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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
O vestidinho da Fafá

Ultimamente, tem estado um calorzinho. Daqueles que só dá vontade de andar todo nu pela casa, a arejar. Dá vontade, mas a cautela vem primeiro. Não vá o pirilau ficar trilhado na porta da máquina de lavar roupa, o melhor mesmo é andar com a bela da cueca protectora.

 
Com o calor, o ser humano tem alguma tendência natural para se despojar de excessos de roupa, pelo que, nesta época, os olhos têm muito com que se regalar. Infelizmente, o meu estúpido dever para com o patronato vai novamente privar-me das férias de verão a que tenho direito, condicionando-me o acesso a contextos sócio-recreativos em que a concentração de mulheres a morrerem de calor é elevadíssima.
 
A loira dentuça costuma aparecer todos os dias, sistematicamente sem soutien e com um vestido de alças decotadíssimo que deixa perceber as maminhas invariavelmente descaídas até ao umbigo. Isto é um ritual diário: a loira aparece, eu controlo-lhe o vestuário, constato as alças, o decote e o formato decadente das maminhas, arrepio-me com os dentes em forma de retroescavadora, e suspiro de infelicidade pela paisagem pouco apelativa.
 
No entanto, ao início da tarde de hoje fui surpreendido de forma agradável. A Fafá (nome de código), que se tinha oferecido de véspera para me ajudar a redigir um projecto, apareceu de rompante no gabinete do patronato. Quer-se dizer, ela entrou de mansinho, como sempre, mas como me deixou em choque, faz de conta que foi de rompante, ok?
 
A Fafá, é uma senhora da minha idade, mais coisa, menos tigela, cujo rosto invalidaria qualquer desejo relacional que me acometesse nesta vida ou noutra reencarnação. É feia, pronto. Mas simpática, vá. É magra e, por conseguinte, elegante, coisa que se torna rara acima dos trinta e cinco anos. Fica-lhe bem a elegância, mas o défice de maminhas não abona em favor de qualquer apreciação, ainda que em desespero de causa. E o cabelo curto também não ajuda nada, convenhamos.
 
Não sendo mulher que provoque atracção alheia, e tendo consciência disso, a Fafá costuma trajar de forma simples, muito simples, na maior parte das vezes com umas simples calças de ganga dentro das quais as nádegas parecem nunca encher o espaço livre. Apesar desta apreciação pouco positiva que aqui deixo, estou a falar de uma mulher casada e mãe de duas filhas! Não é um monstro, portanto.
 
Retomando a entrada de rompante no gabinete do patronato, falta descrever a novidade: é que a Fafá apareceu com um vestido que mais parecia roubado à sua filha de catorze anos, a avaliar pelo comprimento diminuto da saia e pelo padrão axadrezado do tecido. Até fiquei sem jeito. Pensei logo para comigo: mau, mau, Maria, está aqui um gajo a tentar trabalhar sossegado e vens para aqui tu nesses preparos, a distrair a malta!
 
Arranjei-lhe uma mesa vazia mesmo ao lado da minha secretária, arranjei-lhe um computador, e pu-la a render. A isto, chama-se estimular a qualidade de vida em contexto de trabalho! Um gajo está a trabalhar e entre cada oito minutos faz uma pausa para deitar o olho ao lado. É que, para quem não sabe, os vestidinhos daquele género transformam-se facilmente em meio palmo de saia abaixo da nádega, quando a mulher se senta. É o conhecido arregaçar natural da saia. Uma coisa linda de se ver, portanto.
 
