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Sexta-feira, 30 de Junho de 2006
A Síndrome de Arlete
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

A primeira Arlete que eu conheci na minha vida, era colega de casa de uma fulana que me cativou o olho. Viviam juntas, na mesma casa, portanto, todas estudantes universitárias, mais a irmã da Arlete. Depois de ter cativado o olho e lhe ter dado a volta, à amiga da Arlete, passei a ser cliente mais assíduo da casa, com todos os transtornos que isso traz, com os amigos e as visitas e os jantares e aqueles disparates todos que se fazem num primeiro ano de universidade. A Arlete, apesar de ser uma miúda aparentemente simpática, com quem se podia falar, era foleira como o galho de uma oliveira atropelada por um tractor. Lá estou eu com o trauma das gajas foleiras, mas as verdades e os factos não se devem esconder, a bem da vitória de Abril. Continuando. A Arlete era gorducha, muito morena, cabelo preto aos caracóis, dentes muito brancos e foleira, pronto. Metia-me impressão como é que poderia alguma vez haver um homem normal que quisesse alguma coisa com ela. O Zé, meu colega de curso e meu amigo, quis. Casou-se com ela e já tinha 2 filhos da última vez que soube deles. O Zé até era um gajo porreiro, mas, francamente… Enfim, eu escusei-me de lhe explicar que aquela gaja era foleira à brava e que a universidade e a cidade estavam cheias de miúdas com aspecto mais acolhedor e feminino, pois ele prestar-se-ia imediatamente a um ajuste de contas à moda de Mirandela, a terra dele, e não íamos querer cenas destas, pois não? A segunda Arlete que eu conheci, era da mesma idade da outra Arlete, mas com um desfasamento temporal de cerca de vinte anos. Fica bem dizer desfasamento temporal, é quase tão sofisticado como dizer time offset ou outras coisas giras do mesmo género que invadiam as aulas na universidade. Bom, esta Arlete, que é da terra onde agora vivo, é uma XXXX. Não pratica, profissionalmente, mas tem toda a parte depreciativa inerente. Ou seja, tem as mãos foleiras e acastanhadas pelo excesso de tabaco, tem os dentes tipo monstro-das-bolachas depois de comer o filme inteiro da “Carlinhos e a Fábrica do Chocolate” e levar de seguida uma joelhada nas mandíbulas, é mal feita, usa decote para mostrar ainda melhor o quão mal feita que ela é, e, pior que tudo, no dia de Carnaval de 2002 atirou-me um ovo à fachada da casa, minutos depois de eu recusar dar não-sei-o-quê ao bando de mascarados que andavam a correr todas as casas a pedir não-sei-o-que-mais. Por causa do ovo, que se cola que nem tinta à parede, passei quase uma hora em cima de um banco a escovar a fachada da minha casa. Se fosse uma gaja jeitosa, eu ainda desculpava, pronto, as miúdas giras têm direitos que as foleiras não têm, nomeadamente atirar ovos às fachadas das casas em época de Carnaval. Mas sendo assim, não há pão para feiosas. Eis, então, que surge a terceira Arlete. Ora bem, a Arlete é uma capanga da minha patroa. Eu já a conhecia de uma reunião anterior, mas, na quinta-feira, conheci o que pior há nela. Imagine-se: uma mulher quarentona, feia que nem uma morsa depois de ser violada por um cachalote muito macho, corpo muito disforme com proeminências estranhas em locais que não os seios, com um sorriso extremamente amarelo a lembrar a bocarra da traseira de um camião de recolha do lixo, e, chiça!, toda vestida de branco. O branco, como todos sabem, para além de ser transparente, o que fica muito bem nas mulheres jeitosas que gostam que os homens saibam a cor da lingerie e a sua preferência por fio de limpar os dentes, ajuda a dilatar o efeito visual que o corpo provoca no olhar do observador. O vestuário preto, pelo contrário, dá o efeito de emagrecimento, daí que esteja sempre na moda. Ora, como é que uma mulher destas se lembra de vir para uma reunião vestida de branco? Mas, como? Será louca? Mais louco será o marido. Sim, porque, ou é para disfarçar, ou a anilha de pombo que trazia no dedo quer dizer que há um homem (cada vez tenho menos esperança na nossa raça) que se casou com ela. Casar, ainda vá, pronto, é um gesto bonito e podia ser por condescendência. Mas, eu estou capaz de crer que há, de facto, um homem que durma com a Arlete. Ó pá! Por favor! Que tome uns comprimidos todas as noites para adormecer compulsivamente e não ter que se sujeitar ao sacrifício indescritível que é atender às necessidades sexuais da Arlete. Ou atire-se da janela. Ou atire-a a ela pela janela. Também tenho a mania que as miúdas chamadas Telma são muito peludas, mas isso é outra estória. pickwick
música: Ugly – Sugababes
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publicado por riverfl0w às 21:26
