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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004
Um dia no paraíso
Ela é loira, espampanante, linda de morrer, boa como o milho e como a broa, vestida da maneira mais sexy que se possa imaginar. A luxuosa limousine passa veloz entre o trânsito, a caminho do restaurante à beira-mar, com vista para a marina cheia de iates e barcos de recreio. Antes da refeição, um mergulho na piscina privativa e requintada do restaurante, para abrir o apetite. Almoçam-se lagostas, engole-se caviar descontraidamente, o champanhe de oitenta euros borbulha nos copos, os empregados deambulam à nossa volta para que não nos falte nada, as iguarias a preços exorbitantes sucedem-se umas às outras. Vêm as sobremesas, coisas nunca antes vistas, numa diversidade impressionante de sabores e arte. Sai-se do restaurante e desce-se para a marina. No bolso já salta a chave no barco de recreio onde passaremos as próximas horas. Um barco grande, veloz e com muitos extras. Parte-se em direcção ao horizonte, ela despe o vestido curto, ficando-lhe sobre a pele bronzeada e muito cuidada aquele biquini minúsculo e provocante. Passam-se praias e rochedos, ultrapassam-se gaivotas e golfinhos, ao longe avistam-se umas ilhas. Aproximam-se. Aparecem coqueiros, praias desertas, areias sem fim. Abrimos a arca frigorífica e tiramos o repasto que fará o lanche: camarões, vinho verde e gelado de manga. Suspira-se. Afinal de contas, isto é um verdadeiro dia no paraíso. Mas, eu sou um gajo de gostos simples. Um programa destes era tédio garantido. Do que eu gostava mesmo, mas mesmo, mesmo, mesmo, era de ir até um local sossegado. Na companhia de quem me faz feliz e me consegue arrancar um sorriso quando estou mais carrancudo. Um local sossegado, pode ser à beira de um rio de águas límpidas, à sombra de algumas árvores, sem ninguém. Apenas nós os dois. E um guarda-rios muito azul que debica no leito do rio em busca do almoço. Um mergulho num rio destes vale um milhão de praias. Não é preciso ser loira, nem usar biquini tanga. Basta ser ela! E haverá algo mais romântico do que um piquenique aqui? Não me parece! Para a ementa, não haja requinte! Sandes mistas, rissóis, salada e tigeladas. Água serve muito bem para acompanhar. E depois, francamente… um barco de recreio? Mas haverá algo melhor que dormir uma sestinha ao colo da mulher por quem estamos de beicinho caído e que nos adormece entre um olhar, um sorriso e muitas carícias? Ou tentar dormir… porque se tem sempre receio de adormecer e perder minutos daquele cenário tão transbordante. E passar umas horas com ela nos meus braços, conversando, escutando ora a sua voz, ora o passar do vento entre as árvores, ora o seu riso alegre, ora as águas do rio entre as pedras. E também há lanche, atenção! O resto das sandes, do fiambre, do queijo, dos rissóis, uma fruta. Um passeio, atravessar uma ponte sobre o rio, ver uma cobra-de-água a caçar um peixe, ver muitas árvores, olhá-la de soslaio e pensar o quanto estou bem ali na sua companhia. Enfim… Como é que era mesmo o título deste post? “Um dia no paraíso”? Exactamente! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:18
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2004
Esta noite fui assediado pela Bárbara Guimarães

Hoje dei por mim a aconselhar um amigo meu. O tema era, (inevitavelmente, como diria o pickwick), gajas. E a verdade é que fiquei surpreendido com o que ia dizendo:
Ora, há a fase dos interesses comuns, em que as conversas giram em torno disso, ao mesmo tempo que se vão alargando os horizontes - introduzi eu, com aquele ar de sábio social tresloucado. Depois, chega a parte do cafezito, que complementa a fase anterior. Quem diz café, diz ópera, diz Scooby Doo ou mesmo um serão a observar o comportamento dos gansos patola no seu habitat natural. Aí, consoante fores vendo o teu espaço de manobra, atacas. Falas primeiro sobre o assunto, indirecta ou directamente, ou simplesmente atacas. Como achares melhor - rematei.
"Grande táctica, vais abrir uma agência de casamentos?" - perguntou, naif.
Não, isto é flirt, puro divertimento social. Toda a gente sabe os passos, mas a piada é jogar o jogo da sedução. Tal como na esgrima... tens de avançar e recuar, estudando os movimentos do teu adversário - qual comentador da RTP a comentar uma partida olímpica de florete. Depois há estratégias, claro. Basta seres tu próprio, e usares uma boa dose de boa disposição e romantismo. Talvez ajude um pouco de estilo self made cliché, "Até um esquilo conseguiria perceber como és bonita... e os esquilos vêem mal ao perto!" ou até, numa fase mais avançada...

Aviso: Todos os menores de 18 anos devem carregar neste preciso momento na combinação de teclas Alt+F4. Obrigado.