A Fafá regressa amanhã, para continuar o trabalho. Se gostou de estar ali no gabinete a exibir o pernão, amanhã trará outra indumentária-surpresa, algo igualmente arejado e provocador. Veremos. pickwick
publicado por pickwick às 00:05
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007
A Rici é uma balofa
Há já muitas semanas que a Sandy se foi. A Sandy, era a minha colega podre de boa, que pecava apenas pelo natural facto de estar prenha. Isto não é um comentário machista e pouco humano, mas, antes, um simples desabafo técnico. De um momento para o outro, e tal como já prevíamos, chegaram as ordens superiores para a rapariga ser transferida para outra instituição, à pala de uma gravidez de risco, devendo, portanto, ser substituída. À ansiedade que tomou conta de alguns trabalhadores durante alguns dias, seguiu-se o desalento e a desmotivação laboral. É que, para desilusão geral, a Sandy foi substituída pela Rici. Ora, é certo que antes a Rici que um gajo barbudo. Ou, num patamar mais básico, antes uma gaja que um gajo! É certo. Mas, podíamos ter tido um pouquinho mais de sorte. Mas, não tivemos. Saiu-nos na rifa uma tripeira balofa! Nos tempos da Sandy, ainda podíamos vislumbrar a lingerie que usava, por exemplo – se a memória não me falha, era sempre um soutien requintado e umas cuecas muito rascas e excessivamente usadas. Com a Rici, bom, para além de não dar vontade de saber que lingerie traz, também não dá para ver, já que a moça apresenta-se sempre de forma imaculada e conservadora. Ali, não há rego do cu que apareça para tomar um pouco de ar fresco. É uma espécie de convento-ambulante. Um convento rechonchudo, já que falamos nisso. A toda esta conjectura, chama-se um “grave decréscimo nas condições laborais”. Já não bastava a progressão na carreira congelada durante décadas e os aumentos salariais anuais de fazer rir, agora ainda temos que gramar com uma colega balofa. E eu ainda vou mais longe nas críticas: era preciso, também, ter uma pronúncia exageradamente tripeira?! O “B” não se diz “bê”, mas “biê”. O “3” não se diz “três”, mas “triês”. E por aí fora. Eu já nem ligo. Não ligo à pronúncia, nem às formas balofas do seu corpo que parecem querer saltar para fora da roupa, como que banha espremida por um cinto apertado. Formas e linguagem à parte, tenho a dizer que a Rici ainda é uma jovem, muito jovem, quase que acabada de sair da fase pós-teenager, mas que tem uma postura demasiado rígida e séria para uma moçoila daquela idade. Devia sorrir mais, abanar mais as nádegas – sem exagerar, para não partir nenhuma mesa ou portada -, e dizer umas piadas. É demasiado profissional naquilo que faz, não fraqueja, mantém tudo “na linha”, e é inegavelmente dedicada ao trabalho. Mas, não era isto que queríamos. Pelo menos, não era isto que eu queria. Eu queria uma colega jeitosa, airosa, arejada de roupa, sem chicha em excesso, com o elástico da cuequinha sempre à mostra, o decote sempre cheio de calor, com um sorriso maroto e que marchasse com as nádegas a dar-a-dar. Deveria ser menos profissional, para que pudesse ser repreendida segundo o secular método das palmadinhas no rabo enquanto sentada no colinho. Enfim. Ando a ver filmes a mais, parece-me. Ainda tinha algumas esperanças na Caty, outra das colegas novas deste ano, mas aquele metro e setenta de gaja parece-se cada vez mais com um cadáver a caminhar em cima de umas andas de cana rachada. Profissionalmente, não há ambiente! Há anos assim! Este é um deles! Ora bolas! pickwick
publicado por pickwick às 15:43
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
Era só o que faltava!
A propósito de uma notícia hilariante que nada tem que ver com o que se segue, tropecei numa notícia num jornal online argentino. Rapidamente, recrutei os préstimos de um daqueles fantásticos tradutores linguísticos automáticos e pu-lo a traduzir o texto de Espanhol para Inglês (os palermas ainda não descobriram que falta o tradutor de Espanhol para Português). Com o resultado, repeti o serviço, mas desta feita de Inglês para Português. Assim, como se depreende, obtive uma magnífica tradução bypass Espanhol – Inglês – Português. Uma pérola da tecnologia ao serviço dos mortais. O trabalho final:  
O bisexuality marcará as relações no futuro
O oncólogo Humberto Veronesi, seus 81 anos, sonroja nenhuns é surpreendido quando afirmar um do controverted postulados mais foi proferido na matéria do sexuality: após três gerações, os povos terminarão suas relações intimate sem distinção da sorte.
O specialist, com recognition amplo no continente e no candidato velhos ao prêmio de Nobel, declarou ao Reformist o jornal de Il que “diminui as diferenças entre homens e mulheres”.
Com o tempo, devido a desenvolver menos tarefas da sobrevivência, os homens reduziram hormones dos andrógenas. Na uma mão, as mulheres modificaram também seu rolo na sociedade, que implica um desenvolvimento menor do estrogen.
Todo o sistema reproductive do homem vem submetendo-se a mudanças: “Os órgãos atrophied lentamente”, explicam o perito no cancer. Isto ocorre em parte pelas modificações que a biologia genetic impôs à medicina tanto quanto os tratamentos do comparecimento para as gravidezes.
É mais porque o ato sexual será reduzido pouco quando da afeição e ao containment, do que como a rota reproductive do homem, ele Veronesi expresso. Conseqüentemente, isto afetaria a decisão com de quem para ter o sexo, ou rather, já não importaria a intimar com um homem ou uma mulher.
“Será o preço a pagar pela evolução natural da espécie humana. E eu acredito que o preço é positivo”, foretold o oncólogo italiano, a que adicionou que esta volta biológica e cultural ocorrerá porque há menos homens e mulheres dos viriles com masculinidad mais grande.”
Caro Dr. Humberto,
 
