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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2004
Inconsciências 2
Ainda nesse mesmo ano… Desviei lá de casa uma caixa de munições de 9mm e levei para a escola. Munições são tipo balas e coisas assim. Os 9mm são a espessura do cartucho. É muita espessura. Só os militares podem usar munições destas, tal é o balázio. Há quem lhe chame “munição de guerra”. Ainda por cima, a caixa tinha 50 munições. A malta delirou com a coisa. Fomos para uma mata e acendemos uma fogueira. Naquele tempo ainda se podiam acender fogueiras. Ora bem, e que faz um bando de putos de onze anos, à beira de uma fogueira, com uma caixa com 50 munições de guerra? Atira-as para a fogueira, claro está! Isto também não se faz, obviamente. É que aquilo rebenta! Passámos uma tarde inteira naquilo. Das 50 munições, algumas ficaram nos bolsos como recordação, mas a maior parte foi mesmo para a fogueira. Deduzo que não tenha aparecido ninguém por causa dos estoiros, porque afinal de contas tínhamos escolhido uma mata dentro de uma área militar, onde era suposto ouvirem-se tiros. Aquilo, devo dizer, foi bastante divertido. Uma a uma, sem qualquer ritmo, as munições iam explodindo e as balas saíam disparadas para o meio das árvores, fazendo aqueles ruídos dos filmes de cowboys, resvalando nos troncos. Nós, agachados atrás de uns montes de terra, delirávamos completamente. No fim, sobrou uma munição. E a fogueira. Foi aqui que começou o verdadeiro disparate. Fizemos uma rodinha à volta da fogueira, atirámos a munição lá para dentro e ficámos à espera. Como a munição ficou tombada para um lado, metemo-nos “cautelosamente” todos do lado oposto, para não sermos atingidos. Grandes mongos! Sem um cano para direccionar o disparo, aquilo sai em qualquer direcção, aleatoriamente, só que a malta jovem não fazia a mínima ideia. Passados uns minutos, o estoiro! Atrás de nós, o “pfiiuuu” da bala a passar nas árvores. Ficámos colados ao chão… aquilo não devia ter saído na direcção oposta? Entretanto, alguém se queixa. Era o “cabeçudo” (alcunha carinhosa), com um dedo a sangrar. Outro queixou-se de qualquer coisa numa perna, mas como não tinha nada que se visse, não ligámos, e toca tudo a correr para o posto médico mais próximo. Brincadeiras de putos, é o que é… inconscientes… completamente… Poucas semanas antes, ou depois, não me recordo ao certo, nessa mesma mata, encontrámos um ninho de vespas. Era uma quarta-feira à tarde. Que é que um bando de putos de onze anos faz com um ninho de vespas? Chega-lhe o fogo, claro está! Resultado: uma visitinha ao posto médico com a cara inchada de tantas picadas e um carro dos bombeiros para apagar o incêndio. Se o meu paizinho soubesse… fazia-me a folha, fazia… pickwick
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publicado por riverfl0w às 08:08
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2004
Saudade é...
“Saudade é o ar que vou sugando e aceitando como fruto de Verão nos jardins do teu beijo...” é o que diz aquela cançãozinha que agora está na moda, dos Laranja ou lá que fruto são eles que agora não me lembro. Não percebi nada do que eles querem dizer com esta frase, mas enfim, o poeta é um bom poeta. Entretanto, e porque fiquei curioso, assaltei as prateleiras da Internet em busca da definição. É uma colagem, eu sei, mas não resisti a ler o que outros escreveram sobre o assunto. E aqui vai:
Saudade é o abraço ausente de alguém que está presente em você. Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já. Saudade é a 7ª palavra mais difícil de traduzir. Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida. Saudade é sentir que existe o que não existe mais. Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam. Saudade é doce contacto da ausência de quem queremos. Saudade é presença ausente de alguém que queremos junto. Saudade é querer sempre com alguém estar. Saudade é verdadeiramente um vazio que teima em ficar. Saudade é um doce ácido que dói, uma dor extremada. Saudade é sentar-se à sombra, triste e ficar aguardando a amada. Saudade é sentir com a alma o coração que faz falta sentir. Saudade é querer ficar na calma, mesmo precisando ir. Saudade é lembrança de alguém distante. Saudade é querê-la perto sabendo que a ausência é constante. Saudade é sentir a tua falta quando não estás aqui comigo. Saudade é olhar em seus olhos, com o sentir maior do que amigo. Saudade é procurar suas palavras gravadas em algum papel. Saudade é sentir felicidade mesmo provando do fel. Saudade é saudade que, doce mesmo não é. Saudade é saber viver trazendo no coração a fé. Saudade é um pouco de fome, só passa quando se come a presença. Saudade é um aperreio p’ra quem na vida gozou, é um grande saco cheio daquilo que já passou. Saudade é canto magoado no coração de quem sente. Saudade é o trajecto do mar em nosso peito, o desassossego em nosso olhar, quando tu não estás. Saudade é um sentimento que nem a dor é capaz de apagar.
Bem, é óbvio que é quase tudo dos brasucas, os tais que confundem saudade com um biquini tanga numa praia qualquer. Mas, se queres mesmo saber como é esta saudade que eu sinto, aqui fica, no original:
Saudade é uma válvula entupida neste coração que salta descontroladamente entre o colchão da memória e o trampolim do sonho. Saudade é o dizer que basta tocar-te ao de leve no rosto para acalmar esta explosão, quando afinal nem um abraço infinito chegaria. Saudade é ter medo de esquecer o teu rosto, o teu corpo, o teu sorriso, a tua alegria, o teu olhar. Saudade é encher o peito de ar até mais não, só para depois poder suspirar prolongadamente na esperança de me libertar deste aperto, desta espécie de dor. Saudade é ter já vergonha de mostrar e dizer que a sinto desesperadamente, não vás tu enjoar ou achar-me infantil. Saudade é querer chorar por não estares aqui, mas não conseguir. Saudade é saber que estarei ao pé de ti daqui a menos de meio-dia, mas sentir como se faltasse ainda meio ano. Saudade é não resistir a escrever: até já! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:22
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Domingo, 29 de Agosto de 2004
Quiche Lorraine
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