"Arrefinfava-te até teres o útero encostado à garganta." (para os menos esclarecidos, é obvio que nunca usaria esta frase, a menos que tentasse engatar uma ninfomaníaca. Pouco provável.)

E é nestas alturas que vida nos passa à frente... os namoricos da primária, de mãos dadas, inocentes; o primeiro beijo, a medo, atrapalhado, numa garagem, ao som de Savage Garden; a primeira paixão, por uma rapariga mais velha, onde sempre ia arrancando uns beijos, fugazes, mas bem saborosos; a irreverência do ciclo e a indecisão própria da idade; os primeiros namoros a sério, ainda que curtos; a alemã de Taizé, entre tantos outros flirts de ocasião, que gostou tanto ou tão pouco de mim que me deu morada e número de telefone errados; os flirts de férias, em que era urgente aproveitar o tempo; outro namoro, data de outras tantas aventuras, muito bons momentos a dois; e finalmente uma história acabada, ou talvez por acabar.... porque mesmo quando estamos parados, o Mundo continua a girar. (Que lindo!)
E sabe tão bem, o gosto de um beijo. riverfl0w

PS: O título serviu apenas para que lessem o post até ao fim. Espero que não se zanguem.

publicado por riverfl0w às 03:00
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Mr. Pickwick
Charles Dickens dispensa apresentações. É um famosíssimo escritor do século XIX. A sua primeira obra, publicada por partes, entre 1836 e 1837, chamava-se “The Posthumous Papers of the Pickwick Club”, ou, mais simplificadamente, “The Pickwick Papers”. Tinha o homem vinte e cinco anos. A obra versava sobre as aventuras e actividades do ingénuo Samuel Pickwick e dos seus amigos no “Pickwick Club”. Mr Pickwick era o fundador e presidente do clube, um antigo comerciante e cientista amador convicto. Os inseparáveis amigos incluíam Sam Weller, seu companheiro de maior confiança, o desportista Winkle, o poeta Snodgrass e o mulherengo Tracy Tupman. Foi a rampa de lançamento do sucesso de Dickens. Mais de século e meio depois, existem bares e pubs espalhados pelo mundo que recorreram a esta obra e a este personagem para darem o nome a si próprios. “Pickwick Pub”, “Pickwick Bar”, “Pickwick Cafe”, “Pickwick Restaurant”, “Pickwick Saloon”, “Pickwick Bowling” e até um verdadeiro “Pickwick Club”. No Estoril, em tempos, ali numa rua a modos que nas traseiras dos bombeiros, havia um “Pickwick Pub”. Lembro-me de passar por lá e ver a placa, muito “british”, muito século XIX. Andava eu no 8º ano. E enfim, agora que se esgotou o passeio pela cultura e pela rede de restauração e consumo de bebidas alcoólicas, acho que está na hora de revelar a verdadeira e humilhante origem deste pseudónimo com que assino as barbaridades que por aqui se escrevem. A culpa é de uma miúda. Só podia ser. Chamava-se Rita e fiquei perdido de amores por ela mal entrou para a minha escola e a topei. Estava numa turma um ano atrás de mim, mas era da minha altura. Reconheço que não era assim muito bem feita, mas o amor tem destas coisas misteriosas. Foi paixão para durar um ano inteiro. Mais precisamente até às férias do verão. Corria o boato na escola que namorávamos, mas não passava mesmo de um boato. Faltava só mesmo eu declarar-me e espetar-lhe um beijo naqueles lábios muito carnudos. Ora, como eu não era capaz de me decidir qual das duas tarefas era a mais difícil, andei a engonhar o tempo todo, até ao verão. Até ela achar que eu não gostava de gajas, talvez, ou dela, e se fartar de esperar. Ou seja, grande tanso! Enfim, seja como for que foi, esta miúda marcou de alguma forma a minha adolescência inicial. Era uma miúda porreira, muito simpática, muito querida, muito atenciosa. Não é que falássemos muito, que vivêssemos juntos aventuras, mas quem sabe o que é o amor platónico correspondido, sabe do que falo. Aqui há cerca de uns 4 anos cruzei-me com ela num centro comercial em Oeiras. Era ela de certeza. Reconheceu-me ao longe. Já tinham passado quase duas décadas, mas o olhar foi exactamente o mesmo que nos corredores da escola, as sobrancelhas carregadas, olhar penetrante. Por momentos senti-me tentado a ir ter com ela, mas o namorado ou marido estava junto e podia não achar muita piada. Além do mais, eu estava trajado com o mais reles fato de treino que se possa imaginar, ténis rotos, sujo de andar a mexer em teias de aranha, folhas de bananeira e caixotes cheios de pó. Foi bom vê-la. Não matou a saudade, porque não havia, mas satisfez alguma curiosidade adormecida. Chamava-se Rita e era uma miúda porreira. Se calhar já disse isto. Bom, a Rita, que era uma miúda fixe de quem eu gostava muito, desde o início do ano que me chamava Pickwick. A moda pegou e muita