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Sábado, 1 de Junho de 2013
O estado da barriguinha

Para efeitos de anonimato indestrutível, vou chamar-lhe Bernardete.

Estava o céu meio descoberto e fui até à cidade mais alta de Portugal almoçar. A Bernardete tinha feito o convite para provar mais uma das suas obras gastronómicas: bife de atum. Correu mal, não havia bifes de atum na Guarda, pelo que a alternativa foi salmão grelhado. Coisa boa. Feita com carinho. Para sobremesa, mousse de lima. De estalo!

Bom, mas isso da comida agora não interessa. Após o repasto, fomos ao quarto dela tratar de assuntos digitais, nomeadamente copiar fotos de um disco externo para o computador dela, etc., mais umas lições sobre tratamento de imagem, ah e tal. A determinada altura, a Bernardete ausentou-se para tratar de assuntos íntimos no WC.

Quando regressou, dois minutos mais tarde, trazia as justas calças de ganga desabotoadas e escancaradas, e o top todo arregaçado até ao peito feminino. Ah e tal, que tal a minha barriguinha?, perguntou ela.

Entre o processamento da pergunta e a observação rápida do aparato, o meu cérebro recuou até ao triste episódio da conclusão precipitadíssima sobre a prestação da Telma Monteiro nos Jogos Olímpicos 2012. Deste episódio, ficou-me registada a obrigação moral de, face à visibilidade de qualquer área excepcionalmente colorida em zonas menos públicas do corpo de uma mulher, decidir que se trata de mais uma “banda Kinesio”.

No caso da Bernardete, uma “banda Kinesio” vermelha. Ali. Abaixo do umbigo. Com mais de 4 cm acima do fim do tecido de ganga das calças. Qualquer pessoa normal, pensaria imediatamente que a área vermelha seria parte da cuequinha da Bernardete. Mas não eu! Formatei-me a mim próprio para considerar que a Bernardete andava com dores no fundo da barriga, coitadinha, toda torcida que nem podia, e que, por isso mesmo, necessitava de usar uma “banda Kinesio”. Vermelha. Rendada.

Aliviado pela oportuna e acertada decisão, pude corresponder à pergunta da Bernardete, apalpando-lhe os abdominais em busca de músculos proeminentes, e tecendo considerações sobre as linhas já existentes – fruto de muitas e longas horas de exercício físico. O resto da tarde decorreu com tranquilidade, dentro do género, até à hora de me ir embora, para atender a um pedido de abate de vírus no computador de uma biblioteca.

Infelizmente, ao descer das alturas da cidade mais alta, a outrora oportuna decisão começou a fraquejar. Ou eu é que comecei a fraquejar. Muita fraqueza, portanto. A “banda Kinesio”, afinal, poderia não ser um instrumento medicinal. Seria, verdadeiramente, uma cuequinha vermelha rendada. A palmo e meio do meu nariz.

Um gajo consegue controlar-se em situações de muito stress, como foi o caso. Mas, mais tarde ou mais cedo, acaba por ceder à verdade da dura realidade. E dá em doido. Especialmente quando, horas mais tarde, a Bernardete faz o favor de informar que não se tratava de uma cuequinha. Não! Era uma tanguinha!!!

E eu fiz mal a alguém? Fiz? Há dias em que parece que torturei velhotas e cozi bebés dentro de um micro-ondas, tal é o castigo que a vida me proporciona… pickwick

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publicado por pickwick às 15:06
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Domingo, 12 de Maio de 2013
Banho de leggings

Para o Carlos, era para ser um fim-de-semana “só no relax”, em Mira. Pois. Ah e tal, na companhia de duas mocinhas de 23 e 24 anos, coiso, uns passeios de bicicleta, umas refeições agradáveis para elas mostrarem os seus dotes com os tachos, aspirar o ar do mar, comer uns caracóis, e por aí fora.

Mas, a vida não costuma prendar os atrevidos com a doce descontração da monotonia.

Tudo começou com um supostamente pacífico passeio de bicicleta a quatro pelos pinhais. Os homens, machos, trajados como quem vão para uma aventura. Elas, muito fêmeas, trajadas com leggings.

Podiam ser mal feitinhas de corpo, com nádegas-de-farinheira, flacidez generalizada e celulite abundante? Podiam. Mas, não. Nem uma pontinha de flacidez, ou gordurinha, ou celulite, ou o que quer que fosse fora do sítio. É no que dá praticar-se desporto regularmente e com afinco. Depois, o que é que acontece? Um gajo, vem lá da parvónia onde as gajas têm bigode e arrastam nalgas gigantescas, e entra em sofrimento súbito e incontrolável.

