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Domingo, 30 de Setembro de 2007
Sinais do Céu
Cheguei há minutos de uma viagem a uma terra distante, à beira da grandiosa cidade de Guimarães. Fui encontrar-me com amigos de uma associação suspeita de cujo nome prefiro não dar conta em público. Os pontos seguintes pretendem ser um relato sumário da viagem e dos sinais que recebi, obviamente vindos lá de cima.
 
1. De peso
Estávamos quatro, já na recta final do convívio, assim lá para os lados das despedidas, sendo que um era da terra e os outros três eram do estrangeiro, um dos quais moi-même. A propósito da vinda de longe, e fazendo os três estrangeiros parte da Direcção composta por quatro pessoas pelo que um estava ausente, comentei eu para o da terra: ah e tal, isto a Direcção está cá representada em peso. Sorri. É um facto, sempre são setenta e cinco por cento, pensei. Responde o gajo da terra: bem, você e o Jorge são, de facto, de peso. Olhei para a barriga gigantesca do Jorge. Sorri para o gajo. Apeteceu-me partir-lhe o crânio e fritar-lhe as tripas com óleo de palma. Seja como for, foi um sinal claro de que estou a bater bem fundo. Sinal de que está na hora de repensar a forma de vida e a forma de comer. Eu bem que tinha reparado que o cinto estava excessivamente apertado, mas pensei que fosse da chuva.
 
2. Imorredouro
No discurso solene do Miguel, aprendi mais uma palavra. Pensei que o homem se tinha enganado, sabe-se lá, embora seja reconhecida a sua cultura e sabedoria. Ah e tal, imorredouro. Deve ser uma pessoa que não morre a atravessar o Douro a nado, mas que morre naturalmente sentado numa cadeira, ou esticado num lençol. Cheguei a casa e tirei as dúvidas. É tipo imortal. Pronto. O que nunca morre. Sinal claro de que o meu vocabulário está cada vez mais adaptado à vida dos transportadores de baldes de massa. Se calhar, devia era parar de escrever e começar a ler, para aprender qualquer coisinha.
 
3. Alto ao trombone
O norte ainda mantém tradições muito católicas. Uma delas, curiosamente, é a ida à missa. Curiosamente, esta missa tinha fanfarra. Quer-se dizer, tinha uns fulanos a tocar trombone. Ou cornetim. Ou clarim. Ou trompeta. Não sei. Pareciam os corneteiros na tropa a sacudir os cobertores ao raiar da manhã. Estes, que estavam na missa, não estiveram à altura do acontecimento. A dado momento, começam a tocar no trombone como se fosse dar entrada na sala um pelotão de mulheres todas boas e todas nuas, facto que necessitaria de todas as honras e atenções. O senhor padre, visivelmente chateado, mandou-os calar o trombone, que ainda não era altura de soprar. Foi um sinal. Um sinal de que não é bom seguir uma carreira de tocador de trombone em missas a norte do rio Douro.
 
4. Na mesa com os presidentes e a decotada
Ao almoço, num salão com cerca de cem pessoas a desunharem-se para encher o bandulho com lombo de porco e vinho minhoto de qualidade magnífica, fiquei sentado numa mesa com altas personalidades. É o que dá um gajo fazer de conta que é da Direcção de uma associação qualquer. Era o patrão não sei de onde, era o presidente de não sei o quê, era o senhor padre de não sei que mais, o presidente da junta de freguesia da coisa de ali perto, e até o presidente da Câmara Municipal de Guimarães se sentou à mesa. Eu não gosto nada destas coisas. Um gajo nem pode comer à vontade, intimidado com tantas personalidades. Enfim. Mas, é óbvio que esta situação representa um sinal concreto de que estou a subir na vida. Há dez anos atrás, o máximo que eu conseguiria era um lugar no banco corrido onde se sentava o vogal da direcção da associação dos amigos da porcalhota. Para quebrar o gelo, a esposa do presidente de coiso e tal estava presente, uns vinte anos mais nova que o digníssimo, com um vestido de quem está num casamento e um decote de quem levou uma tesourada de um tarado qualquer. Lingerie preta e rendada, já que tanto insistem em saber.
 