malta não sabia o meu nome. Apenas me tratavam por Pickwick. Até era giro. As amigas dela, então, achavam uma graça imensa. Ficava bem, achava eu. A alcunha ainda a usei durante muitos anos, até mesmo depois de já poder votar. A primeira vez que passei pelo tal bar, fiquei a saber de onde vinha o nome Pickwick. Não percebi muito bem porquê, o que é que eu tinha a ver, mas o amor tem destas coisas. Pensava eu. Ingénuo!!!... Bom, não sei se já disse, mas a miúda chamava-se Rita e eu gostava muito dela. Era muito simpática. Eu engraçava com ela. Certo dia, lá mais para o final do ano, trouxe para a escola uma fotografia do cão dela, para me mostrar. Era um “salsicha”, daqueles “rodinhas-baixas” mal jeitosos com pernas de rã e focinho de canudo com orelhas abelhudas ao pendurão. Fiz um sorriso condescendente, para ela ficar feliz, mas a verdade é que aquele tipo de cão não devia existir. Claro que não lhe disse isso, ou lá se ia o amor platónico pelos ares. Ela ficou satisfeita com o meu sorriso e virou a fotografia para que eu soubesse o nome daquele animal feioso que lhe nutria tanta ternura. Foi o choque do ano! Sim! Era este mesmo: pickwick.
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publicado por riverfl0w às 00:55
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Domingo, 5 de Setembro de 2004
Virtual pleasure – The Princess
Numa noite recente, estava eu aqui sem nada para fazer, ou pelo menos sem vontade de pegar no muito que tinha para fazer, quando descobri na Internet um site que vinha mesmo a calhar para essa noite tão solitária. Era em www.virtualpleasure.com e não é preciso explicar mais. Ou é? Havia vários programas para ocupar a noite com algo que nos desse um prazer para além do real. Bastava termos os olhos bem abertos, um microfone e uns auscultadores (colunas de som não convinha, por causa da vizinhança). Entre todos os programas disponíveis, houve um que me atraiu, não sei bem porquê. Deve ser por andar meio lamechas, ultimamente. Chamava-se “The Princess” e não hesitei muito em o escolher. Isto ia meter uma princesa, obviamente. Já era quase meia-noite, portanto, uma belíssima hora para uma coisa destas. Depois que cliquei no botãozinho que dizia “Go and be happy”, os acontecimentos sucederam-se a uma velocidade que ainda agora não consigo definir se era lenta, normal ou demasiado rápida. Ora bem, vamos lá a contar a coisa. A história, resumidamente, era um cavaleiro que faria uma viagem até um castelo longínquo, “roubaria” a princesa ali mantida prisioneira, levá-la-ia para uma cabana algures no isolamento de uma floresta, passaria a noite com ela, e, no dia seguinte, devolvê-la-ia ao castelo mesmo a tempo de alguém dar pela sua falta. Estas estórias modernas, realmente, não são como as de antigamente. Dantes, a princesa não voltava a ser prisioneira, ora bolas. O cavaleiro levava-a e pronto, eram felizes para sempre. Enfim. Modernices!... Adiante. Aquele site deve ter muitas visitas. Ó pá! A parte da viagem, que não interessava para nada, demorou quase uma hora. Irritante! Depois, o site foi abaixo logo na altura em que chegava ao castelo. Era suposto meter a princesa na garupa do cavalo e zarpar para a cabana na floresta, mas o que é certo é que ainda tive de gramar ali quase hora e meia à espera que metessem o site a funcionar novamente. Já estava a dar em doido. Ainda reiniciei o pc a pensar que o problema seria daqui, mas não, era mesmo deles. Assim que o site retomou a actividade, apareceu a princesa. Bem, um luxo. O site tem umas opções para se escolher a figura da princesa, assim bastante sofisticadas. Com jeito, consegui fazer uma montagem que ficou igualzinha à rapariga que eu mais desejava que fosse a minha princesa nessa noite. Impecável! A parte do corpo é que foi mais engraçado. Os gajos aí só tinham uma opção. Nem havia hipótese de escolha. Era corpo perfeito e mais nada. Isto não é bom, porque há muito gajo que prefere miúdas com mais de 150kg, e assim nem participa, tal é a desilusão. Mas, no meu caso, assentou que nem uma luva. Um corpo perfeito é o que tem a rapariga que eu desejava que fosse a minha princesa nessa noite. Assim, de alto a baixo, ficou igualzinho. Cinco estrelas. Viva a tecnologia! Na garupa do meu cavalo, linda de morrer, ia a princesa. Mais uma seca de viagem por montes, vales e florestas, até à cabana. Tenho de mandar um e-mail para ver se eles encurtam essa parte, que não tem piada nenhuma. Já na cabana, notava-se logo uma falhas. Não havia lareira. A sorte é que não estava frio. Também não havia uma cama! Ao menos um sofá, poxa! Mas nem isso! Estenderam-se umas