É impressionante como temos preguiça de cozinhar quando estamos sozinhos. Impressionante. Refeições para mim são actos de confraternização, aquele momento que se conversa, saboreia a comida, tem-se contacto com as pessoas. Tenho gosto pela culinária, adoro cozinhar, tentar novas receitas, inventar outras. Mas aqui sozinho tenho tido preguiça até de molhar uns cereais em leite. Aliás, isso é tudo o que eu tenho comido ultimamente.

Estava agora mesmo embrenhado no congelador, há procura de qualquer coisa que pudesse aquecer e trincar num instante. Encontrei-a na segunda gaveta: Quiche Lorraine - Surgelée - Aux lardons fumés.
Que é como quem diz, no bacoquismo da tradução... Tarte de Lorena - Ultracongelada - Com toucinho fumado.
Mas assim, em francês, lembrou-me de imediato a Páscoa em Paris, há alguns anos atrás, onde me fascinava o modo como a minha tia pronunciava o nome do prato. Já eu não me saía melhor que um "Kixe Lorréne", bem aportuguesado. É em nome dessas memórias de Paris, e do enjoo dos cereais, que a minha Kixe Lorréne acabou de entrar no forno. Um prato de sonoridade apetitosa em contraposição ao ordinário Muesli. riverfl0w

