agonia, a Charlie engasgou-se e a Mary acho que se babou um bocado. Sabia mal que se fartava, desculparam-se. Eu não dei por nada e bebi da caneca maior. Não houve digestivo! Mas que m**** de jantar foi este? Hum?! Já não há gajas como antigamente? E estas duas ainda são solteironas, mas eu já estou a ver porquê! Não sabem preparar um jantarzinho agradável para os colegas! Não sabem! Ponto final! Ainda desafiei o Philip, ah e tal, temos que ensinar a estas gajas como se prepara um jantar porreiro, com entradas, um bom assado no forno, bom gelado, etc., mas ah e tal, não contes comigo na cozinha, pá, adiantou o Philip. Sou eu que vivo num mundo à parte? Sou eu?! Bom, ficámos combinados que, depois da Páscoa, juntamo-nos novamente para outro jantar. Desta feita, eu arranjo as entradas, eu faço o jantar, eu trago as sobremesas! Esta malta ainda está a tempo de aprender a cozinhar e a receber os amigos com alguma decência! Mesmo depois dos 30! Carago, oh Mary, nem uma porcaria de uma azeitona?!... pickwick