mantas no chão e já fomos com sorte. A partir daí, uma vela iluminou-nos até se apagar, e a noite não foi noite, mas sim horas e horas de… de… enfim… Eu nem tenho palavras… Inexplicável. Também não vou entrar em detalhes. Mas foi… Eu sei lá!... Podia ficar assim dias seguidos! Um gajo não se farta! Nunca, quando estamos com a rapariga com quem mais gostamos de estar, a nossa princesa deste sonho que é a vida. O único atrofio era um relógio daqueles antigos que fazem ding-dong-ding e dão as badaladas de hora a hora, e às meias horas fazem ding. Ou dong. Sacana do relógio! A manhã nasceu cedo e o sol penetrou por entre as fisgas da janela. Diz-se que, se queremos saber se uma mulher é realmente bonita, o teste infalível é ao acordar. Se for mesmo bonita, acorda igualmente bonita, senão, é uma farsa. E esta? Estava perfeita! Eu se não estivesse já irremediavelmente apaixonado, era ali mesmo que o ficava. Princesa que é princesa, toma o pequeno-almoço na cama. E um cavaleiro nunca nega os direitos a quem de direito, daí que lhe fui levar o dito à “cama”. E o dito era, dentro das limitadíssimas opções disponíveis no site, duas rodelinhas de ananás e um copo de sumo de alperce. É lindo levar o pequeno-almoço à cama, a uma princesa, mesmo que seja de ementa limitada. Conta a intenção e o gesto, e, princesa que é princesa, sabe disso. Mais tarde, fiz-lhe um almocinho ligeiro e levei-a de volta ao castelo, mesmo a tempo de as gentes aparecerem para mais um dia entre muralhas. Sobra, agora, a recordação. Parece que ainda sinto os seus lábios nos meus, nas mordiscadelas provocadoras, o toque naquela pele macia, o abraço contínuo, e a insubstituível companhia. É escusado ir ao site agora, pois está em baixo. Pode ser que qualquer dia o voltem a meter online. Espero que sim. Quanto a ti, minha princesa virtual, seja o perpetuar dos meus beijos e do calor do meu abraço o preenchimento dos teus sonhos passados e futuros. pickwick
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publicado por riverfl0w às 17:38
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2004
On the rocks
Eu devia cobrar qualquer coisinha aos tipos. Os da tal empresa de viagens. Daqui a nada parece que não faço outra coisa senão falar das viagens que eles organizam. Depois mando-lhes um mail a perguntar como é que é, se não fazem um desconto por causa de lhes fazer publicidade de borla. Não se perde nada em tentar. Ora essa! Bem, recém regressado de mais uma viagem organizada por eles, eis-me completamente fascinado. Continuo a insistir no profissionalismo daqueles fulanos, sem margem sequer para dúvidas. A viagem era bem diferente do habitual. Nada de extravagâncias nem de longas distâncias. Apenas uma subida a um pico rochoso, do cimo do qual se proporcionava uma calma impressionante. Eu acho que eles não me injectaram com nenhuma droga, mas o facto é que me senti como que drogado, a partir do momento em que me sentei lá no cimo. Mais uma vez, o programa contemplava o acompanhamento feito por uma sereia. E, como não podia deixar de ser, era uma sereia sem rabo de peixe e igualzinha à pessoa com quem eu gostaria de me sentar no cimo de uma montanha. Eu nem reparei quanto tempo foi que estive lá em cima, mas seguramente quase duas horas. De ouro! A sereia, sorridente e irradiando felicidade, acedeu ao acanhado convite para que se deitasse no meu colo. Segurei-a nos braços, tentando que fosse com a mesma suavidade com que se segura um bebé, tornando este gesto num abraço permanente. Aí, pronto, desapareceu tudo. Desapareceram as árvores, desapareceram os rios lá em baixo, desapareceu o resto da montanha, e apenas ficaram algumas nuvens dispersas na imensidão do horizonte. Ficámos, assim, como que a pairar sobre nada e ao mesmo tempo sobre tudo. Não havendo mais nada a mirar, sobrou o rosto da sereia. Lindo! Os gajos sabem o que fazem. Era tal e qual, sem tirar nem pôr, o rosto da pessoa que eu mais queria abraçar até sempre. Desconfiado, ou apenas disfarçando, passei-lhe os dedos pelo rosto, vezes sem conta, em busca de algo que me esclarecesse se era um sonho, realidade, ou ficção. Nada. Era tudo tão real que até me custava a acreditar. Real, e por isso mesmo contrastante com a alienação que sentia em relação ao resto do mundo à nossa volta. Uma confusão de sentidos, apenas atenuada pela calma reinante e pelo prazer que o momento me trazia. Mas, como em qualquer cartão de telefone, chega a altura em que o saldo dá o último suspiro. E assim se acabou a viagem. Depois que os rios, as árvores e o resto da montanha reapareceram, e dela descemos, a sereia transformou-se numa