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Terça-feira, 27 de Junho de 2006
Tratado das meias
Não sei o que dizer sobre meias cor-de-rosa. Desde que um fulano teve o atrevimento de me sugerir uma camisa cor-de-rosa, a mim, que levava umas calças coçadas e uma barba asquerosa por fazer, tudo é possível. Mesmo assim, continuo a achar que meias cor-de-rosa é mesmo só para gaja. E, há que concordar, fica-lhes muito bem. Aliás, às gajas, sejam miúdas ou mulheres feitas, as meias ficam bem de qualquer cor. Acho. Pois, pensando melhor, há meias que ficam mal às gajas. São aqueles tipos de meia de vidro, de cor azul-a-fugir, que mais parecem os cortinados nojentos e meio transparentes das casas de pornografia barata. Fica assim a ver-se a pele por baixo, meio azulada, tipo uma perna com um torniquete, prestes a ficar inutilizada e a precisar de uma amputação. Mas, pronto, fora essas meias, todas as outras ficam bem nas gajas. Incluindo as cor-de-rosa. É melhor não entrar naqueles pormenores das meias brancas até ao joelho com uma saia axadrezada, tipo “plaid”, ou só até ao tornozelo, de renda, com saia rodada acima do joelho, porque isso deixa-me assim um bocado descontrolado… e a espumar… Ah! Lembrei-me de outro tipo de meias que ficam altamente pirosas: as meias às riscas horizontais multicores. Especialmente se forem até acima dos joelhos, tipo pipi-das-meias-altas. Ah… essa depravada de totós e sardas foleiras! Com bonequinhos, tipo rato Mickey ou os estrunfes, também ficam muito bem, assim curtas, a querer fazer passar um “quê” de sensualidade inocente e teenager. Um tipo de meias que ficam muito bem numa gaja são aquelas de lã grossa, de meia canela, para usar exclusivamente no Inverno rigoroso, e só em casa, com “lingerie” curta, em cima do sofá e ah e tal. Bom, há uma versão destas meias que ultimamente anda na moda e que, francamente, dão tão mau aspecto como um velhote de bengala com umas chuteiras da Adidas calçadas e passear-se no Museu da Vista Alegre. Falo daquelas meias de lã grossa com pitons antiderrapantes. Ou seja, umas bolinhas super-pirosas que evitam aquele prazer milenar de deslizar no soalho lustrado dentro de um par de meias. Uma aberração do comércio, é o que é. Depois, vêm as meias para homem. Ora bem, essas querem-se grossas. Porquê? Para amortecer os pontapés. Não estou a falar em pontapés nas bolas, mas sim noutras coisas da vida. Como gajas, gatos, gatunos e outras coisas começadas com “ga”. As gajas, segundo reza a história, acham que aos homens ficam mal meias brancas e ah e tal, mas nunca as vi a olhar-me para as meias. Não sei quem inventou essa história, mas é um profundo disparate. A meia branca é mais barata, é mais pura, serve para praticar desporto e fica muito bem como pano de limpeza no “cockpit” do veículo. Eventualmente, e aqui fala a experiência, uma meia branca bem enroladinha, em forma de esfera mal feita, torna-se uma excelente bola de micro-basquete, para aquelas noitadas em que não cabe nem mais uma cervejola no bucho. Mas, a parte que mais me impressiona nas meias - e que ainda não sei muito bem se é pela positiva ou pela negativa - é o sexo. Fazer amor, portanto, para os mais pudicos. Sexo de meias, de peúgas, a bem dizer. Os corpos nus, suados, a brilharem ao luar, upa-upa… e… dois pares de meias calçadas. Assim contado, parece um bocado piroso. Especialmente se um gajo se levantar para espairecer e andar a passear todo nu pela casa, pilirau ao pendurão como os pêndulos dos relógios, com um par de meias calçadas. Realmente, assim descrita, a cena parece mesmo pirosa, mas no Inverno o chão está frio e um gajo distrai-se. Lembro-me, muito vagamente, de ter, ao longo da minha vida, dado de caras com outras versões de meia-de-gaja, coisas de meter medo ao susto, de cores indescritíveis e padrões muito enjoativos. Por uma questão de qualidade de vida, fiz-lhes um “erase” no “memory stick”, ficando apenas gravado os esgares de desagrado associados ao choque da vista. Meninas, mulheres deste mundo, por favor, não comprem meias pirosas! Por favor! Não estraguem a paisagem, está bem? Obrigado! pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:33
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2006
Vestido de chimpanzé
