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Domingo, 8 de Julho de 2007
Arraial na mata
Escrevo estas linhas depois de um bom banho e após fazer acompanhar um naco escandalosamente grande de bolo com uma cervejola fresquinha. Foi o ponto final na orgia gastronómica deste fim-de-semana, passado num parque de merendas de uma nossa senhora do não sei quê, à beirinha de uma daquelas aldeias meio esquecidas pelo mundo, com uma brutal vista para a encosta da Serra da Estrela. A isto, chama-se qualidade de vida. Fiz companhia a várias dezenas de amigos e conhecidos, num verdadeiro arraial beirão, mas sem a parte cansativa das danças de roda. Além do escaldão do costume, estou urgentemente necessitado de uma semana de fecho-para-obras, para repor os níveis do organismo que tinha antes de enfardar febras, cervejas, tinto, pão, azeitonas, e outras porcarias que fazem tão mal mas sabem tão bem.
 
1. A mulher do Delfim
Entre as várias dezenas de pessoas presentes, encontrava-se o Delfim, um rapaz aí para os seus trinta anos, proveniente de uma aldeia ali para os lados de São Pedro do Sul. O Delfim, apesar de ser simpático e saber estar, é aquilo a que vulgarmente se chama um campónio. Pelas feições do rosto e pela aparência física, dá para especular o seu passado: terá crescido numa família humilde e muito carenciada, onde faltou alimento para crescer harmoniosamente, deixando-lhe um corpo algo encolhido e vergado; as mãos, essas, são de quem desde pequeno teve que dar o litro para o sustento de todos, aumentadas pelo trabalho físico continuado; o rosto, é de quem não terá passado bem quando criança, com olhos de carneiro mal morto, provavelmente sem grandes hipóteses de um percurso escolar normal, prevalecendo o trabalho com baldes e pás e rédeas de animais de tracção. É mera especulação, mas pareceu-me ser assim. Ainda assim, e ao contrário de muitos que se transformam em brutamontes consumidores de garrafões de tinto e enchidos, que batem em tudo e todos por tudo e por nada, o Delfim saiu uma pessoa que sabe estar, calma, serena, algo desajeitado no meio de tanta diversidade social e cultural. Ora, mas o que interessa, mesmo, é a mulher do Delfim, cujo nome não cheguei a saber, mas que também não interessa. A mulher do Delfim, é, fisicamente, o caso típico da camponesa (campónia, nem por isso), que trabalhou duro, desde criança, nas lides do campo. Pele curtida pelos anos passados ao sol, cabelo ligeiramente oleoso e não tão cuidado como as trintonas da cidade, braços musculados e fibrosos, com as veias em grande relevo, ombros puxados atrás – típicos de quem puxa pelo físico na lavoura -, e nem um sinal de gordura ou celulite no corpo. Só fibra! De rosto, não é feia nem bonita; é, simplesmente, normal. Olhos castanhos, cabelo, castanho, à portuguesa. Até tem um sinalzinho sexy como a balofa da Catarina Furtado, que não lhe fica nada mal. E tem maminhas em tamanho perfeitamente adequado, o que lhe dá uma figura bastante interessante. E, por falar nas maminhas da mulher do Delfim, que fique registado que são muito sensíveis às baixas temperaturas: quando, no sábado, o sol começou a desaparecer e o calor se foi, os mamilos das maminhas da mulher do Delfim despontaram, chamando a atenção dos menos distraídos. E lá foi ela buscar uma camisolinha para combater o fresco da noite. A mulher do Delfim fez-me lembrar os meus propósitos de vida de há uns vinte anos atrás, quando a paciência para aturar gajas das cidades já se me tinha esgotado. Nessa altura, os meus planos eram, depois de ter a minha vida profissional assente, correr as aldeias das beiras e de trás-os-montes em busca de uma mulher do campo, simples, humilde, simpática, bem disposta, sem purpurinas nem cuequinhas laranja, sem os vícios que mais aparvalham o género feminino, para a convidar a partilhar o resto da vida comigo. Alguém que não me atazanasse o juízo com materialismos supérfluos, e que não padecesse da ignorância doméstica da maior parte das mulheres que enchem os lares deste país. Com o passar do tempo, fui conhecendo muitas aldeias do interior profundo, mas fui descobrindo, infelizmente, que as gajas do campo conseguem ser tão vazias de tudo como as da cidade, e que pouco as distingue nos tempos que correm. Talvez a mulher do Delfim fosse diferente, não sei, mas agora também já não interessa.
 
2. Problemas sérios
A meio de uma conversa qualquer sobre o sexo oposto, o Joka lamuriou-se que ah e tal, porra, pá, quando me casei, a minha mulher era uma bomba! Agora, vejo-me à rasca para conseguir dar uma queca, primeiro que um gajo fique tal e coiso, tem que fazer filetes (não percebi a piada dos filetes, mas pronto)… o que me vale é a mão, que é à velocidade que quero e resulta sempre. Risos e tal. O tinto ajuda a soltar a língua a qualquer um. Olhei de relance para a mulher do Joka. Coitado do rapaz. Compreendo-o. A mulher dele tem uns presuntos tais que cada perna é quase tão grossa como o tronco dele! Um exagero. Como o percebo! Assim, não dá para ganhar entusiasmo! Aproveitei para olhar para a irmã da mulher do Joka, também quarentona e mãe de filos, casada com o Zé. Os mesmos descomunais presuntos! Coitado do Zé. Não lhes custava nada fazerem uma dietazinha. Andam a aprender danças de salão, mas as aulas devem ser de rabo numa cadeira a ver um DVD. Ainda por cima, vestem-se com aqueles fatos-de-treino tamanho normal, de tal maneira que até se nota o relevo da pele-casca-de-laranja nas calças! Eu dou graças por ainda haver mulheres que se cuidam depois de serem mães e depois de passarem bem à frente da barreira dos trinta. Estas, é que são as verdadeiras mulheres! Não andam aqui para enganar ninguém. Não andam aqui para transformar a vida sexual dos maridos num esforço gigantesco de imaginação. Não andam aqui a competir com as mulheres dos outros para ver quem deixa crescer os presuntos maiores. Estas, sim! pickwick
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publicado por pickwick às 21:37
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