doce recordação, gravada na minha memória como o fogo na madeira. Já de regresso a casa, descobri o bónus desta viagem: os meus braços cheiravam à sereia. Mais fantástico ainda, o cheiro era igualzinho ao da pessoa de quem eu tenho mais saudades. Ainda não percebi qual é o truque dos gajos, para conseguirem estas proezas, mas que se lixe. É aproveitar! Quilómetro sim, quilómetro não, erguia ora um, ora outro, os braços até às narinas, aspirando num prazer supremo aquele perfume enlouquecedor. E já decidi: não me lavo durante uma semana! Peço desculpa a quem tiver que conviver mais de perto comigo, mas não me lavo mesmo. É até o cheiro desaparecer, ou a saudade morrer. E esta saudade, só se mata de uma maneira. pickwick
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2004
The orbit tour
Soube agora de uma coisa fantástica. Aquela empresa que organiza viagens às nuvens, afinal também faz programas mais para longe. E como é que eu soube disso? Foi por acaso. Conheci um par de pombinhos completamente loucos um pelo outro que foram numa dessas viagens: o Johnny e a Ana Filipa. Aquilo parece que foi o máximo. Não entraram assim em muitos pormenores, o que, aliás, é compreensível… devem ter sido assim uns momentos íntimos e tal e não iam estar ali a contar isso tudo, não é? Mas deu para ter uma ideia, avaliando apenas o estado de euforia e a cumplicidade transbordante dos dois, assim como que no limiar da loucura. Quanto à viagem em si, o trenó voador fazia escala nas nuvens, que já é um programa de sucesso. Depois do almoço em mais um daqueles restaurantes com uma paisagem invulgarmente bonita, seguem-se uns momentos de maior estresse, para disparar por aí acima até entrar em órbita. Não deve ser fácil, digo eu. O coração deve acelerar muito mais que o normal, com uns soluços pelo meio, e nem os mais serenos conseguem evitar uns pingos bem grandes de emoção. Aposto como há sempre quem duvide que o trenó chegue ao destino, vá dar meia volta e regressar, por causa dos ventos ou de sei lá mais o quê. Entrados em órbita, bom, a malta bem que vê umas imagens na TV, dos astronautas lá em cima a observar cá em baixo a nossa terrinha, mas pelo que este par de pombinhos deu a entender, isso é apenas uma migalha do bolo. Fica-se sem saber o que é que havia a mais lá em cima, para além dessa migalha. Há sempre a possibilidade de ter sido tudo efeito do fogo da paixão deles, catalizado pela calma e pela paisagem fantástica que se tem lá de cima. É compreensível, não é? Como diria o poeta, “o amor é lindo”… Eu, se estivesse no lugar deles, ao lado da pessoa com quem mais queria estar, bem, acho que entrava rapidamente num estado de delírio cor-de-rosa. Ou outra cor qualquer. O problema, segundo eles, é que este programa dura pouco tempo. Não percebo, pois em órbita nem se deve consumir combustível, e tanto fazia estarem por lá duas horas como dois dias. Mas, enfim, estas empresas existem é para fazer dinheiro e pronto. Tenho é de investigar se este programa também mete sereias, como o outro. Se meter, bom, já sei que, quase de certeza, vão-me arranjar outra sereia, sem rabo de peixe, igualzinha à pessoa com quem eu mais desejava entrar em órbita. Afinal, eles são profissionais! Mas, se eles quisessem mesmo esmerar-se, mesmo, mesmo, mesmo, arranjavam maneira de eu ir neste programinha com essa pessoa, em carne e osso. Nem sereia, nem meia sereia. É que, verdade seja dita, não há sereia que lhe chegue aos calcanhares. Por mais tecnologia que se use, por mais truques que se façam, nada neste mundo substitui o seu sorriso, o seu rosto, o seu olhar e a sua presença. Nada! pickwick
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2004
A ticket to the clouds
Um bilhete para as nuvens, em português. Não sei como se diz em transalpino, mas não deve interessar. O que é certo é que há dias em que temos de fazer este tipo de viagens. A viagem até sai barata: uns batimentos a mais no coração e está pago o bilhete. Por isso, não há desculpas para nos escaparmos a uma, de vez em quando. Fala a voz da experiência, ou não tivesse eu mesmo empreendido uma destas ainda agora. Cada viagem é uma viagem, mas cada qual merece ser contada, ou não fosse uma viagem às nuvens um acontecimento memorável que não se apagará da memória nas décadas mais próximas. Esta foi. Nas nuvens temos um tratamento cinco estrelas. Sempre. Mal cheguei, fui imediatamente recebido por uma sereia, que me acompanhou o resto do dia. O mais fantástico de tudo é que os organizadores destas viagens conseguem arranjar uma sereia igualzinha à pessoa com quem mais gostaríamos de estar. Igualzinha, tal