O fim-de-semana passado foi mesmo em cheio. Para além de ter acordado com um corpo nu ao fim da sesta de sábado e de ter enchido a fronha da minha patroa com dardos lançados a meias com uma amiga, também fui às compras com outra amiga e ainda fui almoçar a um restaurante altamente romântico, numa cave e uma ementa de picanha deliciosa, com outra amiga. Ou seja, 4 mulheres num único fim-de-semana. É o que se chama ter bom proveito. Bom, mas não posso deixar passar em branco essa bela actividade que é ir comprar roupa. Especialmente roupa para ir a um casamento. De outra pessoa que não eu, está claro. Cada vez que passo em frente de uma loja de mariquices para casamentos, não consigo evitar uma careta de enjoo e um abanão de cabeça. Nem sei bem que palavras serão melhor empregues, mas é uma coisa que me fascina pela negativa. A minha prima vai desembolsar a módica quantia de cerca de 300 contos para pagar um vestido piroso. Tem de ser piroso! Só pode. As noivas ficam sempre pirosas, e quanto mais querem parecer bonitas, mais monstruosas ficam. Acho que, em todos os casamentos que já fui, fiquei sempre a comentar para comigo mesmo: “poxa… a miúda até não era feia… mas agora assim…” Se, por um lado, empastam-se com quilos de maquilhagem foleira, ficando com aquele ar de nativas de África que põem uma camada de bosta de búfalo no rosto para tratar a pele, por outro lado, vestem-se com as vestimentas mais abobalhadas que algum criador embriagado inventou, com uns folhos e umas rendas e umas pirosices indescritíveis a rojar pelo chão. É mesmo piroso, a sério. Parecem ursas num circo falhado de aldeia. Ao menos os noivos safam-se com mais facilidade, envergando um fato e mais nada. Claro que há os que gostam de fazer parceria com a ursa da noiva, e compram uns fatos todos artilhados, com folhos maricas a sair das mangas e outros adereços de que não há memória. Enfim, é tudo muito foleiro. Daí que, ao ir às compras, tive que me sujeitar à oferta, dentro dos limites do reino animal. Ou seja, animal por animal, que seja um mais próximo do homem. Os ursos, como toda a gente sabe, descendem dos peixes, logo não têm nada a haver com o bicho homem. Assim, o animal mais próximo será o chimpanzé, e foi à cata disso que entrei numa loja: para comprar roupa que me deixasse com ar de chimpanzé. Se no capítulo das calças a coisa correu bem, já na parte da camisa o funcionário da loja correu alguns riscos quando sugeriu uma camisa cor-de-rosa. Eu ainda fiquei atónito a olhar para uma camisa cor-de-rosa (realmente cor-de-rosa) na prateleira das camisas para homens, como se houvesse algum engano, mas o funcionário prontificou-se a garantir que se usava muito. A minha amiga compactuou com o funcionário nesta trama de convencer os homens - esses animais másculos, viris, de peito varonil e muitos pêlos a saltar pelo colarinho – de que usar camisas cor-de-rosa é fashion. Mas como é que alguma vez no mundo usar uma camisa cor-de-vomitado-de-mousse-de-morango pode ser fashion???? Bom, de entre as cores foleiras que povoavam a loja, acabei por ficar-me com uma cor-de-pérola-não-sei-de-que-porcaria-de-recife. A seguir, foi o trauma das gravatas. Eu acho as gravatas ao mesmo nível da bolinha que os palhaços usam no circo, mas enfim, aqui a situação era uma boa causa: fazer a vontade à minha mãezinha, que muito preza as gravatas e outros adereços que fazem de qualquer homem decente um autêntico urso. A ideia até era boa, as cores das gravatas é que são um escândalo. Não têm cabimento, a sério. O expositor rotativo parecia uma terrina de sopa cheia de vomitado de um banquete, uma mistura entre vómitos de bifes de novilho, bacalhau com natas e muitas sobremesas. Pensei, por várias e muitas vezes, em virar costas e sair disparado da loja, mas a minha amiga não ia achar piada e depois nunca mais ia falar comigo e pronto, sucumbi à azia de ficar com uma gravata cujas cores já não me lembra, mas que parece uma espécie de preparado de enguia para fritar. Na loja da frente, a sapataria. Posso resumir a aventura na sapataria desta forma: vim-me embora com uns sapatos por um preço aceitável, mas que, tal como a esmagadora maioria dos sapatos nas sapatarias, tem um formato horrível: um bico-de-pato-com-gripe. Os sapatos dos palhaços são do tipo bico-de-pato-inchado-depois-de-um-sopapo. Estes que comprei são bico normal, apenas com gripe. Enfim, no final, o conjunto completo é tal e qual um chimpanzé. Só me faltou comprar um bocado de corda e um pneu. pickwick
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publicado por riverfl0w às 20:06
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Domingo, 18 de Junho de 2006
Colares de pérolas e dardos na patroa
