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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006
Ainda mais raios partam o Natal

A ver se, com tanto raio, o Natal aprende a lição. É que, a bem dizer, isto está cada vez pior! Eu explico. Amanhã estou convocado para um almoço de Natal. Por convocado, entende-se obrigado, coagido, sem escapatória. Como não bastasse, a tarde de hoje foi passada a decorar uma cantina com motivos de… pois, claro, Natal. Na parte de arrastar as mesas e cadeiras, ainda a coisa ia bem, com alguma masculinidade. Mas, depois, veio a parte de dobrar estrelinhas de papel brilhante para que ficassem assim com um relevo radical, tipo verruga. Ora, acontece que, por motivos que me são alheios, vi-me nestes preparos - tão pouco dignos - sozinho, completamente sozinho, abandonado, como que atirado aos lobos, no meio de um bando de mulheres! Ah pois é! Bonito serviço para uma tarde de quarta-feira: dobrar estrelinhas no meio de nove mulheres. Ao fim de poucos minutos, descobriram que o único marmanjo presente é que dominava, afinal, a verdadeira técnica da dobragem de estrelinhas em papel brilhante. Elogio e ah e tal. Eu assobiava a ver se aquilo terminava e me podia ir embora. Uma delas, a Carla, que é uma querida mas parece o pato Donald quando se ri (acho que já dissertei sobre ela algures num post atrás), sugeriu que eu desse uma acção de formação sobre dobragem de papelinhos. Eu segredei-lhe: não é dobragem de papelinhos, é origami! Pronto, está bem, mas como já vais dar aquele formação sobre Excel… Tive um flash logo ali… a formação de Excel… já tinha visto a lista de inscritos… era só gajas!!! Gajas!!! E ainda mais gajas! Como diz o dito: o que é demais, enjoa! O Natal tem destas coisas de haver sempre coisas demais que depois enjoam. Enfim. Entretanto, enquanto se dobravam mais umas estrelinhas pirosas, apareceu o Filipe com um tijolo daqueles que tocam CDs. Ah e tal, vamos ensaiar para sexta-feira?, pergunta ele. Ensaiar? O Filipe é o homem da música! Ensaiar o quê?, perguntei a mim mesmo em berros histéricos a ecoarem-me dentro do caixote de cima. Alguém pensou o mesmo que eu, mas em voz alta, ao que ele respondeu que íamos todos cantar em público na sexta-feira, numa festa de Natal. Assim, como que do nada, atirar-me para debaixo do comboio pareceu ter muito cabimento num momento desesperado como aquele. Ainda eu estava a senti-los apertadinhos, quando o Filipe ligou o tijolo e uma chinfrineira natalícia invadiu o recinto. O Filipe cantava, as gajas cantavam… Enfim! Ah e tal, a todos um bom Natal, que seja um bom Natal, para todos nós… blá blá blá, milhões de meninos, os sinos a tocar, vão aos saltos pela casa, e o caraças. Já estava o ensaio quase no fim, já me doíam os maxilares de tanto os forçar para cima e para baixo, quando se acercou de mim a Célia, que é uma miúda aloirada e muito simpática mas que tem umas nádegas da largura da fachada do Mosteiro dos Jerónimos (desculpa lá, ó Célia, mas as verdades são para doer), questionando-me baixinho: olha lá, mas tu só mexes a boca? Sssshhhhhhhh… sussurrei-lhe. Sacanas destas gajas! Havia de fazer o quê? Exibir em alto som esta voz grave e desafinadíssima, no centro de um coro de galinhas a dobrarem estrelinhas?! Obviamente que não! Jamais! Por falar em galinhas, estrelinhas e Natal, a Maria, aquela destravada com queixada de bisonte e corpo de deusa, apalpou-me o peito catorze vezes, hoje! Contei catorze assim por amostragem, claro, porque a cada palmadinha dela eu procurava um buraquinho para me enfiar, porque era sempre em público, o que se torna um abuso. Se estivéssemos apenas os dois sozinhos numa sala, seria assédio sexual, mas, ali, em público, numa sala com mais dez pessoas, isto é abuso! Ou seria ao contrário? Bem, não interessa. Já nem sei o que tem que ver isto com o Natal, mas ocorreu-me, assim, até porque, como já avisei, o Natal tem destas coisas esquisitas e inexplicáveis. O que vale é que a ementa para o almoço de amanhã, segundo os colegas bem informados, será peru assado com arroz de pato. Faz-me lembrar um filme francês que passou na RTP à hora do jantar, no início da década de 80, chamado “Pato com laranja”, cheio de erotismo, sendo que foi um atrofio agonizante visualizar maminhas desnudadas num ecrã na presença dos meus pais, a meio de uma refeição que não era de pato, numa época em que as únicas maminhas desnudadas que apareciam na televisão eram as de uma das pirosas cantoras do grupo musical de galdérias “As Doce”, cujo vestido teimava em cair e ela tinha que se virar de costas para as câmaras para ajeitar os rebuçados. Portanto, comecei com o Natal e acabei nas maminhas. Muito bem. Gosto mesmo do Natal... pickwick