e qual, em tudo. E, como bónus, não traz aquele rabo de peixe nojento que faz da sereia uma gaja que começa a cheirar mal quando passa mais de vinte minutos fora de água. Enfim, um luxo. Esta sereia, então, tratou-me com todos os luxos. Ainda antes de eu sair fora do trenó voador, encaminhou-me para uma praia paradisíaca, de águas límpidas e quase deserta. E sim, nas nuvens também há praias. Assim que meti pés em terra e dei uma dúzia de passos, esta sereia chegou-se ao pé de mim e deu-me um daqueles abraços de suster a respiração e desejar que o tempo pare. Calhou bem, até, porque ela era precisamente igualzinha à pessoa que eu mais queria abraçar. Os tipos da organização são o máximo! De seguida, esta maravilhosa sereia levou-me para dentro de água. Impecável. Temperatura excelente, e conseguia ver-se facilmente o fundo, apesar das nuvens. Ah! E a sereia, dentro de água, não lhe cresceu o rabo. Pelo contrário, continuava com aquela silhueta feminina e sensual que me fazia querer trepar à Ilha do Pico e ficar por lá a uivar uma semana seguida. Entretanto, e porque o tempo nas nuvens passa incrivelmente depressa, chegou a hora do almoço. De volta ao trenó voador, a sereia leva-me por entre as nuvens, por caminhos que só ela conhecia, até ao local do repasto. Sim, nas nuvens também há restaurantes. Os gajos da organização não brincam em serviço, atenção. E come-se bem, ainda por cima. Bom, bucho cheio, e a sereia não perde tempo a encaminhar-me para outra praia. Se a primeira já era de morrer, esta então, foi de ficar de boca aberta. Para ser sincero, não era só de olhar para a praia que eu ficava de boca aberta. Aquela sereia… enfim… Mas acho que ela não se importou. Fazia assim um ar de envergonhada, por eu estar a olhar para ela assim descaradamente, mas aquilo era mais forte que eu. Ela era mesmo igualzinha à pessoa para quem eu mais queria ficar horas seguidas a olhar. Aqueles tipos da organização, pá, são profissionais. A sério! E como ela sorria, eu mais descarado ficava. Foi um bocado de abuso, eu sei, mas um gajo quando viaja até às nuvens é mesmo para não serem as coisas como cá em baixo, na terra. Enquanto se esperava pelo fazer da digestão, bom… eu nem digo… alguém pode ler isto e… enfim… mas não me lembro de ter fechado a boca. Lindo, lindo! Uns momentos daquele silêncio embaraçoso, aqui e além, mas nada de dramático. Depois, a digestão fez-se e havia que experimentar novas águas. É incrível como nas nuvens há tantas praias e com águas tão límpidas. A sereia também foi dar uns mergulhos comigo, novamente. E, novamente, não lhe cresceu o rabo de peixe. E, novamente, insistia em continuar com aquela silhueta, aquele corpo que… enfim… Nestes momentos, eu fico com a impressão que os gajos da organização também exageram. Imagine-se só, se eu sofresse de problemas cardíacos? Tinha lá ficado esticadinho no fundo das águas. De certezinha! Ainda assim, um gajo fica meio com tremores, meio sem saber o que fazer. Uma sereia, é uma sereia, mas quando uma sereia é igualzinha à pessoa com quem mais gostávamos de dar uns mergulhos… uiii… parece que de repente as nuvens desaparecem e dá aquela vertigem de quem olha lá de cima cá para baixo sem nada pelo meio a que nos agarrar-nos… E, como qualquer viagem, esta também teve um fim. A sereia, com aquele sorriso non-stop naquela carinha igualzinha à pessoa que eu mais gostava de ver a sorrir, acompanhou-me de volta ao trenó voador e deu-me outro daqueles abraços em que queremos encontrar rapidamente o telecomando do vídeo para podermos carregar no botãozinho do “pause” e perpetuar o momento. Não encontrei o raio do telecomando. Meti-me no trenó e vim-me embora. Mas os gajos da organização são uns porreiros. A sereia ainda estava encarregue de me acompanhar durante mais uns minutos ali pelas nuvens, tipo passeio de despedida. Devia ser para o choque não ser muito grande, assim cair abruptamente fora das nuvens e com os pés na terra. Assim foi mais suave. Na última nuvem, a sereia fez-me parar o trenó só para me indicar o caminho de volta para a terra e para me dar um beijinho de despedida. Aqui, os tipos da organização estiveram mal. Ó pá, que metessem outra sereia a fazer a despedida, sei lá, uma feiosa com rabo de peixe a cheirar mal por estar há mais de cinco horas fora de água, ou qualquer coisa assim. Mas nunca uma sereia igualzinha à pessoa de quem eu menos tinha vontade de me despedir. Tenham dó! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:13
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2004
Diálogo na penumbra da razão

Uma conversa que eu nunca vou ter:
Eu: Olá!