Eu podia ir na frente do pelotão, liderando e apontando o dedo ao arvoredo? Podia. Mas, fiquei para trás, em jeito de carro-vassoura, num sacrifício sem medida, torturado impiedosamente ao ritmo implacável de cada pedalada feminina. Eu já tinha uma impressão esteticamente positiva das leggings, e, ingenuamente, até pensava já ter atingido o zénite da apreciação desta moderna forma de trajar feminina. Que ingénuo! Credo! Há visões, a partir de um carro-vassoura, que são quase que indescritíveis, de tão perfeitas. Há uma harmonia no negro que cobre os glúteos, que ultrapassa todas as palavras que se poderão juntar para cantar o balancear das ancas. Enfim. Um gajo não faz mal a ninguém e depois tem que sofrer assim. Há justiça no mundo? Claro que não há.

A determinada altura, vimo-nos enfiados no meio de um mato confuso, alterado pela queda catastrófica de milhares de árvores em 2013. Opção: atravessar o leito de um ribeiro com cerca de uma dezena de metros de largura e água acima do joelho. “Vala” é como lhe chamam popularmente. Com as bicicletas. Eu não sabia, mas pedalar com água quase a chegar à coxa, não dá grande resultado, em especial com o fundo arenoso. Lá se fez a travessia, um a um, em grande galhofa, sempre na expectativa de que alguma alma tropeçasse e fosse arrastada pela corrente, afogando-se, devorada pelos crocodilos ou engasgada com um lagostim atravessada nas goelas.

Como a malta é jovem, a travessia não bastou. Houve que regressar para dentro de água, sem as bicicletas, e dar umas braçadas à mete-nojo. Fica sempre bem às meninas atirarem-se à água sem roupagem adequada… molham-se, a roupa molhada desadequada cola-se ao corpo, coiso e tal, as leggings não precisavam porque já estavam coladas, enfim. E, claro, roupa molhada torna-se transparente. O que faz com que, qualquer cuequinha com coraçõezinhos fica imediatamente visível, tanto em textura, como na dimensão da nádega que cobre.  

Como a malta é jovem, a travessia e o banho não bastaram. Havia que voltar para dentro do leito do rio e seguir a corrente, sempre com as bicicletas. Era um plano inteligente, audacioso, que correu lindamente na primeira meia dúzia de metros. Até os guiadores desaparecerem abaixo da superfície da água.

À noite, de banho quente tomado e agasalhados por causa do vento frio, comeram-se uns caracóis e beberam-se umas cervejolas e provaram-se novamente uns “viriatos” e tentou ver-se um filme e tal.

No dia seguinte, Domingo, novamente em cima das bicicletas, novamente leggings, novamente um sofrimento indescritível. Ah e tal, são tão confortáveis, comentava a Liliana. E pensava eu para comigo: são tão confortáveis, que se consegue averiguar mais detalhadamente o corpo de uma mulher de leggings do que o de uma mulher com micro-biquíni. Este, é um facto inquestionável. Aliás, eu até ia mais longe. Mais detalhadamente do que uma mulher nua, porque pode ter aqueles quilómetros de pêlos públicos encaracolados que distorcem as linhas da pele. Com leggings, não há enganos nem distorções. As leggings revelam a verdade. Tenho dito!

Para aliviar a coisa, teoricamente, surgiu a oportunidade de um passeio numa barca típica numa lagoa. Podia ser um passeio pacífico? Podia. Não fossem as meninas gostarem de ficar de pé, em cima do banco da barca, a balouçarem para um lado e para o outro. De leggings. Num lindo dia de sol. Com a luz recordada pelo negro que cobria os glúteos. Já tinha falado no negro que cobria os glúteos? Talvez, mas nunca é demais reforçar certos detalhes, não vá a memória fraquejar. Acho que os escravos das galeras sofreram menos em décadas de trabalhos forçados do que eu ali, em meia-hora de tortura psicológica.

Por fim, a Liliana fez um arroz de tamboril que ainda não provei, por estar aqui na escrita, torturado pela circulação das leggings dela pela cozinha. E a Alexandra fez uma sobremesa húngara com croissants fatiados (what?!) que também ainda não provei, e sim, a Alexandra também anda para ali de leggings de um lado para o outro. Há um ambiente nesta cozinha que não se aguenta!!! pickwick

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publicado por pickwick às 14:43
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Domingo, 21 de Abril de 2013
Deslumbramentos