música: ‘Quiche Loraine’ – B52s
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publicado por riverfl0w às 13:59
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Inconsciências 1
Hoje acordei a pensar na vida. É um bom dia para o fazer, é Agosto, está nevoeiro, dói-me a planta do pé esquerdo, enfim. Mas não pensei na vida toda. Apenas naqueles episódios em que nos elevamos acima da razoabilidade e do bom senso, arriscando ora o físico, ora a reputação. Episódios de que só tomamos consciência séria passados dias, semanas, meses ou mesmo anos. Quando tomamos. Porque há deles que, provavelmente, nunca nos apercebemos. O primeiro que me vem à cabeça passou-se há muitos anos, tinha eu as minhas onze primaveras. Andava numa escola na bela capital portuguesa e o meu grupinho de amigos não primava pelas actividades cívicas. Aliás, atirar pedras às janelas e tocar à mão cheia nas campainhas dos prédios até chegou a ser moda. Certo dia, lembrámo-nos de ir ao Jardim Zoológico. Os animais fascinam qualquer puto que se preze e nós não éramos excepção. E o fascínio subiu de tom quando demos de caras com a secção dos felinos, aquela fila de jaulas com leões, tigres, pumas e leopardos. Uma das jaulas tinha um majestoso leão, de juba enorme, já entrado na idade, indubitavelmente o rei daquele zoo. Até aqui tudo bem. Com a maior naturalidade, saltámos o gradeamento de segurança que mantém os visitantes a uns dois metros das barras da jaula, protegendo-os de alguma patada mais carinhosa. Isto não se faz, como é óbvio. Como se não bastasse, estávamos mesmo em frente à jaula do tal leão que, na maior das calmas, tinha o corpanzil encostado às barras e batia uma soneca. Ora, provavelmente não se deve incomodar um leão enquanto dorme a sesta, mas… não sei o que me passou pela cabeça, que não resisti a puxar-lhe o rabo. Isto é que não se faz mesmo! O bicho, estranhamente pouco incomodado, virou-se para a malta e abriu aquelas fabulosas mandíbulas num rugido mal cheiroso e impressionante, capaz de engolir-nos a todos de uma só vez. Bom, sei que ia partindo uma das canelas no gradeamento e que só parámos de correr quando chegámos ao outro lado do zoo. A mim, quase que me estoirava a cabeça, tal era o susto, e ainda levou uns bons minutos até estabilizar o batimento do coração. Ainda assim, voltámos às jaulas e saltámos novamente o gradeamento. Eu já estava um bocado apreensivo com a brincadeira toda, mas um dos meus amigos ainda queria provar mais um bocadinho de adrenalina. Por isso, foi à jaula dos pumas e estragou-lhes o descanso com um soco no lombo de um deles, pondo aquilo tudo em alvoroço, com os animais a rugirem e aos pulos feitos loucos. Escapou-se a tempo, porque os bichos em três tempos tinham as garras à mostra e esticavam as patas em movimentos frenéticos do lado de fora da jaula a ver se nos atingiam. Mas o dia não acabou aqui. Este bando de putos ainda fez mais umas visitas, embora menos estressantes. Lembro-me, como se fosse hoje, de me estarem a segurar pelos braços, eu à procura do chão, largarem-me, virar-me, e, lá ao fundo, a uns 50 metros, um gigantesco rinoceronte rodopiar na minha direcção. Um joelho esmurrado na parede e os mesmos braços a içarem-me à pressa para fora. Mais além, recordo-me de caminharmos agarrados a um gradeamento, em cima de um muro, até chegarmos ao lado de um hipopótamo imerso no tanque fedorento, e vermos quem conseguia meter-se em cima do animal, sem cair. Isto também não se faz, ok? Esse ano foi muito frutífero em disparates e inconsciências. A malta, ainda por cima, parece que não aprendia. pickwick
publicado por riverfl0w às 00:56
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Domingo, 8 de Agosto de 2004
Se eu tivesse ido para Gigolo
Gigolô: s.m.1 indivíduo que vive à custa de uma prostituta; 2 rufião (do fr. Gigolo, «amante») – in Dicionário da Língua Portuguesa 2003, Porto Editora. Pronto, não era bem esta definição técnica que tinha em mente, mas é sempre bom uma pessoa informar-se sobre o real significado das coisas antes de sobre elas dissertar libertinamente. Isto vem a propósito de me chegar à “alembradura” uma conversa tida há alguns anos atrás com um amigalhaço, em que o tema foi precisamente este. Na altura, que era uma altura como qualquer outra, não me recordo os metros, tanto eu como ele andávamos numa fase ruim das nossas vidas. Após cinco anos de veneração pelas nossas namoradas, colegas de turma na universidade, fomos escorraçados e trocados: ele foi trocado por um menino de bem com uma perspectiva de lazer limitada ao caixote da TV e a um monte de cassetes de vídeo, e eu fui trocado por um haitiano balofo de cinquenta e tal anos que dançava em discotecas africanas e engatava gaiatas curiosas. As soluções para os nossos problemas de adaptação à nova vida descomprometida tardavam em chegar, e as que apareciam batalhavam entre si para ver qual era a pior. Da minha parte, que trabalhava e estudava ao mesmo tempo, não me ocorria assim mais nada a não ser atropelar um camião TIR com a minha Vespa branca, algures nos cinquenta quilómetros que separavam a minha casa do local de trabalho. Não sobrava muito tempo para implementar outra solução, diga-se, até porque era o ano do projecto final de curso, e os fins-de-semana estavam preenchidíssimos com actividades associativas. Quanto a ele, bem menos preso em compromissos, ainda teve coragem para calçar as botas da tropa, enfiar o saco cama na mochila e ir (e