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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

02
Ago08

Aventuras e acidentes

pickwick

Armado com a minha nova Canon SX100IS e um cartão de 4Gb, rumei a Trás-os-Montes para uma reportagem fotográfica ao serviço de uma revista. Num domingo, pois claro.

 
Pelo caminho, fiz um esforço para recusar puxar o gatilho contra as magníficas paisagens serranas, os montes e os vales, os rios e as pedras, as árvores e as filhas dos emigrantes. Isto de um gajo viajar com uma missão específica, leva a parvoíces destas. Embora o cartão de 4Gb desse para fotografar, uma a uma e completamente nuas, as atletas de todas as equipas nacionais femininas de voleibol, e ainda sobrava espaço para as treinadoras.
 
Bom. No primeiro local, tirei mais de trezentas fotografias, entre meninas de sorriso maroto e ancas sedutoras, e outros objectos que agora não vêm ao caso. Veio o meio-dia e almocei com presidentes de juntas de freguesia e outras individualidades de pouca monta, o que me impediu de acabar a refeição com um simpático arroto, por simples pudor.
 
Sem café, meti-me novamente à estrada, rumo ao próximo e último local, num vale perdido entre a Serra do Marão e a Serra do Alvão, onde cheguei sem grandes novidades. Aqui, o número de pessoas parecia ter triplicado em relação ao primeiro local, o que me obrigou a ser mais rápido a disparar, para poder aumentar a probabilidade de apanhar boas poses e bons enquadramentos e bonitos sorrisos e silhuetas divinas. Assim foi.
 
Quando o sol começou a dar sinal de quem se vai meter ao fresco para lá do cume dos montes vizinhos, agravando-se a situação com uma indesejável concentração de nuvens, achei que estava a chegar ao fim a minha labuta para esse dia. No cartão acumulavam-se cerca de seiscentas e cinquenta fotografias, todas com máxima resolução e máxima qualidade, sobrando ainda espaço para umas quatrocentas mais. Uma fartura, portanto. As pilhas, cujo consumo me inquietava, acabaram por render bastante, sendo que ainda ia a meio do segundo par.
 
Resolvi, então, dar uma vista de olhos nas obras de arte, para descontrair. Carreguei no botãozinho do “play", e comecei a apreciar o meu trabalho artístico. Que se resumiu a duas fotos! Se me tivessem espetado uma faca de matar porcos pelo ânus acima, não teria ficado tão branco…
 
Um dia de trabalho, mais de seis centenas de fotografias, tudo para o lixo? Carreguei em tudo o que era botão, para trás e para a frente, e as mesmas duas. Tirei o cartão, tirei as pilhas, abanei a máquina, roguei-lhe pragas, e as mesmas duas do costume. Entretanto, apareceram mais umas situações fotografáveis e puxei o gatilho mais umas dez vezes. Passaram a ser doze fotografias armazenadas.
 
É nestes momentos que um gajo pensa que mais valia ter estado quieto e que a tecnologia nunca devia ter passado das lanças feitas de paus afiados com a ponta queimada no fogo, algures nos tempos dos dinossauros.
 
Algumas horas depois, já em casa, liguei a máquina ao computador, para ver se o problema seria apenas da máquina, mas as doze fotos não enganavam ninguém. Fui para a internet vasculhar sobre o “acidente”, e descobri que, afinal, não é um acontecimento assim tão raro como poderia parecer. Aliás, é tão comum, que até há empresas com software próprio para recuperar cartões de memória “acidentados”.
 
No dia seguinte, à hora do almoço, saí a correr do trabalho e vim a casa instalar um programa em versão “demo”, para fazer uma pesquisa no cartão. Passados alguns minutos, o programa detectou as seiscentas e cinquenta fotografias, mas, sendo uma versão “demo”, não as recupera. Para tal, era necessário arrotar com vinte e tal euros para comprar o programa completo. Ao que um gajo se vê obrigado…
 
Paga a factura, descarregado o programa completo, recuperaram-se as fotografias todas e o povo pôde passar a cor do rosto de branco-cal para branco-rosa.
 