5. Até quase estoirar
O almoço foi mesmo quase até estoirar. Ao ponto de ficar com dores estomacais, embora não tantas que me pudessem privar de terminar o repasto animalesco com um prato cheio de sobremesas gostosas e nada saudáveis. Sinal? Bom, sinal de que, qualquer dia, um descuido gastronómico vai fazer estoirar-me o estômago, espalhando nacos de carne e batata espapaçada pelos convivas ou clientes que tenham a infelicidade de estar em redor. 
 
6. Associação errada
Agora que relembro o almoço e o resto do dia, que, diga-se em abono da verdade, foi um dia muito bem passado, contabilizo o género dos convivas presentes. É de choque. A esmagadora maioria eram gajos fora de prazo, poucos ainda no prazo, e alguns que já foram reencarnados neles próprios. Em número reduzido, gajas fora de prazo, outras mais ou menos fora de prazo, e outras que borrifadas de cima a baixo com silicone. Só escapava, em mais de cem pessoas, a madame que se sentou na minha mesa. Como é de esperar, isto é um sinal inequívoco de que estou na associação errada. Há que trocar a nostalgia por erotismo. Sessenta por vinte. Rugas por mini-saias. Peitos peludos e devolutos por majestosos e sugestivos pares de maminhas. pickwick
publicado por pickwick às 23:41
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
Mas que tédio de vida - 1

Findos estes dias todos sem debitar uma letra, chego à iluminada conclusão de que esta minha vida é um tédio. Mortal. Vou tentar descrever o dia-a-dia aborrecido que me tem preenchido ultimamente.

 

1. Pela boca se apanha o peixe

Na quarta-feira passada, dois amigos convidaram-me para jantar. Um era de longe e veio visitar o que era de perto. Fomos a um restaurante que, do lado de fora, parecia uma espelunca para velhotes que se ensopam em tinto e bagaço antes das dez da manhã. Por dentro, era um muito típico restaurante, todo forrado a lascas de madeira, com as paredes cobertas de fotografias de personalidades da vida pública que já lá tinha tomado uma refeição e posado para a câmara na companhia do dono. Eusébio, e mais uma série deles que o Alzheimer não me deixa recordar. Comemos carne, pois então, e um dos dois amigos fez questão de pagar o jantar, até porque estávamos na cidade dele. Findo o manjar, e assim que mulheres e crianças se puseram ao fresco, passaram ao ataque. Ah e tal, vamos fazer uma lista para as próximas eleições para a direcção da AAE (AAE é o nome de código de uma associação), com quatro pessoas, queremos que sejas uma delas, porque és mesmo aquilo que precisamos, e ah e tal. Eu desmancho-me em desculpas, porque já estou metido em tanta coisa que nem tenho tempo para dar conveniente uso a todos os meus órgãos (disse por outras palavras, mas a ideia era esta), e isso vai dar muito trabalho, e depois não consigo tocar os burros todos, e ah e tal. Eu já desconfiava que ia ser entalado, mas tinha esperanças de escapar com o rol de desculpas que estou acostumado a desfiar. Para mais, já sou presidente de outra associação (não, não é da AAOGB, Associação de Apreciadores e Observadores de Gajas Boas, mas não é muito melhor), e um gajo tem mais que fazer do que andar a coleccionar posições em que não faz mais nada do que ser o preto para todo serviço. Ah e tal, diziam eles, ficavas com o pelouro da Comunicação e Imagem. Pensava eu para mim: comunicar com gajas é fácil, é só acenar o bijutarias e é tê-las a ronronar aos pés; imagem é bem, elas ficam bem de mini-saia, não demasiado ordinárias, e tal. Como não estavam a ter muito sucesso com a abordagem, levantámos arraias e mudámo-nos para a luxuosa casa de um deles, nomeadamente para a cave, com bar, sofás, aquecimento, etc. Estratégia seguinte: impingir-me digestivos e contarem-me anedotas até eu não aguentar mais e dizer que sim à proposta deles. Bem, muitas anedotas! E eu que nunca os tinha visto naqueles preparos, dois homens de família, um deles já com sessenta anos, empresários, a matarem-se à gargalhada com anedotas sobre gajos que não têm bigode e metem-se com uma gaja e vêm de lá com bigode, sobre leões, eu sei lá. Aliás, foi um excesso de anedotas sobre leões. Um abuso! Até uma sobre um dia na selva em que os animais decidiram juntar-se e fazer uma orgia inter-racial, diversificada, tendo corrido muito mal ao macaco que ficou com a girafa, a qual lhe exigia beijinhos alternados nas entre-nádegas e nos beiços. Foi até quase às duas da madrugada, nisto. Ah e tal, e tu não contas nenhuma?, perguntavam eles, a chorarem de tanto rir. Eu não, dizia eu, nos últimos anos não tenho convivido com ninguém que contasse anedotas. Mantive-me firme e hirto, partilhando as gargalhadas, mas mantendo a postura. Sou um gajo sério, como é sabido. Por fim, cansados, deixaram-me ir embora, com a promessa de me ligarem depois do fim-de-semana, em jeito de ultimado.