Há fins-de-semana que nos apanham de surpresa. Ou surpresas que nos apanham ao fim-de-semana. Neste que agora mesmo findou, acordei a meio de uma bela tarde de sábado com uma bela princesa na minha cama. Estava toda nua e tinha um colar de pérolas tipo cor de uva ainda a tostar ao sol. Ora, como todos sabem, faz parte do sonho de qualquer macho que se preze acordar com uma bela princesa toda nua na sua cama. Com ou sem colar, sem ou com pérolas. É bonito, é sensual, é apaziguante, é relaxante. Está calor, cheira a férias, cheira a outras coisas que não são para aqui chamadas e sabe bem. Quando se traça um quadro assim, imagina-se um ambiente condizente e requintado, “à matador”, portanto. Contudo, neste fim-de-semana, a única coisa que se aproveitava deste quadro era mesmo a bela princesa com o seu colar de pérolas, porque o resto, bem, era o caos: um quarto com 1,5x3,0 m, que não passa de um cubículo; dois sacos-cama usados, abertos à toa e a necessitarem de uma máquina de lavar; um estendal portátil para secar roupa, atulhado com o conteúdo de duas máquinas de roupa cheias, num mix divertido e colorido de t-shirts, meias foleiras e cuecas másculas; livros e revistas empilhados debaixo de pilhas de pó; uma caixa da roupa suja perigosamente aberta, sujeitando quem passe a cair lá dentro; roupa que já não sei se está usada ou lavadinha de fresco, espalhada em cima de tudo e mais alguma coisa; e uma cama que foi um sofá rasca em metal e que milagrosamente sobreviveu a 140 kg. O que me vale é que esta princesa não é mariquinhas, senão o acordar a meio da tarde teria sido o fim do mundo. Ah, falta só acrescentar um pormenor sobre o ex-sofá rasca: aguenta mais do que 140 kg… tem a haver com aquela cena da física, sobre a energia cinética e etc. Mas isso, é outra estória. Também neste mesmo fim-de-semana, dei comigo a partilhar vivamente com uma amiga íntima, muito íntima, uma mão cheia de amarguras derivadas da estupidez crónica da nossa patroa. E como se partilha devidamente uma amargura? Bem, há várias maneiras… Mas acabámos por encontrar uma forma reconfortante de afogar as amarguras. Para tanto bastou um computador com Internet, uma impressora e um jogo de dardos afiados. Vai-se à Internet, saca-se uma foto da nossa patroa, imprime-se, prega-se no alvo redondo, dá-se uns passos atrás, e zás! Confesso que acabámos por divergir ligeiramente na zona a atingir. A minha amiga, que é uma amiga íntima, tinha uma predilecção mórbida por atingir o coração. Era tanta a predilecção que recortou um coração em papel amarelo e colou-o sobre o externo da fotografia da nossa patroa. Eu ainda lhe tentei explicar que o coração fica mais ao lado, ah e tal, mas ela não quis saber, ficou mesmo ao meio e pronto, bota os dardos para cima. A minha preferência foi para a zona da cabeça. A testa fica sempre muito bem com um dardo bem espetado, idem para o queixo, mas o melhor de tudo é mesmo num olho. É artístico e fica bonito. E enfim, podia dar-me para pior. Às tantas, o mal é sono… pickwick
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
Surprise!
Surprise, como os mais cultos devem saber, quer “dizer surpresa”, em húngaro, ou noutra língua qualquer. Tanto faz a língua. E surprise porquê? Porque a miúda estava pacatamente a estender roupa no estendal (eu encomendei especificamente umas pernas, mas não me quiseram fazer a vontade) quando surgiu o artista e a retratou assim. Surpreendidíssima. Presumindo que a roupa estendida seria a roupa a vestir de seguida, nomeadamente umas botas pretas (ficam sempre sexy), uma camisola de gola alta laranja (já vi cores mais bonitas) e… e… bem… o que aparenta ser uma saia moderna, às listas verdes e brancas. Tanto faz que seja uma saia branca às listas verdes, como uma saia verde às listas brancas, desde que o verde não seja brando, nem vice-versa, porque aí é que ia ser uma grande confusão para a miúda. E é escusado alguém vir alegar que aquilo é uma toalha, porque não é. É uma saia, nota-se logo, até porque não há mais nenhuma peça de roupa para usar abaixo da cintura, o que imediatamente leva à brilhante conclusão que aquilo é a saia. O modelo da saia, isso sim, é o modelo sai-do-banho-enrolada-na-toalha, também muito sexy! Mas há outras coisas que faltam no estendal e que me levam a conjecturar. Outras coisas como uma cuequinha. Podia ser uma daquelas tipo fio-de-seda a fazer comichão nos pêlos do rabo. Mas nem isso. Não tem nada. E, para cima, para os apetrechos de amamentação das crianças, também não há nada que sirva de suporte ou, ao menos, de preservação do pudor. Nadinha. É uma opção de vida da miúda, entenda-se e respeite-se. Trata-se, obviamente, de uma galdéria, mas pronto, de galdérias e de peruas está o mundo cheio, que no inferno não as deixam entrar. Ao olhar para o rosto pretensiosamente surpreendido da moça, ocorre-me que nunca surpreendi uma miúda nestes preparos. Nem miúda, nem graúda, nem nestes preparos. É uma daquelas coisas da vida que apenas imagino através dos filmes. Será que só acontece nos filmes? Não sei, mas fico sempre com a impressão que não há miúda que seja realmente surpreendida assim. Ou nunca é apanhada de surpresa, ou se é apanhada, não é surpresa