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publicado por pickwick às 22:29
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006
Raios partam o Natal

Já não sei se, nos longos anos de vida deste blog, divaguei violentamente sobre a época natalícia. Se não o fiz, foi por distracção, por via do Alzheimer. Se o fiz, foi com intenção, obviamente. Seja como for, está na hora de retomar o tema. Detesto o Natal. Não é por maldade. Mas é irritante! Enjoa! É como diz o dito: o que é demais, enjoa. Não é pelo Natal em sim, até porque é uma época bonita, celebra-se o nascimento do menino que era aquecido com o bafo de uma vaca e de um burro, e ah e tal. Por falar em vaca, este ano o menino vai ter mais frio que o costume. É que a vaca mudou de vida e foi transferida para a chefia de um ministério importante. Hehehe! É pá, não resisti, pronto. Fica-me mal contar piadas destas, mas esta, em particular, é irresistível. Bom, ia eu na vaca e no burro e não sei o quê. Ora bem, o Natal é, portanto, uma época teoricamente bonita. O menino veio ao mundo, as famílias reúnem-se, etc. No meu caso, que sou um filho desnaturado, vou aproveitar para tentar compensar as dezenas de dias que não passei com os meus pais durante este ano. Então, o que é que estraga esta época tão linda? São as prendas! O caraças das prendas! Eu já não gosto de prendas, acho-as irritantes e um desperdício evitável de dinheiro e papel de embrulho e laçarotes pirosos. A grande maioria das prendas são dadas assim por descargo de consciência, digo eu, não sendo nada daquilo que os presenteados desejavam ou precisavam ou que lhes dava jeito. Chiça, estou a ser mesmo mau. Desculpem lá. Pela parte que me toca, detesto que me ofereçam prendas! Seja em que altura do ano for! Irrita! Pronto, está dito. Acontece que, por via da profissão, vi-me esta semana embrulhado numa situação daquelas extremamente foleiras em que se trocam prendas dentro de um grupo de pessoas. No ano passado, escapei à do “amigo invisível”. Uma colega ainda veio ter comigo, que ah e tal vamos jogar ao “amigo invisível” e eu: NÃO! Adoro esta postura do anti-social. Mantém a distância e afasta as melgas. Mesmo assim, ainda tive que gramar com a cena das prendas. Pronto, ofereci uns belos chocolates (daqueles bem grandes) a um miúdo e um colega ofereceu-me uma caixa daqueles chocolates em forma de bola-com-borbulhas, que foram devorados em cerca de catorze minutos. Este ano, a mãe de uma criancinha a quem costumo explicar como se dividem bolos em partes iguais, ofereceu-me uma grande caixa de chocolates recheados da Nestlé, que foram devorados de forma selvagem numa noite. Mas, isto são pormenores técnicos. Este ano, portanto, vi-me sujeito a mais uma troca de prendas. Calhou-me na rifa o Mauro, um miúdo de doze anos, muito porreiro e educado, filho de brasileiros mas português falante. Pensei logo em presenteá-lo com um caixote de chocolates, mas há um problema: o rapaz usa daqueles aparelhos nos dentes que parecem uma alfaia agrícola. Chocolate misturado com alfaias, não fica bem. Por isso, pensei numa alternativa. Dado que, há umas semanas atrás, ele se mostrou interessadíssimo na Força Aérea Portuguesa, dedicando horas a pesquisar sobre o assunto, achei que ficava bem oferecer-lhe um kit de um avião de combate, para ele se entreter a montar durante as férias do Natal. Desenvolve a habilidade manual, afasta-o das parvoíces que passam na televisão e do vício da Internet, reforça a concentração, e sempre fica uma coisa construída por ele. Quando for grande, pode fazer filhos e outras asneiras. Por enquanto, pode muito bem montar um avião, pensei eu. E toca a rumar à cidade capital de distrito aqui mais próxima do marasmo da minha terra. Bem, descobri que já não há lojas de brinquedos. Um gajo anda quilómetros e quilómetros e poios de quilómetros pela cidade, passa os olhos por dezenas e dezenas e dezenas de lojas, e não há uma única que venda brinquedos. Isto é normal? Já não se usam brinquedos? É só bancos, roupas, telemóveis, tecnologias, uns livritos aqui e ali, sapatos, chineses, e pronto. Mas, está tudo doido? Enervadíssimo, fui até ao Continente. Entre o carro e a entrada do edifício, a minha companheira de viagem lembrou-se de mais um rasgo de cultura portuguesa: um Continente, é o que não é incontinente, que se consegue conter, portanto. Achei