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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

09
Mai12

Os golpistas do Pingo Doce

pickwick

Parece que perdi um dia imperdível aos comandos de um carrinho de compras, atestado até aos últimos arames, nos intransitáveis corredores do Pingo Doce cá do burgo. Felizmente, as minhas colegas de trabalho fizeram o favor de me relatar as aventuras daquele mítico dia de feriado. Agradeço-lhes, do fundo do coração, especialmente porque, dos relatos todos, bem espremidinhos até ao último adjectivo, a única substância que sobra é o surpreendente facto de ter havido um surto de golpistas sem pingo de vergonha na cara.

Uma quantidade quase absurda de gente, de muito boas aparências, a injectarem-se subtilmente algures na fila para pagar as compras, nunca a mais de um quarto do seu comprimento a contar da caixa. O truque mais usado foi a aproximação estratégica a uma prateleira para consultar determinado artigo, seguida de um violento ataque de prisão de pés ao chão, como quem assobia para o ar.

O mais extraordinário, a meu ver, foi a reacção desta gentalha quando confrontados por pessoas que subitamente se viram ultrapassadas, assim, sem mais nem menos: sem qualquer pinguinho de vergonha, reagiam invariavelmente com um daqueles ares de espanto e incredulidade, como se tivessem sido apanhados pela polícia de choque a ajudarem uma velhinha a atravessar a estrada ou a salvarem uma criança de morrer afogada! Nalguns casos, quase foi preciso sacudir a escumalha à pancada, tal era a crença no direito constitucional ao golpe na fila das compras. Na maior parte dos casos, foi necessário elevar a voz, quase ao nível do regateio do preço do peixe. 

Em resumo, a sociedade portuguesa está a ficar demasiado podre. Demasiado! E os canais de TV continuam a fazer passar, eficazmente, a triste mensagem de que ser-se podre de valores é perfeitamente aceitável e até pode ser louvável… pickwick

10
Jan08

Apetece-me generalizar

pickwick
Deve ser por o meu carro andar a fazer uns barulhos suspeitos na suspensão dianteira esquerda. Fico assim, mal disposto, e apetece-me generalizar. Eu sei que generalizar é feio e não fica bem. Não se deve meter dentro do mesmo saco o trigo e o joio. Mas, hoje, esta noite, apetece-me. Pronto. Que se lixe.
Os felinos da treta
Desde que aquele artolas dos “Gato Fedorento” foi apanhado com o cérebro inundado em bebidas alcoólicas, não consigo nutrir por aquele grupo artístico qualquer simpatia. E logo eu, que sempre me ri às gargalhadas com as gracinhas e piadinhas deles. Ria, mas deixei de rir. Cada vez que oiço um anúncio na rádio feito por eles, fico com aquele ar de enjoado, como de quem está a olhar para uma mulher muito, muito feia e peluda e horrorosa. Eu sei que foi só um que foi apanhado e que os outros ficaram sossegadinhos a curtir o resto da noite, mas apetece-me metê-los a todos no mesmo saco e baixar-lhes a bitola para bem rente ao pó da calçada. Deixaram todos de ser engraçados, originais, cheios de piada, hilariantes, brilhantes, whatever. Passaram todos a ser uns bêbados, grosseiros, aspirantes a criminosos do asfalto. E não vou deixar de dizer “ah e tal”, porque ainda eles não existiam e já eu ouvia dizer “ah e tal”. Porque, ah e tal, eu até sou alérgico a gatos.
A escumalha do BCP
Tenham dó! Não pode haver gente de bem a ser accionista do BCP. Não falo do mini-accionista-de-algibeira, mas, sim, daqueles accionistas-caramelos que aparecem por aí, na comunicação social, armados aos cágados e às passarinhas, vestidos de preto, como se fossem pessoas honestas. Claro que não são honestas! E o Zé Manel? Ah pois é! O Zé Manel, o tal que se veste de preto e que esturrou milhões em obras de arte, convencido que ia ficar mais culto só por forrar as paredes com fortunas, é um dos tais. Eu não gosto do gajo, pronto. Tem aquele ar de Hydrurga leptonyx (foca-leopardo, para os mais distraídos), tão inculto como um barril de cerveja barata, incapaz de disfarçar que arranjou todo aquele dinheiro às custas de incontáveis trafulhices. E os outros vão pelo mesmo caminho. Qualquer pessoa com mais de 0,05% de acções do BCP só pode ser energúmeno-de-gravatinha-pirosa. Ou 0,01%. Sim, tudo para o mesmo saco. E escusam de dizer que ah e tal, o esforço, a dedicação, o empreendedorismo, a inovação, a cueca, e tal, porque isso são conversas de tasca. Deviam era ter vergonha na cara e… enfim!
Os patrões da treta
Os patronatos que superintendem o patronato ao qual pertenço, vivem no caos. Acima do meu patronato, e hierarquicamente, temos o BLERK1, o BLERK2, e, no topo dos topos, o BLERK3. Uma sexta-feira, ao final da tarde, ligaram do BLERK1 lá para o meu patronato a dizer: ah e tal, os gajos do BLERK2 querem saber até ao final do dia de hoje umas informações, para fazerem um estudo. Quantas salas têm?, perguntaram. Agarrei num bloco de notas, apontei, contei e informei. Na sexta-feira seguinte, à mesma hora, voltam a ligar do BLERK1, porque ah e tal os gajos do BLERK2 querem saber umas informações para um estudo. Quantas salas têm? Olhe lá, eu há uma semana atrás já vos disse quantas salas temos! Ah sim? Deve ter falado com a minha colega. E, já agora, quantos funcionários têm? Ainda estive para lhe perguntar se estava a gozar comigo ou se ainda estávamos em 1985 ou se toda a estrutura acima da nossa estava no caos, mas desisti, pensando para comigo que a pessoa do outro lado do telefone devia ter pendurado o cérebro no cabide, junto com o casaco. Há uns meses, os palermas do BLERK3 (topo da hierarquia), mandaram para toda a rede, hierarquia abaixo, um e-mail com uma novidade importante, dando conhecimento de um procedimento a tomar com brevidade por todos os patronatos como o meu. Li o procedimento e fiquei a pensar se tinha sido enviado pela senhora que lava as escadas, a avaliar pelas dúvidas que o texto suscitava. Fui ao site, procurei o contacto, encontrei o telefone do respectivo centro de atendimento telefónico, liguei, questionei, coloquei as dúvidas, e veio a resposta: não temos conhecimento de nada disso… espere lá que vou perguntar ali ao meu superior… olhe… o meu superior também não sabe de nada disso… (camelos, camelos, camelos, todos eles).
Bang Bang
Era mesmo disso que precisava toda a cidade das tripas. Os seguranças todos (sem excepção), os tais da “noite”, trespassados a tiro, enrabados por gorilas peludos, chamuscados com maçaricos, pilas electrocutadas, testículos esmagados com tijolos, enfim, coisas assim. Eles, os seguranças, mais os donos dos estabelecimentos, os barmen (homens do bar, em português), as galdérias de passarinha-de-aluguer, os presidentes dos clubes, as namoradas e ex-namoradas e concubinas e esposas dos presidentes dos clubes, os arrumadores, os peçonhentos, os vadios, os drogados, as strippers, todos eles, abatidos, aleijados, estropiados, atirados ao rio com um calhau preso ao pescoço. pickwick