nenhuma, antes pelo contrário, é o satisfazer de um sonho íntimo e tal. Eu sei que estou a ser maldoso, mas os factos especulados são para ser relatados sem omissão. Sobre a miúda do estendal, apanhada de surpresa, devo acrescentar apenas que é desdentada. Eu não aprecio miúdas desdentadas, até porque depois não são capazes de dar umas trincadelas sensuais na carne alheia, mas deve haver quem aprecie profundamente miúdas desdentadas. Provavelmente, especulo eu, por razões de ordem técnica no decorrer de algumas actividades mais em privado. Neste mundo, há de tudo, como sabemos. Mas, recordo-me agora de uma história de uma miúda que foi, de facto, surpreendida com os pêlos púbicos arejados. Contaram-me há anos atrás e acredito piamente que a história é mesmo um facto. Passo a descrever. M (nome fictício para preservar a identidade de uma miúda que eu nunca conheci nem me lembro do nome) era uma estudante universitária e, tal como a maior parte das estudantes universitárias, transformou-se rapidamente numa galdéria espevitada e aluada (das que uivam à lua). Longe dos pais, a liberdade esticou-se até não poder mais, até aos limites de tudo o que pudesse ter limites. Certo dia, mais um dia daqueles dias banais feitos de aventuras e traquinices, juntou um grupo de amigos no apartamento alugado, na cidade. Amigos e amigas, que resolveram proporcionar uns aos outros uma actividade lúdica, recreativa e desportiva, banalmente conhecida como orgia. Para os que não sabem o que é uma orgia, é tipo numa festa com vinte lésbicas de olhos vendados dentro de um tanque cheio de peixes e enguias. Uma festança! Ora, calhou que, nesse mesmo dia, e não noutro, os dedicados pais que lhe sustentavam os estudos e o apartamento, resolveram vir de lá do sol-posto, qual caravana em peregrinação, para fazer uma visita de surpresa à adorada filha universitária. Vieram, chegaram, bateram à porta e foram atendidos por uma filha toda nua, com um fundo de jovens possuídos e desabridos, todos nus e suados, com música ambiente de gemidos e garrafas a tilintar. A isto, sim, chama-se uma “surprise” e uma miúda surpreendida! pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:24
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Sábado, 13 de Maio de 2006
As vacas, o amor e a vida
Há um filme, giríssimo na época, que tem o título ao contrário: a vida, o amor e as vacas. Tomou esse título, provavelmente, em função do grau de importância de cada um destes conceitos. As vacas eram mesmo vacas, daquelas de pêlo e cornos, que levavam cobóis a passear pelas planícies para passarem o tempo e ganharem algum para pagarem o uísque que consumiam avidamente para tentarem convencer-se uns aos outros - e aos demais - que eram homens do carago. Sendo assim, a vida tomava uma importância maior, seguida pelo amor, essa sacanice maldosa de quem criou o bicho Homem. Passados poucos anos sobre o filme, percebi que a ordem estava trocada e que o centro da vida era mesmo a raça bovina. Daquelas vacas que a gente sabe. Na altura, não me poupava a dissertações sobre a psicologia da vaca, aproveitando o facto de ter muito tempo livre para o fazer, em vez de estudar como era meu dever. Mais anos em cima e, às custas de mudar de cada X vezes e de tentar organizar os meus haveres Y vezes, encaixotei cartas e cartas acumuladas ao longo de vários anos, entre amigos e namoradas. Sobre estas últimas, mais verdadeiramente sobre uma delas, o volume de cartas era mais que muito, tendo acabado por ficar separadas em mais que uma caixa. Uma delas, daqueles “arquivos mortos” de cartão para entalar numa prateleira, acabou por escapar à remessa que transitou para a garagem, encontrando-se na estante da minha sala, com uma pomposa etiqueta a dizer “Correio da Vaca”. Com uma vaquinha que vinha com o Office, a acompanhar. Não há muitos meses, um dos irmãos da dita, com quem me dou na perfeição, veio cá jantar a casa e, estando de frente para a estante, exclamou entre duas garfadas: “Correio da vaca?! Que é essa m****, pá?”