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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

17
Ago12

A banhos – parte 1

pickwick

Num dia de Julho como outro qualquer, fui esperar a Liliana à estação de comboio aqui da terriola, para cumprir com o prometido: um roteiro pelas praias fluviais da Serra da Estrela. Da última vez que fui esperar a Liliana a um transporte público, apareceu com uma mini-saia rodada muito leve, ao ponto de um gajo ficar com sérios problemas técnicos no maxilar inferior. A minha esperança sincera, agora, era que houvesse mais preocupação com o meu estado de saúde. E houve. A Liliana apareceu com uns calções curtos, mas adequados a um qualquer evento social para gente fina. Com uma camisinha com a mesma adequação, e um sapatinho de salto alto. Um pedacinho alto demais, que quase apanhei um torcicolo só de tentar olhá-la nos olhos, tal era a altura da coisa. Chamemos, a esta, a toilette nº1. Mais ou menos como a minha, sapatilha e calção de banho, portanto.

 

Depois de uma rápida vistoria à Lagoa Comprida, parámos na Torre, para a Liliana trocar a toilette nº1 pela toilette nº2, igualmente de calções, mas algo mais adaptado às agruras da montanha, e sem aquele salto alto desapropriado para saltitar de penedo em penedo. Descendo, um saltinho para descobrir que o Covão da Ametade estava votado ao vazio, com duas tendas apenas naquela imensidão de relva e sombras. Somos mesmo um país de palermas. Credo! Quase no fim do Vale Glaciar do Zêzere, como quem desce para Manteigas, chegámos ao primeiro destino para banhos. Um cantinho sossegado, com capacidade para meia dúzia de gatos pingados, completamente mergulhado na sombra da montanha com o aproximar do fim do dia. Como é costume, depois de avaliar a profundidade, a olho, atirei-me de cabeça para ver se finalmente morria com um choque térmico a sério. É que, se começar a molhar a perninha e o bracinho, desmoralizo tanto que já ninguém me mete dentro de água. É bom que se saiba que, mesmo no pino do verão, as águas que brotam do coração da serra vêm a uma temperatura muito baixinha, suficiente para refrescar adequadamente qualquer garrafinha de vinho verde.

 

Em poucas braçadas, meti-me quase na outra margem, em cima de uma laje de granito submersa, de modo a ficar com água abaixo dos joelhos. Um gajo é maluco, mas ainda não está disponível para criopreservação! Da margem de onde saí, a Liliana avançava corajosamente para a água, salpicando os braços como que a querer ambientar-se à temperatura agreste. De biquíni. Toilette nº3. Já tinha visto fotos dela com aquele biquíni, e tinha ideia que a coisa ficava muito bem composta. Mas, a bem da nação, fiz das tripas coração para não tirar medidas e limitar-me a olhar o infinito, até porque a paisagem circundante era brutal: as águas transparentes e puras do Zêzere, ladeadas por penhascos e vegetação. Não há nada como ter-se uma grande capacidade de auto-controlo. Uma miúda daquelas, com um corpinho perfeito, fibroso e desprovido de celulite, enfiada num biquíni, a meia dúzia de metros, e um gajo ali armado em geólogo e amante da natureza.

 

Enquanto me esforçava por apreciar os calhaus e demais natureza, a Liliana atirou-se à água, de mergulho, qual sereia fluvial. Suspirei de alívio, que assim já podia estar mais à vontade, sem aquelas linhas sensuais a entrarem-me sorrateiramente pelo canto do olho. Mas, como o destino é manhoso, a Liliana decidiu vir até junto de mim, para cima do penedo. Pelo canto do olho, vi o corpo deslizar debaixo de água, aqueles cabelos levados pelo atrito da água. Quis o infortúnio que ainda tivesse que lhe dar a mão, para a ajudar a equilibrar-se. O cérebro já estava em modo aceleradíssimo, eu a pensar que o melhor era atirar-me logo para a água para não sofrer mais os efeitos físicos daquela proximidade tão deliciosa, quando, nisto, a Liliana desequilibrou-se quatro milímetros e tocou-me ao de leve no braço para recuperar o equilíbrio. E vi a luz: homem de Deus – disse para comigo -, agarras-te já ao primeiro penedo de 20 kg a que conseguires deitar a mão, atiras-te para o fundo do rio com ele, e só sais de lá em Novembro, quando a temperatura for mais amena! Já! Já! Já!