No supremo respeito pelo seu trabalho científico durante uma vida, quero usar o meu direito de discordância para com os seus dantescos pareceres. Vou fazê-lo por partes, para que tudo seja melhor inundado pela luz.
 
1. A bissexualidade jamais marcará as relações no futuro. Nem no futuro, nem no futuro vindouro, nem no tempo da senhora que há-de vir. Percebeu? A bissexualidade é uma preferência do passado, do presente e do futuro, para quem gosta! Se agora, com esta idade de avozinho coxo, é que anda a navegar na Internet e a descobrir o deslumbrante mundo da bissexualidade e da homossexualidade dos dois géneros, problema seu. Não extrapole, que lhe fica mal e é muito pouco científico. Lá por aparecerem cada vez mais pessoas a darem a cara pelos seus gostos sexuais, isso não tem nada que ver com estatística de algibeira nem com alterações genéticas. Resumidamente, há seres humanos com pila que têm um gosto desalmado por outras pilas e desdenham orifícios lambuzados e maminhas; há seres humanos sem pila, que desdenham as pilas, a menos que sejam de material sintético e não tragam um gajo peludo agarrado, preferindo orifícios lambuzados e maminhas; há seres humanos que são as verdadeiras Madres Teresa de Calcutá do Sexo, pois tanto amam as pilas como o resto e de esquisitos não têm nada; e há os seres humanos com pilas que preferem o contrário, e o contrário que prefere as pilas. É simples, Dr. Humberto. Portanto, não invente!
 