. O outro irmão, também à mesa, conhecedor da origem da coisa e do conteúdo da caixa, sorria de gozo. Eu disfarcei a coisa como pude, e penso que o rapaz nunca irá relacionar coisa com coisa. Enfim, isto das vacas tem muito que se lhe diga. Hoje mesmo, numa troca de sms com um amigo, atolado em conturbados sentimentos atrofiantes, derivados de uma relação amorosa mal acabada, vieram as vacas à conversa. Confesso que a culpa foi minha, pois quando o aconselhei a recorrer à escrita para aliviar o sentimento e o aperto, respondi ao pedido de sugestão de tema com “a vida, o amor e as vacas”. Fi-lo de forma imparcial, note-se, utilizando a sequência original do filme. Não quis, pois, influenciar o homem. O certo é que na sms de resposta dizia que ia para o meio das ruas de Coimbra pintar vacas. Pois, até ouvi hoje na rádio que iam andar vacas em fibra de vidro pela cidade e não sei que mais. Pouco depois, recebi nova sms com um pensamento filosófico que fez questão de pintar numa das vacas expostas ao público: “As vacas vão a todo o tipo de paradas e, se deixares, põem-te a pastar. Isso não é nada bom. Se possível, não aprendas a pastar. Se aprenderes, deixa o pasto enquanto podes. Isso é para elas, as vacas”. Esteve bem, este poeta. Portanto, se alguém encontrar uma vaca, no meio da cidade de Coimbra, com este pensamento brilhante, já fica sabendo que é tudo uma questão de gajas foleiras. E eu, faz de conta que não tenho culpa. Seja como for, devo dizer que fiquei encantado com a profundidade do pensamento. A analogia com o “pastar” é mais que perfeita e encaixa que nem uma luva. Vou dormir sobre o assunto, esta noite, para tentar digerir a coisa. Pela parte que me toca, os tempos de andar a ruminar pelos prados, feito artolas, a rastejar que nem as lesmas, já passou. Mas, pelo que parece, as vítimas não param de surgir. Parece uma sina, esta coisa de sermos convencidos a pastar. Aos que não conseguiram escapar à primeira, ou à segunda, nem às demais, reitero a necessidade de se manter a fé de que um dia será o dia da fuga do prado e a conquista da liberdade! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:19
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2006
O colunato das Baleias
Como toda a gente sabe, os colonos são aqueles gajos que invadem solo alheio, mesmo que o alheio não tenha gente, em busca de uma forma de vida melhorzinha que aquela que faziam de conta que não tinham lá no lugarejo de onde vieram. Invadem, logo, são invasores, e jamais em tempo algum serão “da terra” onde aterraram de escova-de-dentes e bagagem recheada de paninhos de renda e enxadas para estragar o terreno. Há um tipo de baleias que me dá a volta ao estômago: as gajas super gordas. Entenda-se por super gordas aquelas mulheres que se assemelham a um frasco de banha a borbulhar na lata em cima do lume. Aquelas mulheres que têm de puxar verdadeiros cortinados de peles gordurosas só para fazerem as necessidades fisiológicas. Aquelas mulheres que, decididamente, não passam a direito em qualquer porta. Aquelas mulheres que estalam cadeiras em locais públicos, que não cabem num espelho, que já não têm paladar às custas de comerem toneladas de porcarias. Enfim. Um nojo. Invadem locais públicos, esvaziam piscinas, não vão ao cinema porque não cabem nos bancos, e teimam em circular na via pública sem autorização da alta autoridade para a estética mínima. O que eu ainda não consegui perceber, é como é que estas fulanas conseguem arranjar e manter relações com gajos normais. Quer-se dizer, entenda-se por gajo normal um ser humano do sexo masculino com menos de 100 kg (para eu também ser normal, claro). Outro dia vi um filme que me deixou agoniado durante vários dias. Andei com indigestões, prisão da tripa, soltura da tripa, quase vómitos, sei lá. Não me lembro do nome do filme, mas o actor principal sofreu uma conversão por hipnose, que o obrigava a apreciar o lado interior (e belo) das mulheres, transformando o lado exterior delas em algo compatível com o seu sonho. Vai daí, qualquer baleia (ou burgesso de saias) que se lhe atravessasse à frente era vista como a coisa mais linda e jeitosa deste mundo. Entretanto, conheceu uma baleia, que aos olhos dele (que a câmara insistia em mostrar, e era, de facto, muiiiiiiiito boazona e ainda por cima loira) era um sonho de mulher. Mesmo depois de ela escangalhar um banco robusto num restaurante, o rapaz continuava a só ver uma jeitosa de saia travada e cabelos loiros. Bom, lá mais para a frente, um amigo foi ter com o hipnotizador e convenceu-o a fazer regressar o sonhador ao seu estado normal. Mesmo assim, quando eu pensava que o mundo estava salvo e o fulano ia cair em si, então não é que o estúpido resolveu vencer o seu bom senso e bom gosto e manter-se apaixonado pela baleia ?! Acho que no fim até casou-se com ela, já não me lembro, que fiquei tão agoniado que perdi o fim à meada, mas acho que a felicidade foi total e ah e tal. Raios! Já não há decência???? Se fosse apenas um filme, ainda vá que não vá, mas eu tou farto de ver gente assim na vida real, a atravessar-se à minha frente em locais públicos. Gajos bem apresentados, nos seus 65 kg, de mão dada com baleias de 180 kg. Que nojo. Ó pá!... Enfim, é feio diminuir o lado físico dos outros, mas este é um caso de excepção ao qual eu não consigo fugir. Aqueles pensamentos bonitos sobre a beleza interior e ah e tal… eu acho bem, e até sou apologista e crente, mas há limites. Digamos que 100 kg de limite para um máximo de 1,70 m é um valor aceitável. Tudo o que passar daí, francamente, passa a ser assunto para o jornal Incrível ou para um episódio subaquático com o Jaques Cousteau. pickwick