Vera: Olá!
Eu: Eu sou o Pickwick. E tu? Como te chamas?
Vera: Eu sou a Vera.
Eu: Já sabia… (riso de hiena)
Vera: Já???? Então para que é que perguntaste???
Eu: Pois, já tinha visto ali atrás: “Vera: Olá!” e por isso já sabia como te chamavas.
Vera: Tu tens um problema grave, não tens?
Eu: Eu?... Acho que não…
Vera: (silêncio, olhar reprovador, esgar de enjoo)
Eu: Então, que fazes logo à noite?
Vera: Não tens nada a ver com isso!
Eu: Anda lá, não sejas assim! Vais ficar em casa? Queres ir ao cinema? Jantar fora? Passear de canoa?
Vera: Mas eu conheço-te de algum lado?
Eu: Não.
Vera: (silêncio, enquanto me volta as costas)
Eu: Olha, eu conheci uma Vera, há muitos anos atrás.
Vera: E o que é que isso interessa para agora? (voltou-se novamente para mim, que sorte)
Eu: É pá! Não sejas assim. Porque estás a ser arisca comigo? Meto-te nojo? Deixa-me acabar de falar!...
Vera: (encolhe os ombros, mas espera)
Eu: A Vera que eu conheci era um espanto. Linda, linda, linda. Cabelo aloirado, olhos verdes. Ou castanhos, não me lembro.
Vera: E o que é que eu tenho a ver com isso?
Eu: Também te chamas Vera, não chamas?
Vera: Sim. E?...
Eu: (silêncio engasgado)
Vera: Olha, tchau, ok?
Eu: Espera. Afinal logo saímos ou não? Podíamos ir passear pela praia.
Vera: A praia mais perto fica a 130 km daqui… ‘tás parvo, ou quê?
Eu: 130 km??? Mas… então não estamos em Portimão?
Vera: Olha lá, ó meu estúpido, desaparece-me que tenho mais que fazer do que te aturar. Além disso, o meu namorado deve estar a chegar.
Eu: Tens namorado? A Vera que eu conheci não tinha namorado. Pelo menos que eu soubesse. Mas eu até achava estranho como é que ela não tinha namorado. Só se a mãe não deixasse.
Vera: Tchau!
Eu: Espera… diz-me só uma coisa…
Vera: Mas que chato! Que é que foi agora?
Eu: Dás-me o teu email?
Vera: Não tenho! Tchau!
Eu: Tens, tens. Anda lá, dá lá.
Vera: Ó caraças! Desaparece!
Eu: Fogo! Mas tu não me curtes?
Vera: Tchau! (desta foi-se mesmo embora)
Moral da história: Não façam mal às andorinhas. As andorinhas aparecem na Primavera. A Primavera é prima da Vera. Como devem ter reparado, a Vera é muito mal encarada e antipática. Além disso não tem email. Se fizeram mal às andorinhas, a prima da Vera chama a Vera, a Vera vem, chama-nos nomes e vai-se embora. E chega o Verão. Não façam mal às andorinhas. pickwick

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publicado por riverfl0w às 01:21
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Domingo, 15 de Agosto de 2004
Pegadas na areia
Sigo os teus passos aqui e acolá, como pegadas na areia. Julgas que não, que não me importo, que no tanque do meu dia-a-dia a azáfama não deixa espaço para te perseguir, mas não é bem assim. Quando não te sigo, imagino-me a seguir-te, imagino-te aqui e acolá, entre ruas e vielas, estradas e céus. Intriga-me perseguir-te e descobrir que me persegues também, sabe-se lá com que intuito, com que razão, com que diversão, com que ansiedade. Ansiedade? Não sei. Mergulho, dia após dia, a minha cabeça no oceano da ignorância, da dúvida, da incerteza, do sonho. Sonho demais, eu sei. Mas como é bom sonhar... Sonhar com a dúvida, trocando-a pela doce certeza do que não passa do limiar da imaginação. Cuido do que escrevo nestas linhas, não vá esticar-me além do permitido pela lógica do que se conhece, não vá pisar o risco da decência, não vá estragar a amizade que julgo construída. Cuido do que escrevo, porque sei que o lês. Não o dizes, mas eu sei que lês, porque deixas pegadas, como na areia. Há palavras que destroem, há sentimentos que, por isso, não se podem trocar levianamente por palavras. Há sentimentos que devem – percebes? – ficar sepultados no berço. Contenho-os a custo. Mas, o mais certo é não te interessarem. Sinto este desfasamento de interesses. Sinto-me ridículo por sentir o que sinto. Tanto, que não sou capaz sequer de ousar levantar um pouquinho a toalha que os esconde, abrigados do medo da dúvida. Provavelmente, nunca passou pela tua cabeça o que vai para aqui dentro da minha. Tudo é um turbilhão de alegrias, dúvidas e desilusões. Sobe e desce. Às cambalhotas. Sei lá. Não consigo arrumar definitivamente as ideias, cá dentro, metê-las nas prateleiras certas, deitar fora o que não tem lugar. Parece que passam a vida a sair