2. Quanto à teoria de haver menos tarefas de sobrevivência e a mulher mudar o seu papel na sociedade, tendo por consequência os homens reduzirem as hormonas andrógenas e as mulheres desenvolverem menos estrogénio, caro Dr. Humberto, tenho a dizer-lhe que anda a ver pouca televisão e a navegar pelos sites errados na Internet. Pelo contrário, cada vez mais o homem vive para a sobrevivência: desportos radicais, cartões de crédito chupados até ao tutano, a taxa de sete mulheres para cada homem que afinal é uma fraude, o vestuário feminino cada vez mais provocante que coloca em risco de colapso cardíaco quase todas as faixas etárias do sexo masculino, o perigo na condução em cidade, com o dilema das vistas agradáveis, enfim, e por aí fora. Pelo contrário, o papel da mulher na sociedade é cada vez mais o papel da mulher: depois de passada a fase fracassada de quererem dividir tarefas com os homens, as mulheres das sociedades avançadas há muito descobriram que o seu papel tradicional na sociedade tem uma razão de ser, é necessário e dele depende o equilíbrio moral e físico de uma nação – Portugal, que vive ainda a mania de que ah e tal o papel da mulher não sei quê, é, por isso mesmo, um poço de adolescentes psicologicamente muito doentes e jovens adultos com bolhas de mel acima da linha do nariz, arrastando o país para um buraco escuro e mal cheiroso. Além do mais, pelo que se vê na Internet, a mulher está bem longe de se afastar do seu papel de objecto sexual.
 
3. Essa de os órgãos atrofiarem lentamente, é que não lembraria nem ao Diabo! Chama-se a isso ficar velho jarreta e acontece invariavelmente aos idosos que conseguem chegar aos 81 anos! Esse seu curso de medicina deve ter sido tirado em África, através de toques de tambor, não?
 
4. A ideia de que as quecas existem para procriar… bem, não sei que lhe diga. Alguém o enganou bem enganado. Mas, deixe-me fazer-lhe ver a luz. Isto é muito simples. A queca existe porque a malta gosta, ok? Sabe bem. É como ir a um bom restaurante, porque se quer ir satisfazer a gula. A procriação é apenas um efeito secundário. Se as quecas não fossem tão saborosas, acha que havia tanta gente no mundo? Claro que não! Nem metade! Francamente! Portanto, os seres humanos continuarão a dar cambalhotas com quem lhes souber melhor: com a prima, a namorada, a namorada do amigo, a vizinha da frente, o engate de verão, a nadadora-salvadora, a ovelha, o amigo, o amigo do amigo, o amigo e o amigo, a namorada e a amiga da namorada, a mãe da namorada, o pai da namorada, enfim, é conforme os gostos e a disposição.
 
5. Acha que é positivo? Acha mesmo? Você deve é gostar de levar com o duro entre as nádegas, não é? Tanta coisa, tanta afirmação parola, só para um dia destes justificar-se ao ser apanhado com um rapaz de 23 anos no convés de um iate, todos nus e besuntados com óleo de coco.
 
6. No que toca à virilidade dos homens e à masculinidade das mulheres, julgo que é meu dever dar-lhe uns quantos conselhos. Primeiro, deixe de conviver tanto com larilas efeminados, meta obras em casa e aproveite para conviver com os trolhas musculados e peludos. Segundo, esqueça as suas irmãs, as suas cunhadas, as amigas das irmãs e das cunhadas, esqueça até as suas sobrinhas; aponte faróis às sobrinhas-netas, às netas, às amigas das netas, às amigas das sobrinhas-netas, às namoradas dos netos e dos sobrinhos-netos, enfim, a toda essa diversidade de carne fresca no feminino, observe com atenção, esqueça a sua vincada faceta de larilas e aprecie: as mulheres estão cada vez mais femininas, cada vez mais bem tratadas, cada vez mais bonitas, cada vez mais sensuais e cada vez mais apetecíveis.
 
Termino desejando-lhe umas boas férias de verão com o seu namorado. Ao menos, que seja um jovenzinho com as nádegas firmes a abanar e uns tiques nos bracinhos, como decerto aprecia.
 