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publicado por riverfl0w às 21:00
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2004
Sua Maluca
Não, não é o nome de um bar gay nem de um barco de pescadores barbudos. É uma expressão! Portuguesa, está claro. Só podia. Aplica-se com alguma frequência, aqui e além, maioritariamente a mulheres, mas também a homens. Quando é a homens, das duas uma: ou é entre gays, ou entre malta com muito bom sentido de humor, sendo que, neste último caso, em 99% dos casos já se ouvem chocalhar umas quantas garrafas vazias em cima da mesa. Quando é a mulheres, ou seja, habitualmente, trata-se de uma delicadeza. É uma forma delicada de chamarmos ordinária, galdéria, leviana, doida varrida, etc. Às vezes, até é a nossa vizinha do lado, e não vamos querer chamar-lhe pelo “outro” nome, pois não? Dizermos “sua maluca” é mais suave, não desperta olhares alheios, não choca velhinhas conservadoras, não fica mal, e até pode ser interpretado de forma positiva. Sim, porque “maluca” também pode ser uma forma positiva de chamarmos alguém, sem usar discursos mais rebuscados nem conteúdos directos. Aí, estamos a substituir uma mistura de engraçada com fofinha, condimentada com atrevida (mas non troppo) e salpicada com um bocadinho de vontade de lhe pregarmos uma beijoca. Dizemos “és uma maluca” com a ternura e a intenção de quem diz “adoro-te”, mas pintada com tinta engraçada. Aliás, e se a memória não me falha, uma das última vezes que disse isso a uma mulher, a minha vontade mesmo era pegá-la ao colo e enchê-la de beijos, embora depois não tenha concretizado a parte do pegar ao colo. E das outras vezes, à mesma mulher, idem. Que não sobrem dúvidas. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:07
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Domingo, 26 de Setembro de 2004
As gajas do meu tempo 2
Este segundo tomo tem o subtítulo “Explicadas a quem não percebeu, e a mim também”. O “paleio inteligente e sugestivo” era de facto um paleio divertido. Um rapazola dos seus 20 anos galanteava uma moçoila um pouco mas velha que ele, já muito mulher e senhora do seu nariz, algures num canal de chat. Ela, que é conhecida pela sua simpatia, não estava muito pelos ajustes com o discurso. A bem dizer, ela até o conhecia e sabia bem a linda prenda que ali estava. Independentemente disso, o rapaz desfazia-se em rasgados elogios e palavras muito românticas. Mandava-lhe rosas. Dizia coisas bonitas. Obviamente ele estava na brincadeira. Eu sei que ele até queria que não fosse na brincadeira, mas há que encarar a realidade de frente, e essa não perdoa. Perante o desdém da moçoila, corri em socorro do rapaz, com o argumento vistoso de que “no meu tempo as gajas não eram assim”. Eu também disse isso na brincadeira. Confesso que não tenho bem a noção se eram ou não eram, ou se as de hoje são ou não são, e isso pouco importa, para ser franco. Mas, entrar em comparações entre o passado e o presente, é sempre meio caminho andado para se dizerem muitas asneiras. Em resumo, dizer que dantes as miúdas gostavam de ouvir palavras bonitas e receber flores, e que as de hoje não, e até acham ridículo se um rapaz vai por esse caminho. Será? Não sei. A questão é que, quando enveredamos pelo caminho da comparação fácil com um passado que vive na nossa imaginação, é provável que estejamos apenas a comparar presenças e ausências. Ou seja, trocado por miúdos (a pedido de alguém), ou temos, ou não temos. Ou temos uma mulher a quem podemos dizer coisas bonitas com cheirinho a romance, ou não temos. E se não temos, é fácil identificar o problema: as gajas dantes não eram assim! Quanto temos, bom, o resto do post também era sobre isso. Ser-se ou tentar ser-se romântico. Até parece que se é intencional. E é-o, de facto. Não se é romântico ficando de papo para o ar a ler o jornal ou de olhos colados na TV. A própria noção de romântico deve ser deixada apenas para ela, que melhor poderá avaliar. Embora romântico e apaixonado sejam uma parelha inseparável. No entanto, quando queremos dar algo, daquele tipo de coisas que não se metem numa caixa, recorremos a uma série de estratégias e malabarismos. Intencionalmente. Sempre intencionalmente. É curioso que, quando falamos em intencional, acende-se sempre o holofote da desconfiança, tornando as intenções sempre de foro maligno. A nossa sociedade ensina-nos a ser assim, desconfiados, pouco crentes e a colocar um gigantesco sinal negativo