 

Há homens que são uns fracos e eu reconheço que tenho as minhas fraquezas…

 

Na falta de penedos de 20 kg à mão, tive mesmo que regressar a nado até à margem e sair normalmente, como se nada se tivesse passado. Secámo-nos, a coisa acalmou, e poucos minutos depois estávamos a caminho do parque de campismo de Valhelhas, onde montámos a tenda para passar a noite. Sem sol, sem biquíni e com uma noite fresca a caminho, o futuro parecia sorrir-me. pickwick

10
Set11

Campismo – parte 2 – meloas

pickwick

Pondo de lado o saudosismo, o tradicionalismo, e outras coisas acabadas em “ismo”, convenhamos que há algumas sérias vantagens em se passar uns dias num parque de campismo com piscina incorporada. Por um lado, pode apreciar-se conveniente e detalhadamente uma longa série de biquínis e respectivos suportes. Por outro lado, também se pode apreciar esses biquínis e respectivos suportes. Basicamente, é isso.

 

Nas duas manhãs que passámos na piscina do parque, quase que deu para fazer amigas. Bom, pelo menos, a minha vista apurada fez meia dúzia de amigas.

 

Em particular, um grupinho engraçado de seis jovens adultos, assim como quem andam na universidade e tal: três rapazes e três raparigas.

 

Rapariga 1. Estilo “arrumava-te bem dentro da caixa da flauta transversal”. Quase que podia andar em topless que ninguém pensaria tratar-se de uma rapariga, tal era a planície. A leveza corporal dava-lhe margem de manobra para andar a saltitar por ali, conversando com uns e com outros, saltando para a água, apanhando sol. Mas, ainda assim, apetecível.

 

Rapariga 2. Estilo “cuidado que podes partir o biquíni de porcelana”. Imponente, boa figura, elegante,175 cm de altura, biquíni discreto embora com pouco tecido. Confesso que devo ter passado aproximadamente duas horas líquidas a consumir-lhe a pele do peito com a minha mira laser alojada debaixo da sobrancelha esquerda. Era daqueles peitos que dão gosto apreciar: majestosos, mas não tipo “bolas de Pilates”. Um peito sobre o qual eu dormiria a melhor das sestas num qualquer prado verdejante nos Alpes. Tímida, definitivamente. Molhar o corpo desde as unhas dos pés até aos joelhos, já era uma aventura com demasiada adrenalina. E pouco dada a sessões fotográficas indiscretas, não tendo apreciado a iniciativa do amigo de pele branco-farinha, quando este saltou para dentro da piscina de máquina fotográfica de rolo em punho, tentando fotografá-la sentada na escadinha metálica com água a meio das canelas.

 

Rapariga 3. Estilo “meu Deus, porque me obrigas a ver estas coisas sem poder tocar?”. Extremamente elegante, quase a cair para o magrinha (opinião do Zequinha, muito discutível). Abdominais perfeitos, notando-se à distância cada músculo. Peitos discretos, meia-laranja. Pele muito, mas muito bem bronzeada. E, o mais importante, interessante, e outras coisas acabadas em “ante”, umas nádegas deslumbrantes, duas perfeitas meloas bem tonificadas. Acresce, a favor do deslumbramento, o facto de a rapariga usar uma reduzidíssima cuequinha, quase que “apagada” do mapa de tão enfiada que estava entre as duas deliciosas meloas. Com muita frequência, esta endiabrada inclinava-se para cima dos amigos e das amigas deitados, virando as nádegas para a piscina. Não estavam reunidas condições para um gajo conseguir racionalizar o que quer que fosse. Devo ter passado umas quatro horas líquidas a degustar visualmente aquelas meloas. À custa disso, apanhei um escaldão na careca que ficou uma obra imprópria para consumo.

 

Posto isto, resta acrescentar que, em determinada altura, os rapazes e a rapariga 1, acharam que era boa ideia pegar na rapariga 3 e atirá-la para dentro da piscina. A esta empreitada, a rapariga 3 opôs-se ferozmente, debatendo-se com unhas e dentes, muito valorosamente, para gáudio dos bons apreciadores de uma cena de pancadaria amigável. Realmente, aquele corpinho elegante e musculado certamente devia muito ao desenvolvimento de uma qualquer actividade desportiva de nível competitivo. A determinada altura, no emaranhado de braços e pernas e empurrões e puxões e muita risota, a rapariga 3 começou a perder a compostura da parte de cima do biquíni, facto que se evidenciou pelo contraste de cor entre a pele bronzeada do tronco e a pele branquinha dos seios. A ondulação habitual da piscina desapareceu subitamente, tal era a atenção com que os muitos utentes masculinos observavam o desenrolar dos acontecimentos.

 

Com grande pena minha, não tentaram a mesma sorte com a rapariga 2. O que, a bem dizer, até foi bom, porque, se calhasse a dar luta também, podia acontecer-lhe o mesmo deslize com a parte de cima do biquíni, e, aí, garanto que não conseguiria manter qualquer traço de serenidade. Provavelmente, passava-me uma coisa ruim pela mioleira e começava a bater palmas e a uivar ruidosamente, assim numa espécie de foca-lobo num qualquer show erótico de um parque aquático. pickwick