 

2. Fui enganado com o peixe assado

Na sexta-feira, como combinado, às 21h00 estava plantado à porta do restaurante “O Telheiro”, em Coimbra, para um jantar de trabalho com dois amigos. Outros. O Miguel e o António. A ideia foi do António, que é de Coimbra, e que tinha já a mesa marcada. Para nossa surpresa, o jantar não era a três, como combinado, mas era a sete, sendo que os outros quatro eram perfeitos desconhecidos para mim e para o Miguel. Enquanto esperávamos na rua que a nossa mesa ficasse vazia, chegou um desses quatro e começou a oferecer espalhafatosamente pacotes de preservativos, já com ar de quem vinha com mais de 0,5 no sangue, bigode farfalhudo, em mangas de camisa, com uma barriga do tamanho das Berlengas. Era o sinal claro de que ia ser um jantar mesmo de trabalho. Já à mesa, descobrimos que o prato estava escolhido previamente. Por um lado, foi bom, porque, depois de sentar, veio para a mesa em menos de cinco minutos. Por outro lado, aqueles anormais pediram peixe assado, em vez de pedirem carne suculenta, como toda a gente honesta que vai ao restaurante! Sacanas de um raio! Até me saltaram as tampas dos olhos com tamanha afronta! Um tabuleiro de alumínio do tamanho do Terreiro do Paço, com um peixe enorme, coitado, esquartejado, assado, rodeado por meia dúzia de batatas. E eu, que tinha feito a viagem toda a lamber os beiços com a imagem de um bom bife de novilho ou uns abundantes nacos de carne. É como levar uma facada nas costas, se é que me faço entender. A única coisa que se aproveitou foram as sobremesas, que vieram umas cinco ou seis diferentes, e das quais me fartei de comer. Não houve ambiente sereno para conversar, para reunir, para tomar decisões, para escrever. Enfim, foi uma tanga! O restaurante está sempre cheio de gente, mas mesmo, mesmo, mesmo cheio, sempre com dezenas de pessoas à espera de mesa, espalhadas pelo espaço minúsculo que sobra, ou pelas escadas, e não se percebe para quê tanta parvoíce junta. É, afinal, um restaurantezeco um bocado para o rasca, a bem dizer, em todos os sentidos, mas isto é como na televisão e na vida: o povo não procura qualidade, antes prefere uma parvoíce qualquer a que se agarrar. E as gentes de Coimbra agarram-se ao “Telheiro”. Eu sempre achei o pessoal de Coimbra assim um bocado limitado, mas agora tenho a certeza. Chiça! Além do mais, e para que conste, as clientes deste restaurante deixam muito a desejar! Nem deu para encher o olho. E a minha cabeça parecia um periscópio bem lubrificado num qualquer submarino em plena Segunda Guerra Mundial. O que vale é que, bem depois, e já com a conversa toda em dia, fui até Aveiro, fazer uma visitinha a um amigalhaço, assar uma chouriça, beber umas coisas saudáveis e ver um filme da Pantera Cor-de-rosa até às cinco da manhã. Como diria o poeta: a chouriça assada e as bejecas salvaram a noite e mataram a fome! pickwick

publicado por pickwick às 15:32
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