Com os meus melhores cumprimentos,
 
pickwick 
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007
Memórias à esquerda
Outro dia fui a Inglaterra. Como quem vai ali a Coimbra beber uns copos. Vai-se bem de avião até Inglaterra, naqueles voos suspeitos, baratos, com mais hospedeiros do que hospedeiras. Aliás, nestes voos, não há hospedeiras. Há, apenas, umas sopeiras que se vestem como quem vai para um desfile de Carnaval, com roupas pedidas às amigas e primas. Numa companhia de aviação a sério, a circulação das hospedeiras pelos corredores tem mais audiência do que qualquer outro acontecimento a bordo. Nestes voos baratos, bem, só nos resta olhar para os decotes das companheiras de viagem, quando as há, ou mirar pela janela, para o infinito, entre dois suspiros de infelicidade. Nestes voos baratos, não há sofás: os bancos têm ar de bancos de jipe, duros e desconfortáveis, com cintos de resistência duvidosa. Não oferecem comida, nem bebida, nem sequer um copinho de Coca-cola; uma sandocha ordinária custa tanto como uma ida a um rodízio à brasileira. Tudo tem um ar suspeito e, tanto na ida, como na vinda, ia jurar que um dos hospedeiros de bordo era larilas. Se calhar fiquei com essa impressão por causa daqueles gestos que são obrigados a fazer para fingirem que explicam como é que os passageiros se salvam no caso de o avião cair ou chocar contra o Big Ben.
 
À saída do aeroporto, já agoniado com tanta gente doente com quem me cruzei e que abunda naquelas paragens, esperava-nos um carro alugado. Uma bomba, um Fiat Punto novinho em folha. Já passava da meia-noite, o que era uma vantagem para quem se ia iniciar na condução à esquerda.
(Bom, iniciação, não é bem. Em tempos idos, há mais de duas décadas, vivi uns anos num lugarejo onde se conduzia pela esquerda. Na altura, ri-me que nem um perdido no banco de trás do Honda da família, enquanto a minha mãezinha treinava a condução à esquerda, a bater constantemente com o braço direito na porta à procura da manete das mudanças, a guinar o carro de um lado para o outro e a praquejar como se fosse a conduzir uma carroça puxada por mulas teimosas. Depois habituou-se. Eu, na altura, também me habituei a conduzir a bicicleta pela esquerda, até porque, quando se é jovem, tudo é mais fácil de aprender. Embora, devo confessar, o regresso a Portugal tenha sido marcado por alguns incidentes menores, com a minha pessoa a protagonizar momentos de grande emoção ao entrar rua-sim-rua-não em sentido contrário, a pedalar ferozmente na minha bicicleta, completamente baralhado com os sentidos.)
 
Sair do parque de estacionamento até não foi muito difícil. O carro cheirava a novo, o que ajudava a aumentar o stress. Logo na primeira estrada que apanhámos, o meu co-piloto deu largas à fome que o vinha a assaltar desde a saída de Portugal, engolindo de forma selvagem apetitosas batatas fritas de origem suspeita. Eu só queria que o meu co-piloto me co-pilotasse e me repetisse “pela esquerda! pela esquerda!” para eu não fazer nenhuma asneira… mas não… limitou-se a encher-me a boca com batatas fritas e a voltar a encher a dele com o mesmo repasto. Às tantas, sucumbi ao stress de conduzir pela esquerda, de noite, a bater constantemente com o braço direito na porta, com um fedor a fritos no ar; e parei o carro. Para comer, claro. Finda a comida, arrancámos, sendo que o meu co-piloto prestou-se ao auxílio que lhe competia, com um sorriso sádico em face da minha atrapalhação ao volante. Até que entrámos numa auto-estrada. A partir daí e praticamente até acabar os 250 km de viagem até à costa, o meu co-piloto não fez mais nada senão roncar. Enfim. Achas bem, ó co-piloto?
 
