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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

07
Mai12

A boa vida das mulheres

pickwick

Ainda estou para aqui meio abananado com uma conversinha tida há poucos dias com uma conhecida, brasileira, rapariga para os seus trinta anos e mãe de filhos. Por acaso, e só mesmo por acaso, é muito jeitosa, mas isso agora nem interessa.

Não me recordo como é que a conversa chegou ao rumo que chegou, porque eu ia jurar que eram apenas dois dedos de conversa sobre banalidades, mas, subitamente, estávamos a falar de casamentos e namoricos e dinheiro.

 

Segundo ela, a função da mulher é gozar a boa vida que o marido ou o namorado se encarregaria de proporcionar. Mesmo nos casos em que a mulher trabalhe, compete ao marido ou namorado dar-lhe uma espécie de mesada, para que possa gozar a boa vida a que tem direito. Isto é, sapatos, roupas, joias, passeios, etc. Ainda lhe perguntei se isso não pareceria “pagamento de serviços”, mas ela não fez caso. Ao invés, marcou bem a sua posição: o dinheiro que ela ganhasse a trabalhar, serviria apenas para ela se divertir. As despesas com o dia-a-dia seriam por conta dos rendimentos do homem, o qual ainda teria que presenteá-la com a tal mesada.

 

Eu disse-lhe que, ah e tal, não costuma ser bem assim… o casal divide as despesas, os rendimentos, os bons momentos e os maus momentos, as aflições e os alívios, as tarefas domésticas e os jantares à luz das velas. E, certamente, o namorado não tem nada que dar regularmente dinheiro à namorada, só para que esta goze uma vidinha boa, qual princesa rameira.

 

 Partilhei com ela a minha sentida preocupação de que, numa situação assim, como descrito por ela, o homem resuma a sua vida a um estado permanente de escravidão, tudo fazendo e de tudo abdicando, só para alimentar o desejo voraz de uma vida boa, sempre às compras, sempre a divertir-se. Chutou para canto, claro.

 

Por fim, como que a encerrar a brilhante actuação de uma orquestra, deixou-me este comentário delicioso: ah… assim já sei porque você continua vivendo sozinho… não entende as mulheres mesmo… (com esta é que fiquei sem capacidade de mais argumentar, confesso)

 

Concluindo, é por estas e por outras, realmente, que continuo a viver sozinho, na paz e no sossego de uma muito saudável solidão. pickwick