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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2004
Inconsciências 6
Esta é a verdadeira inconsciência! Um gajo quando vai para a escola primária ainda está em processo procriação da consciência, a bem dizer. Antes, então, não passa de uma expectativa dos adultos que torcem por nós e pelo nosso futuro como médicos famosos e cheios de notas. Quando se anda ainda de fraldas, é a altura excelente para as barbaridades que nunca queremos que os nossos filhos saibam. Apanhei a minha primeira bebedeira com a bonita idade de ano e meio. Assim tipo dezoito meses. Por aí, segundo consta dos registos de memória da família. Local? Um bar qualquer em Moçambique, onde fazia muito calor. Dizem. Eu não me lembro de nada. Estava ao colinho da minha mãezinha, ao balcão. Como estava calor, a bela da imperial ajudava a abater o sofrimento. A minha mãezinha, que não era muito de beber, mas gostava de fazer coisas que ficassem bem aos olhos dos outros, tinha pedido uma imperial. Gostava mais de conversar com a colega ao lado do que propriamente beber cerveja. Copo cheio, portanto. Já naquela altura o meu estômago ansiava por tudo e mais qualquer coisa que mexesse, deitasse fumo, tivesse espuma ou borbulhasse. E ali, mesmo à minha frente, tinha uma combinação de duas. Espuma e borbulhas. A minha mãezinha ainda estranhou o copo vazio, mas como a conversa foi longa e a distracção ainda mais, não pensou mais no assunto. Até ao momento em que me meteu no chão e me largou. Aí, sim! Qual Fred Astaire?! A loucura total. Nem seguro pela mão! Imparável! Meses depois, o meu primeiro acidente de automóvel. Sóbrio, atenção! Sóbrio e ainda de fraldas. Era para ser uma brincadeirinha do meu paizinho. Meter-me ao volante do “Vauxhall Viva” branco da família, com uma almofada por baixo para poder ver (e ser filmado) para a frente e conduzir conscientemente. Bem, até hoje ainda não percebi como foi. Há umas filmagens de uma câmara Super 8, muito descontroladas, onde apareço eu ao volante, a olhar para a câmara, a rir-me a bandeiras despregadas. Completamente feliz, presumo. Com um chapéu à cóbói, se bem me lembro. O carro em andamento, numa pequena descida. De repente, entra em cena o meu paizinho, largado a correr, a tentar meter a mão dentro do carro e agarrar no volante ou não sei onde. Diz-se que foi a primeira árvore que apareceu logo à frente. Eu não sei. Não tenho culpa. O meu paizinho tapou-me a vista e não pude desviar o carro. pickwick
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publicado por riverfl0w às 22:56
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2004
Corto-te aqui as goelas...
A carcaça vermelha circulava na estrada, dobrando as curvas e as contra-curvas ao passo cadenciado das voltas do motor. Estava calor e não havia nenhum javali a fazer-se ao bife. Estamos em zona serrana, onde o bicho abunda. Apreciar-se a paisagem de carvalhos e pinheiros, enquanto os quilómetros são batidos, é o melhor para um final de dia a cheirar a início do fim. Precisamente à curva N do trajecto em causa, eis que, lançado de cima a baixo, surge um Fiat Punto a pisar o risco do equilíbrio. Os pneus chiam, a chaparia balança perigosamente para o lado de cá, e as fracções de segundo demoram aquela eternidade dos apaixonantes filmes em câmara lenta. Vira ou não vira? Vá lá, não havia gordura no asfalto e a coisa encarreirou dentro da via, para deleite do condutor que lá deve ter ficado a pensar que era o maior. O mongo! O resto da viagem até casa fi-lo a sonhar alto. Mas alto mesmo: falar sozinho, a rosnar e a ranger os dentes. O tema do sonho era “Corto-te aqui as goelas”. Passo a descrever o dito. O cenário era o mesmo descrito anteriormente. Com o carro e tal. Só que, o cor-de-rosa não fazia parte das cores permitidas. Antes pelo contrário, ou vice-versa, ou arroz de marisco, o certo é que a coisa não correu bem para o lado do mongo. Nem para o dele, nem para o meu. Desequilibradíssimo, já só em duas rodas e um quarto, as nádegas do Punto esbarram nas nádegas do meu poderoso, desfazendo o porte esbelto e elegante, projectando-se de seguida sobre os fumarolas que se me seguem. Pimba, vira, sacode, bate, gira e aterra, arrastando-se mais uns metros. Sangue, lata amolgada, gritos, gajas histéricas (esta é a pior parte, convenhamos), confusão, telefonemas, óleo, estresse, enfim... uma tourada! Atormentadíssimo com a amolgadelazita insignificante junto à roda esquerda traseira, passa-me uma ventania entre as narinas e o tornozelo e dirijo-me muito mal disposto para a bagageira. Abro-a, olho para o mongo lá ao longe a sair rastejando da sua lata, meio ensanguentado, e rosno a meio tom: “sacana...”. A fúria que me assalta leva-me, conscientemente, a tirar debaixo de uma manta a catana de desbastar o mato. O vermelho inunda-me o branco do globo ocular. À medida que avanço para o mongo, vou crispando com mais e mais força os dedos em redor do cabo da arma. O longe faz-se perto e, perante o olhar abismado de uns quantos, eis-me já em cima do anormalzinho que provocou todo aquele circo. A ele dói-lhe qualquer coisa, tadinho, mas a hora dos queixumes é só depois do jantar. Sentado em cima dele, um joelho em terra de cada lado, puxo-lhe para trás o cabelo abichanado e encosto a lâmina naquele pescoço... com força... com mais força... é o pânico... ele pensa que agora é que vai desta para melhor... o povo grita ainda mais, o histerismo das gajas torna-se deveras insuportável (que chatas, estas gajas!) e eu quase que parto os dentes (os meus) de tanto pressionar as mandíbulas em falso, para o som da minha conversa sair meio distorcido, um mix entre o sapateado do Fred Astaire e a rouquidão do Louis A., com um fiozinho de baba asquerosa a pingar pela beiça abaixo. Digo umas coisas lindas, faço promessas e elogio os passarinhos e as plantinhas, e fico ali longos minutos a prolongar o cenário macabro. O mongo já se borrou nas cuecas, as calças já estão ensopadas, chora e treme convulsivamente, e eu vacilo entre o espera e o não espeta. Que vontade! A raiva acumulada ao longo de horas, dias, semanas, meses e – especialmente - anos, mantém-se insistentemente no braço direito, travada apenas pela história dos detidos nas cadeias portuguesas que vão tomar banho e são obrigados a apanhar o sabonete, mesmo que só usem gel de banho. Só isso trava a vontade infinita de esfrangalhar as goelas àquele monte de esterco que me estragou a traseira do carro. Entretanto, já a conversa vai longa e me dói o joelho esquerdo de estar tanto tempo naquela posição, chego à minha terrinha. A monotonia do caminho quebra-se com as rotundas da moda e o sonho é interrompido para se dar atenção às prioridades e às passadeiras e às mulheres menos feias que circulam nos passeios. Entretanto, acho que a GNR e os bombeiros já iam a chegar. Quis pensar no que ia fazer quando chegassem, mas dou de caras com a minha rua, o meu prédio e o conforto acolhedor do meu lar. Que se lixem todos! Foi bom enquanto durou e agora o resto que fique para a sessão da meia-noite. Uns batem na parede, outros partem a porta do quarto. Ou a loiça. Outros sonham... e tudo porquê? Não sei bem, mas amanhã é outro dia e o que foi já não será. Felizmente! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:02
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