Chegámos ao destino por volta das cinco e tal da madrugada. A cidade portuária dormia. Só umas gaivotas se armavam aos cágados, a darem às asas feitas doidas. Dei uma volta pela cidade, para fazer o reconhecimento ao local, ver pontos-chave para o dia, fixar referências e apreciar os barcos. Fui estacionar o bólide já na periferia do centro, numa zona habitacional, onde não se podia estacionar mas eu só ia parar para roncar um bocado. Lá para as 8h00, já não se podia. A calmaria da cidade foi substituída pela rotunda do Marquês do Pombal em hora de ponta. Que confusão. E tudo pela esquerda. Felizmente, o programa do dia era para andar apeado, daí que fomos deixar o carro ainda mais além, perto de umas casas, onde, finalmente, não havia proibição de estacionar. Desde o ali até ao mais além, note-se, foi um caso sério, um drama rodoviário, com cruzamentos pela esquerda, rotundas pela esquerda, setas pela esquerda, pombas e gaivotas, avenidas e bicicletas, uma grandessíssima confusão!
 
A pé anda-se melhor, naquele país. Fomos apanhar um barco para uma ilha, onde fica uma espécie de reserva natural que queríamos visitar. Era Julho, estávamos em Inglaterra, mas havia mesmo necessidade de chover torrencialmente e fazer uma violenta ventania e o mar estar todo picado e o barco ir carregado de pessoas e bagagens? Claro que não. Mas foi assim mesmo! Sem condições! Na ilha, não havia animais. Só pavões pirosos. E árvores. E gente. Fomos enganados. Os ingleses não têm noção do que é uma reserva natural. Tem que ter javalis, raposas, ratos, cobras, sapos, mais javalis, doninhas, mais ratos, lagartos, caçadores, piqueniques, carros com casalinhos em movimentos suspeitos, lixo, mais ratos, pescadores, preservativos usados, açores, pardais, codornizes, patos bravos, garrafas de água vazias, melros, latas de atum ferrugentas, formigas, rãs, beatas, etc. Os ingleses não percebem nada disto! Enfim.
 
E comida? Bem, para começar, em Inglaterra não há ingleses. É tudo um mix de gente. Logo, não há gastronomia britânica. Se houver, por favor, não lhe chamem gastronomia. Chamem-lhe outra coisa qualquer. O remédio, era mesmo comer no belo do Mac. O menuzinho Big Mac, a cocacolinha frescola e a batatinha fritola. E o café! Que nojo! Servem os cafés logo pela manhã em baldes, com sabor a… a… a baldes de meter a esfregona e limpar o chão, é o que é! Aquilo não parece um país. Parece é o Algarve. Ou o Allgarve. Ou whatever! Até no supermercado tudo tem um ar suspeito. Bom, tudo, não. No supermercado, o que choca mesmo é a falta de guardanapos, esse instrumento de utilidade múltipla e fineza imensa. Francamente, um gajo ao fim de oito minutos dentro de um supermercado naquele país fica com uma vontade quase incontrolável de começar a derrubar prateleiras, pegar fogo às hortaliças e estilhaçar tudo o que é de vidro. Mais valia ir daqui com umas latinhas de Bom Petisco e três chouriças para assar.
 
Preços e lojas são mais duas coisas que se me ficam aqui atravessadas. Tudo é caro. Um gajo quer sacudir a pilinha num mictório, toma lá 20p! Um pêssego, toma lá quinhentos paus. À hora de começarmos a descobrir as lojas que interessavam, estão elas a fechar, ainda a meio da tarde, com os vendedores a rumarem não sei para onde, provavelmente para o descanso das suas casas. Onde é que os ingleses passam o tempo?
 
Resta terminar com a constatação de que a cueca-fio-dental está em Inglaterra para ficar. Descaradamente! Daqui a muitos anos, o estudo universitário de um conceituadíssimo cientista revelará alterações evolutivas no corpo das mulheres inglesas, resultantes da fricção sistemática do fio dental da cueca com o mesmo nome. Em que se vai transformar toda aquela depressão geomorfológica entre-nádegas que abrange o mítico buraquinho-onde-o-sol-não-brilha? Uma imensa crosta? Mulher que se preze, não deve insistir na cueca-fio-dental. Se gosta da sensação, que convide o parceiro, amigo ou vizinho, tanto faz, para, com o suave toque das pontas dos dedos, fazer-lhe o gostinho. pickwick
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Sábado, 24 de Março de 2007
Pele ao léu