na palavra “intenção”. A realidade é que, por mais que digamos que não, tudo o que fazemos é com intenção. Senão, seríamos todos uma cambada de asnos atados uns aos outros pela corda da estupidez. Não dizemos à mulher de quem gostamos “adoro-te” sem nenhuma intenção. É muito intencional. Muito mesmo! Saltam logo à vista duas intenções muito óbvias, neste exemplo: uma, porque sabemos que ela vai gostar de ouvir, vai ficar contente, vai sorrir, o ego sobe por ali acima, sente-se feliz, e nós ficamos satisfeitos por isso acontecer; outra, porque muitas vezes não conseguimos conter dentro de nós próprios aquilo que sentimos, e temos uma necessidade incrível de soltar cá para fora esse sentimento, dizer a alguém, contar a alguém, e tanto melhor se é precisamente a pessoa por quem sentimos o que sentimos. E todos os gestos que fazemos, todas as frases que dizemos, todos os beijos que damos, pautam-se sempre por estas duas intenções. Sempre intencionalmente. Depois, vem o medo. Claro, esse! O discurso mais fácil é o de remeter tudo para os tempos de hoje, as gajas de hoje e tudo o mais de hoje. Já os gregos faziam o mesmo. O medo está presente nas relações. Sempre. Em maior ou menor dose, por este ou aquele motivo, está lá sempre. Sentir medo é humano. Só os loucos não o sentem. Sentimos medo dos outros, medo da nossa relação e, pior que tudo, sentimos medo de nós próprios. O rapazola do início do post, por certo que pensará duas e mais vezes nas ocasiões futuras que se prestarem ao desenvolvimento daquelas frases bonitos e rosas virtuais. Sentirá medo. Medo de ser ignorado. Medo de se rirem na cara dele. Medo por não ser correspondido na mesma medida. Medo de não ser compreendido. Traumatizado, algum dia decidirá que as mulheres não querem mais ouvir baboseiras nem serem tratadas como princesas de um conto de fadas. Eventualmente, depois dessa decisão, chegará até ele uma que sempre sonhou ser a princesa do conto de fadas de algum príncipe. Tarde demais! Ou talvez não! Enfim, agora que confundi quem não tinha percebido, e que cada vez menos percebo aquilo que escrevo, chegou a hora de meter o ponto final neste derramamento de trocadilhos. pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:58
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Sábado, 25 de Setembro de 2004
As gajas do meu tempo
Acabei de estar embrulhado num paleio inteligente e sugestivo sobre a reacção das mulheres de ontem e de hoje aos gestos cavalheirescos e de plena devoção dos corações masculinos que palpitam por elas. Tem que se entrar logo no discurso do “no meu tempo”, porque é inevitável. Aliás, até fica bem. Fica bem, mas habitualmente cai-se no disparate da comparação desmedida, da palavra fácil, do julgamento sem argumento, do comentário depreciativo, enfim, é sempre a dar nos costados. Não quero entrar em comparações. Ou melhor, quero, mas discretamente, sem que se perceba que as estou a fazer. Quero comparar, não as gajas do meu tempo com as gajas deste tempo, mas sim quando se tem uma gaja que gosta de ser do meu tempo com quando não se tem essa gaja. Não sei se me fiz entender… Em vez de comparar uma travessa de leite-creme com um balde de comida para porcos, compara-se o quando tínhamos a travessa com quando não a tínhamos. Assim, creio que somos mais fiéis ao que pensamos realmente. Concentramo-nos na riqueza daquilo que temos, em vez de gastarmos energias a pensar no que já tivemos, ou que sonhamos ter, ou no que os outros têm. Há que dar valor, em tempo real, ao que temos. A vida não é fácil para ninguém, e todos os pedaços de felicidade que batem à nossa porta devem ser convidados a entrar e a passar uns anos connosco. Uns longos anos. Mas, a conversa era mesmo por causa da receptividade das moças aos embates dos nossos arremessos de romance. Ser-se romântico não é fácil. Ou melhor… não se é romântico. Tenta-se ser. Tenta-se que esses nossos arremessos sejam recebidos com um sorriso imenso e um galopar do coração. Que haja eco nas nossas palavras, nos nossos gestos, nas nossas vontades expressas de uma forma ou de outra. Quando uma palavra não basta para expressar o que sentimos, multiplicamos as formas de o fazer saber a ela. Com mais jeito ou menos arte, ou vice-versa, lá nos aventuramos a fazer isto ou dizer aquilo. Não há que ter medo! Medo de quê? Que hoje os nossos arremessos sejam ridicularizados? Que pareçamos demasiado lamechas para a velocidade e a frieza com que correm os dias? Ou medo simplesmente de mostrar o que nos vai cá dentro? Quem tem medo, compra um cão! Ou escreve num blog! Ups!... Isto não era para se dizer… pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:00
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