do sítio, as que se deitam fora teimam em voltar e reclamar um espacinho novamente. Tinha esperanças que o verão e a longa distância fizessem das suas, mas fui enganado. A distância afinal é curta, e curto é também o verão. A montanha russa continuou e continua ainda. Quero esquecer o que sinto, o que imagino, o que sonho. Quero, tento, mas volta tudo sempre ao mesmo turbilhão. Pesa-me a consciência por assim ser. Perdoa-me, por favor. Não mereces que aproveite a tua amizade para imaginar algo que não existe. Nem podia existir. Ai… se a vida fosse uma travessa de arroz doce, era tudo tão mais fácil. Mas como não é, assim ficamos. Ficas na dúvida, ou talvez não. Descontrolou-se-te o batimento do coração? Se sim, que esperas? Se não, o tempo encarregar-se-á de levar estes escritos e estes sentimentos para o distante esquecimento, a bem do descanso desta alma. pickwick
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publicado por riverfl0w às 01:59
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2004
Dilemas atrofiantes
Há dias em que nos confrontamos com daqueles dilemas, daquelas escolhas, daquelas opções, que mais valia não termos vindo ao mundo… Ontem aconteceu-me precisamente isso. Estou aqui que nem posso! Passo a explicar. De há umas semanas para cá que ando a combinar com uns amigos e umas amigas uma toinada (entenda-se “feira gastronómica reservada”) numa cidade da beira litoral, aproveitando o que a praia tem de melhor (neste caso não vamos longe com o tempo chuvoso e “esterquoso” que está). Compram-se os géneros para a “feira” num hiper qualquer da zona, montam-se umas tendas no parque de campismo, estende-se um toldo e uma manta, e está a coisa pronta a rolar. Uma arca congeladora portátil fará as delícias dos que amam a bela cervejola fresca. A ementa principal será o fabuloso frango do churrasco. Para afogar as mágoas e dar cabo da digestão, teremos um licor qualquer escolhido a dedo na hora. A boa disposição imperará pela noite fora. O evento social estava marcado para o dia X. Da minha parte, nada mais irradiava senão um sorriso de alegria pelo aproximar do dia X. Entretanto, eis senão quando, no dia X-1, recebo o e-mail a seguir transcrito, antecipado por uma SMS a avisar do seu envio. Dizia assim: “Olá!!!!! A Cristina está-me a pedir que amanhã tragas uma garrafa de vinho, uma pizza e apareças por cá, pela casa da Cláudia, para jantar. Se amanhã apareceres no msn dizes se podes ou não. Bjinhos, Cristina e Catarina. Ps:A conta pode vir num envelope...nós dp damos gorjeta....” Alguém me explique, por favor, como é que eu posso evitar entrar numa loucura frenética desatando às cabeçadas às paredes??? Estamos a falar de gajas solteironas, na casa dos 20-30, descomprometidas, simpáticas, folionas, de espírito aberto. Uma delas até é enfermeira, e bem se sabe como as enfermeiras têm aquela mente completamente perversa, certo? Um convite destes é o sonho de qualquer mortal do sexo masculino! Vinho? Pizza? Gorjeta? Hello???!!!... Mas não… porque sou estúpido, porque sou parvo, porque não regulo bem, porque vivo numa redoma de plástico barato, respondi ao irrecusável convite declinando-o delicadamente. Eu sei, devia atirar-me a um poço com um calhau atado ao pescoço. Ao declinar, ainda propus ser na noite a seguir, mas dado que não veio mais nada de volta, presumo que terão ficado a rir-se na dúvida desfeita sobre a minha masculinidade. E quem paga tudo isto? Quem é? Pois é… É a minha reputação! Não é que seja ou fosse alguma coisa de jeito, mas que assim se afunda, não hajam dúvidas. Qualquer gajo normal faria desta situação um dilema. Atrofiante, é certo, mas um dilema. Eu dei logo por certa a opção. Aliás, nem ponderei. Nem sequer foi opção. Foi só mesmo dizer “não” e pronto. Uma vez que vou para a tal cidade na beira litoral, pode ser que tome realmente consciência do que fiz (ou não fiz) e, num gesto único para tentar salvar a honra, ponha termo à existência saltando para o mar profundo com um tijolo atado ao pescoço. Não pode é ser depois do jantar, por causa da digestão. Um gajo ainda pode morrer com uma congestão. pickwick
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publicado por riverfl0w às 19:30
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