Depois de safo o trabalho do domingo, olhei pela janela com aquele olhar melancólico que os assassinos lançam pelas janelas quando lhes começa a subir pelo esófago acima aquela necessidade obsessiva de limpar o sebo a alguém… aquele olhar de quem medita profundamente sobre o voo da tecnologia da treta sobre o quintal mal amanhado lá em baixo… aquele olhar de quem tem uma possante marreta na garagem que num único golpe esborracharia por completo qualquer produto tecnológico produtor de insatisfação… pickwick
27
Ago07

As maminhas vistas de cima

pickwick

Na sequência da obsessão pelas maminhas, a qual não é exclusiva da minha pessoa ou de outros apreciadores do género, tenho mais uma constatação para trazer a esta praça. Tem que ver com a obsessão que as jovens raparigas vivem pelas suas maminhas. Jovens, raparigas, pitas, adolescentes, cachopas, garinas, etc. São elas que, mais do que ninguém, levam ao exagero a exibição continuada das respectivas maminhas, com a estranha conivência dos pais e das mães e dos avôs e das avós. Não há miúda que se preze que não traga metade das maminhas em regime de arejamento e bronzeador. A modelagem tipo bola-de-berlim-sem-creme é feita, presumo eu, na privacidade dos quartos – esses cantinhos da intimidade de cada adolescente -, através de auto-apalpadelas, tendo por base os modelos já em exibição nas telenovelas dos canais nacionais. O modelo de maminha com maior sucesso deve ser o bola-de-berlim-sem-creme-morangos-com-açúcar, obviamente. Aliás, as miúdas cada vez mais cedo aparecem com maminhas bola-de-berlim-sem-creme-XXL, em idade de terem apenas algo parecido com um Ferrero-Rocher-tímido. Explica-se? Claro, segundo a teoria do Almeida, meu ilustre colega de escola. O Almeida era perito em descobrir quem eram as miúdas lá da escola que andavam a ser apalpadas pelos namorados ou amigos secretos. Na altura ainda não se colocava a hipótese de serem apalpadas pelas namoradas ou amigas secretas, mas iria dar no mesmo. Com aquele olhar clínico, chamava-me à atenção para uma qualquer: ‘tás a ver a fulana-tal?, hoje tem as maminhas maiores do que na semana passada, por isso, anda a ser apalpada pelo namorado. E a fulana-coisa?, ‘tás a ver?, hoje tem as maminhas mais pequenas que na semana passada, quer dizer que deve ter acabado com o namorado. Eu fazia de conta que tirava milimetricamente as medidas às maminhas das nossas colegas, pelo canto do olho, acenava com a cabeça, fazia “hum, hum”, qual Dr. Watson a coadjuvar brilhantemente o Sherlock-Holmes-das-maminhas. Bom, em resumo, a teoria do Almeida era de que, quando se apalpavam as maminhas das miúdas, aquelas cresciam e assim se mantinha durante vários dias. Almeida, estavas lá, pá! Bem, no meio disto tudo, maminhas e coisas assim, há um outro pormenor que se configura, também, como um padrão. Falo das fotografias que as miúdas tiram a si próprias. Sistematicamente são tiradas num plano superior, com o objectivo óbvio de fazer sobressair as maminhas em relação a tudo o resto. Sistematicamente, as mocinhas aparecem com um decote obsceno, metade das maminhas ao léu, a olharem para cima, para o alto, para a máquina fotográfica que seguram na ponta de um braço bem esticado, como se estivessem a agarrar o Bruno Nogueira pelo cachaço e a obrigá-lo a afundar o queixo no externo, ali mesmo, entre as duas barbas de baleia do soutien. Sistematicamente, repito. Aqui há cerca de 2-3 anos, a moda era estenderem-se na cama e tirarem a fotografia no mesmo plano do corpo, como se estivessem a olhar languidamente para o namorado que vem do WC a gatinhar para a cama com as unhas em riste, a pila ao pendurão e os pêlos do peito cuidadosamente arrancados. Hoje, a fotografia tira-se de cima. Quem a vê, avalia imediatamente as dimensões das bolas-de-berlim-sem-creme, expostas descaradamente. As maminhas vistas de cima! Sem pudor. E os pais? Não sabem que as miúdas portuguesas tiram milhares de fotografias eróticas às respectivas maminhas semi-cobertas, para depois as colocarem na Internet? Os pais, pagam as máquinas fotográficas, pagam os computadores e pagam a Internet. E as mães? Essas, vão com as miúdas às compras e pagam-lhes os tops minúsculos, os soutiens sofisticados e as blusas decotadas. Ah e tal, está na moda! Não quero ser conservador, mas isto vai de mal a pior, digo eu. E alguém sabe de onde veio esta moda de tirarem os auto-retratos de cima, com as maminhas ao léu? É de alguma telenovela? É das revistas para pitas? Quem começou esta coisa? E qual vai ser a próxima moda dos auto-retratos? Foto do mamilo tapado com um malmequer? Foto do umbigo com uma framboesa em calda? Enfim… pickwick