o apontamento de uma pertinência brutal e acrescentei, em jeito de resumo, que, de facto, sendo assim, o Continente não se urina pelas pernas abaixo. O Natal tem destas coisas: deixa um homem completamente aparvalhado, a ter conversas deste calibre com uma mulher enquanto ambos entram numa superfície comercial gigantesca. No Continente há muitos brinquedos. Corri as prateleiras todas e, meu Deus!, é só porcarias! Só para não dizerem que não têm brinquedos! Kits para montar? Oh sim, isso dá muito trabalho! Já não se usa. Os brinquedos têm os dias contados! Literalmente! Foram trocados por telenovelas infindáveis e repetitivas, computadores com Internet, telemóveis e outras porcarias produzidas por esta sociedade em rota de colisão com o pó do chão. Aconselhado pela minha companheira de passeio, fui à secção dos livros. Primeiro pensamento: porque é que eu ainda não escrevi um livro para vender aos consumidores que compram qualquer porcaria só para ficarem bem na fotografia? Isso é que era! Ganhava rios de dinheiro, fugia ao fisco, e passava dois ou três anos a atender delicadamente leitoras devotas. Lá encontrei um livrito que fala dos romanos com um humor engraçado, ensinando História a brincar e a rir. Comprado! E não se pensa mais nisto. Com sorte, o Mauro não arrancará as folhas do livro para fazer aviões de papel… pickwick

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publicado por pickwick às 23:19
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2004
Tempo para pensar
Ora bem, contas feitas, acho que já passaram uns dois meses desde o último disparate digitado por dedos besuntados de gordura – a tal que é formosura. Ficaria bem assinalar esta distância temporal como a medida do pensamento, articulada entre o sono e o despertar, mas a realidade é bem diferente. Tão diferente, que nem dei por ela chegar. Ela, a realidade, claro está. Eis-nos, então, chegados de um salto ao mês D. Houve o dia D, de desodorizante, designação atribuída ao célebre desembarque bélico em virtude do pivete proveniente dos sovacos e virilhas a solicitar lavagens mais atentas. E agora temos o mês D. Eu não curto o mês D. O mês D não é de desodorizante, porque nesta época só vai suar quem estiver nos trópicos ou num elegantíssimo ginásio. Eu diria que é D de… de… vejamos… ocorrem-me pensamentos atravessados e palavras ao vento… D de… diarreia, Deolinda, desespero, deixa-me em paz, dormir… Eu sei, não condiz com a alegria e o esbanjamento incompreensível de lâmpadas, energia eléctrica e euros. É um mês que me deixa incalculavelmente atrofiado dos limites sociais, a transbordar de uma vontade mórbida de pegar no pé do primeiro tipo de vermelho e branco que me aparecer pela frente a fazer “hohoho” e espancá-lo violentamente contra a parede mais próxima. Não sei explicar. Como diria o povo, tudo o que é demais, enjoa. No entanto, é também tempo para pensar em certas e determinadas coisas. Para além do esbanjamento supracitado (aprendi esta palavra há uns anos… fica linda, não fica?), há uma série de situações que se propiciam nesta quadra. Já agora, diz-se quadra, porquê? Isto é alguma canção? Ou é a mulher do quadro que vem passar a roupa a ferro? É aquela cena da família reunida à volta da lareira, o devorar carnívoro de duas postas de bacalhau salgadíssimo, o tipo vestido de vermelho a tentar enganar as criancinhas, a troca compulsiva de prendas e prendinhas, e o discurso fácil sobre a pretensa solidariedade que puxamos a nós quando dá jeito. Dá-me vontade de dizer que nada disto faz sentido. Mas é melhor não o dizer. Há que refrear os impulsos e reflectir sobre o tudo e o nada, aceitar o branco como o branco, e o laranja como o laranja. Principalmente, aceitar. Porque, no meio de tanta aberração consumista, de tanta festa superficial, de tantas sms banais e impessoais que me vão dar cabo do telemóvel na próxima semana, de tantos desejos de boas festas e outras coisas que tais atirados como cuspidelas para o chão, o que nos falta mesmo é aceitar. Dar uma prendinha, dizer boas festas, mandar um e-mail, enviar uma sms, sorrir, é sinal de banalidade. Digo eu. Cada um torna-se secretário de si mesmo, dedicando horas à panóplia de malabarismos habituais neste mês. Somos amigos, solidários e malabaristas. Mas continuamos, nesta hipocrisia tão própria do ser humano, a fazer de conta que respeitamos e aceitamos os outros. Os outros e os seus apêndices. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:10
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