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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

16
Jun12

Personal trainer 1

pickwick

Conforme prometido há três anos atrás, ofereci os meus préstimos técnicos (cof cof cof) para preparar fisicamente a Virgulina (nome de código… e ainda bem!) para concorrer à Academia Militar. Está na hora, agora que terminou o 12º ano. E, na sequência disto, encontrámo-nos outro dia no campo de jogos, para trocarmos impressões e combinar estratégias.

 

Lembrava-me de ver sempre a Virgulina a “papar” as provas de corta-mato, muito leve e muito fresca, a “dar ao pedal” por ali fora, acima e abaixo, ora no asfalto, ora em terra batida. É sempre agradável ver uma miúda com genica, por comparação extrema com umas quantas que parece que levam uma betoneira incrustada nas nádegas. 

 

Mas, como em tudo na vida, não há nada como um engano técnico para um gajo se remeter à humilde posição de singelo mortal. Tantas provas de corta-mato ganhas, afinal, não são suficientes para garantir a capacidade física para executar uns quantos exercícios banais.

 

Descobri, então, que a Virgulina não consegue ultrapassar as provas de salto em extensão, salto da vala e flexão de braços na barra. Já conseguiu, até, espetar-se numa vala, quando foi ao quartel de infantaria experimentar a coisa. Só não saiu de lá toda “feita num oito”, porque não calhou. Basicamente, falta-lhe potência muscular, tanto nas pernas, como nos braços / costas. Um desafio pela frente, portanto, no prazo de uns míseros dois meses.

 

Numa dimensão paralela (estritamente), imaginei-me a treiná-la num barracão fedorento, a levantar fardos de palha e baldes de estrume, a empurrar vacas teimosas, a sacudir-se dos irritantes enxames de moscas, a içar-se numa corda untada com banha de porco, a comer meia dúzia de ovos ao pequeno-almoço e dois mega-bifes de veado a cada uma das restantes refeições, ela a gemer de dor (coitada) e eu a dar-lhe com o cabo do ancinho nas pernas e a gritar-lhe “anda lá, pá! xiu! faz-te um homem!”. Sim, são muitos filmes do Balboa, pronto…

 

De regresso a esta dimensão, deixei-lhe umas quantas sugestões de treino. Mas, fiquei com aquela impressão estranha de que vou ter que voltar à carga, de forma mais intensa, quiçá violenta, até porque a prova de flexão de braços na barra deixou-me ligeiramente preocupado. Pelo que percebi, até ao ano passado, a prova de flexão de braços na barra era feita apenas pelos rapazes, sendo que as meninas faziam, em alternativa, flexões de braços no chão, que é muito mais fácil. Subiram a fasquia para as meninas. Assim seja. Daqui por umas semanas, a Virgulina terá que estar apta a erguer uma caneca de litro de cerveja só com o mindinho e o polegar, terminando a beberagem com um mui másculo e harmonioso arroto… ou não! pickwick