Às vezes farto-me de ver tanta pele feminina ao léu. À mostra. É como aquele dito popular, de que “tudo o que é demais enjoa”. Pois, tenho a dizer que começa a enjoar. Ligeiramente! Mesmo com algum frio, ou com pouco calor, como se queira, as gajas andam com uma mania desabrida para terem sempre a cintura ao léu. O umbigo, as bochechas-laterais-bóias-de-salvação, o fundo das costas, ah e tal. Quando a elegância é inegável, é bonito de se ver, e eu sou um grande apreciador. Mas a coisa toma facilmente contornos pouco agradáveis, quando todas as gajas se lembram de andar nestes preparos, nem que tenham bóias que chegassem para alimentar um esquimó durante três semanas. Fica mal, pronto! Fazem de propósito? Claro que fazem! São umas… umas… enfim… umas endiabradas! Para não entrar por outro caminho. Ao menor gesto que implique levantar os braços acima da linha dos ombros, fica logo ali tudo a ver-se, a pele sedosa, às vezes o elástico da cuequinha de cores garridas, ah e tal. Já há uns tempos tinha reparado que a Gorety (nome de código) fazia parte do grupo que adora exibir a pele. É uma trintona discreta, pouco dada a gorduras para além daquelas que chegam com a idade, mas que nunca mete as camisas e blusas por dentro das calças. É sempre com a fralda de fora, e sempre de fralda curta. Mesmo quando o tempo não está para calores. A Gorety é como a Maria: é elegante, formosa, sexy, apetitosa, mas tem uma fronha que mete medo a qualquer um numa ruela escura. Hoje, calhou estar mais de uma hora na mesma sala com a Gorety, facto que não me causa qualquer transtorno por si só. Contudo, passadas algumas dezenas de minutos, calhou passar atrás da Gorety, que estava sentadinha numa cadeirinha e ligeiramente inclinada para a frente, nos seus afazeres. Espero não ser mal interpretado, mas o meu olhar foi atraído inocentemente para uma área corporal extensa completamente a céu aberto, ali por jeitos de quem não quer a coisa mas acabam-se as costas e ah e tal. Área extensa e geometricamente pouco convencional. Olhei melhor e… não vale a pena disfarçar, era mesmo o rego do cu! Também não vale a pena estar com paninhos quentes, que ah e tal era o entre-nádegas, o ribeiro do rabiosque, o refego dos quartos traseiros, o vale dos glúteos, o desfiladeiro nadegueiro, blá, blá, blá, ah e tal, porque não! Era mesmo o verdadeiro, o único, o inconfundível, o senhor rego do cu. A minha primeira tendência foi para exclamar um “Uiiiiiii” melodioso e começar a bater com o pé no chão e a uivar desalmadamente, mas o decoro falou mais alto e engoli qualquer trejeito brejeiro que me viesse a subir pelas goelas acima. Passei adiante, a fazer de conta que estava chocado com aquela ordinarice fruto de uma moda decadente. A moda das calças de cintura descaidíssima, cuequinhas enfezadas e escondidas, camisas e blusas curtinhas, ah e tal. Gostava de saber o que é que as gajas ganham com isto tudo? Aliás, o que é que ganharam com a revolução da mini-saia? Ar condicionado para as partes baixas? Um caminho mais curto entre o nariz dos homens e algum aroma íntimo? E hoje em dia? Querem freneticamente arejar o rego do cu para quê? Problemas de flatulência por causa daquelas porcarias das fibras e dos corpos danones e dos iogurtes magros? E a barriga sempre à mostra e ao léu é para quê? É algum sistema de arrefecimento da zona intestinal para amortecer gases? Ou acham que a exposição continuada ao frio provoca uma utilização mais intensiva das células, ao ponto de derreter gorduras, celulite e outras porcarias que se agarram à chicha como as lapas aos rochedos? Francamente!... pickwick

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