vir) à boleia até Beirute para resgatar uma das irmãs que estava refém do casamento atormentador com um árabe e toda a sua cultura extremista de machismos. Quando regressou a Portugal, trazia a solução para os nossos problemas: irmos até ao Algarve para sermos gigolôs. Nessa altura ainda não tinha passado na TV o sucesso do Zézé Camarinha. Quem lhe tinha explicado a ideia foi um dos camionistas que lhe deu boleia, enchendo-lhe a cabeça de histórias de muito sexo, muito dinheiro e muito boa vida. Exactamente o que estávamos a precisar. A ideia era mesmo excelente. Lembro-me perfeitamente que na altura só visualizámos grandes aventuras com mulheres abastadas e loucamente carentes, entre piscinas, palacetes e carros de luxo. Faltava-nos o traquejo para dar daqueles conselhos à Zézé Camarinha, “your skin is very white… put cream number five”… mas enfim, nós íamos mesmo era para sermos gigolôs e não conselheiros dermatológicos. Bom, tanto pensámos no assunto, tanto nos entusiasmámos, que ficámos em terra. Ainda bem, digo eu. O meu amigalhaço, passados cerca de dez anos, é hoje um homem casado, com dois filhos espectaculares, e muito feliz. Eu também não, à parte do feliz, que também sim, dentro dos possíveis. Mas não sei como seria se tivesse ido mesmo para gigolô. Provavelmente iria à falência, sem clientela. Ou apanharia uma “doençola” daquelas jeitosas. Enfim, coisas do desespero… pickwick
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publicado por riverfl0w às 10:26
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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2004
Comprometimentos
Estava ali no mirc a conversar com a malta jovem quando veio à baila uma amiga do peito. Normalmente não considero ninguém como amiga do peito, e muito menos amigo do peito, mas neste caso abro uma excepção por motivos circunstanciais. Chamemos-lhe Helena (nome de código) para manter o anonimato e a privacidade da rapariga. Por acaso até se chama mesmo Helena, mas como há muitas, o nome de código pode ser o mesmo que ninguém lá chega. Essa Helena foi minha colega de trabalho há uns anos atrás, coisa pouca, tipo 4 ou 5. Era assim uma solteirona com ar ganzado, tipo Óbelix, como se tivesse caído em pequena num barril cheio de ganza em estado líquido. Mas só mesmo isso. Por que de resto, ó Deus, estavas atento quando lhe deste os atributos… estavas, sim… E bem, na altura, acontece que aqui o je era um homem comprometido. Fica sempre bem ser-se comprometido, embora por vezes não dê muito jeito. Mas, compromisso é compromisso, tal como o comprimido é um comprimido, e mais nada havia a fazer. A Helena, a par de ser solteirona, tinha um namorado algures a uns 500km, assim uma distância mal contada entre o Alentejo e o Porto, o que não a impedia de tratar dos seus anseios físicos por aqui e por ali. Mais por ali. A amizade do peito advém de um confronto nocturno, algures noutras paragens, salvo erro ali para os lados de São Martinho do Porto, num vão de escadas qualquer, onde, em plenas 5h badaladas da madrugada, a amiga sente uma vontade enorme de ser abraçada, rogando-me que lhe satisfaça a vontade sem qualquer outra intenção… uma embrulhada, está claro. E como um abraço é um abraço, não passa daí, mas algo se passa nos entremeados, ou não fosse o acontecimento só por si revestido de um contacto físico que deixa levantar o véu que tapa o mistério do peito. Sim, porque o peito tem sempre mistério. E bem, como já era tarde e más horas, e o cansaço vencia o raciocínio lógico, ainda demorou algum tempo até virar o resultado ao contrário e me aperceber do que estava ali a fazer, naqueles preparos, num vão de escadas, a abraçar uma esquizofrénica ninfomaníaca. Enfim, vindo a mim, afastei-a e desejei-lhe boa noite. Mais algumas semanas, mais outras quantas tentativas dela para repetir o afago, mas aí, sendo horas de jeito, não me deixava cair novamente na argolada. Se bem que, certo dia, me arrancou à força do banco do carro e me arrastou para dentro da sua casa, em plena rua de uma vila alentejana, com toda a promiscuidade que isso acarreta… mas ainda assim fui capaz de me escapar ileso por entre aquelas garras que quase me esborrachavam o tórax. Hoje, passados tantos anos, finado o comprometimento da altura, sinto uma saudade indefinível de rever a Helena. É mais a curiosidade, confesso. Sabe bem largar umas gargalhadas, e esta miúda sempre foi muito prendada em me fazer rir a bandeiras despregadas. Nem que seja só pelo seu olhar completamente lunático, pelos seus lábios sensuais constantemente num esgar ninfomaníaco, e um comportamento imprevisível e muito, mas muito, esquizofrénico... pickwick
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Domingo, 18 de Julho de 2004
Doce Nostalgia

Estava à procura de umas coisas de Matemática nos arquivos mais antigos. Não encontrei o que queria, mas encontrei uma pasta castanha, A4, um pouco comida pelo tempo. Cá fora estava escrito: A minha primeira composição.

"André Spencer Coelho
Lisboa, 29 de Maio de 1992

Eu vou passiar ao parque.
O Fernando vai fazer uma corrida de cavalos.
O cavalo do Luís passou para o quarto lugar.
Mas veio o André a galopar no seu cavalo e passou o Luís.
O António vai a passar, vê aquilo e fica de bouca aberta.
O Jorge que viu as corridas riu muito até ficar careca."

A vida era simples, bela. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 23:00
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