Era sábado e a Honda estava com uma campanha de coiso e tal e portas abertas, check-up à borlix. Aproveitei, marquei audiência com o mecânico, e lá fui. Seria uma ida pacífica, não fosse ser atendido pela menina do stand, uma trintona que, por ocasião da compra da mota, já me tinha deixado extraordinariamente bem impressionado, com as suas calças pretas justas e um corpo muito bem conservado para a idade, tendo em conta já ser mãe. Desta feita, mesmo conversando do outro lado do balcão, deu para perceber de relance que havia perdido uns estratégicos quilinhos deste Setembro do ano passado. Nada como umas boas calças de ganga para tirar medidas. Estava simplesmente deslumbrante! Podia ter-se ficado por ali, atrás do balcão, permitindo apenas um fugaz olhar inspectivo. Mas, não. Saiu de trás do balcão e foi buscar a minha mota. Fui atrás dela, como que robotizado. Pegou na mota e empurrou-a os metros que faltavam até à oficina, comigo atrás, muito totó, só me faltava mesmo andar como um robô a babar óleo lubrificante pelas juntas das beiças. Que figurinha triste. Depois adeus e até qualquer dia.

Isto foi de manhã.

À tarde, apanhei boleia do Carlos e fomos à Guarda, supostamente para almoçar com a Liliana, conforme combinado. Ela tratava dos sólidos e nós dos líquidos. Depois de trepar pelas escadas a um quinto andar com uma arca cheia de gelo, água, Lambrusco e cervejas, tive uma folga de minuto e meio até a Liliana abrir a porta do apartamento. Foi a porta abrir e o oxigénio a varrer-se dali para fora em tons de salmão. Aquele sorriso bem disposto, os caracóis arruivados, um vestido curtinho cor de salmão e uma meia preta fantasiada a subir por umas pernas esculpidas em pura fibra.  Mais uma cinturinha onde apetece meter as mãos e uma inflamação pulmonar na medida adequada. Acho que me descuidei e houve um lapso de tempo em que não consegui reagir como uma pessoa normal. Lá está: falta de oxigénio.

Nos minutos seguintes, enquanto a Liliana acabava de preparar o almoço, metendo no forno um petisco manhoso (mas delicioso) com pão e legumes salteados e fazendo uma saladinha, virada de costas para nós, eu debatia-me com um dilema sério: se devia, ou não, ir ao pé dela e susurrar-lhe ao ouvido “oh mulher de Deus, mas eu fiz mal a alguém para estar aqui neste sofrimento, com a vista quase inutilizada de tanto te tirar as medidas?!”

Optei pelo silêncio e por um sorriso amarelado de quem já está no limite do sofrimento mas não quer dar parte fraca da coisa. Foi assim, até depois da meia-noite, quando nos despedimos e viemos embora, finalmente. Foram demasiadas horas a ferir a vista. Se ela tivesse engordado uns 20 kg, tudo seria mais fácil. Mas não, continuava com aquele corpinho de fazer engolir em seco. Podia ter vestido umas calças largas? Podia, mas acho que não tem.

Quase no final da tarde, a Liliana achou que eu ainda não estava a sofrer o suficiente. Sei lá, ainda não tinha caído para o lado com um colapso cardíaco ou coisa que o valha. E, vai daí, do outro lado da SportZone, chama-nos para avaliarmos as calças de licra que queria comprar para usar no ginásio. Completamente coladas ao corpo, como que uma segunda pele. Deviam ter um nome técnico, mas o cérebro parou-se-me. Primeiro o modelo em roxo-choque. Depois o modelo em preto. Então, que tal? 360º para podermos tirar as medidas. Eu queria bater palmas como os leões-marinhos no zoo, mas estava com uma electrocussão sanguínea entre a unha do dedo grande do pé direito e um dos dentes caninos que teimava em abanar sozinho. Nem uivar conseguia.

Comecei a ficar chateado. Não sei explicar porquê. Qualquer coisa como estar em jejum forçado quase há três anos numa ilha deserta e aparecer um chef abrigado no interior de uma versão anfíbia do papamóvel, acenando-me com uma torrente de petiscos e sobremesas para que eu fizesse um comentário imparcial e cientificamente bem fundamentado sobre o seu repertório gastronómico.

Quem é que se lembra de fazer uma coisa destas? Só alguém com muita maldade na mente. Minutos mais tarde disse isso mesmo à Liliana, para ver se ela caía em si, mas respondeu-me com um daqueles seus sorrisos bem dispostos e indestrutíveis. Era para continuar a sofrer, sim. Até ao fim. pickwick

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publicado por pickwick às 15:37
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013
A mulher de laranja

Por obra e graça de circunstâncias imprevistas, o final do dia de ontem foi ocupado a ajudar um formador a ensinar adultos a rebolar pelo chão. Basicamente, foi isso. Eu sei que, dito assim, parece coisa diabólica, com galinhas decapitadas e coelhos esventrados e asas de morcego embebidas em chocolate rançoso. Mas, fazendo o balanço, foram duas horas e meia a ensinar adultos a rebolar no chão. É um facto.

Entre os adultos, que somavam menos de dúzia e meia, encontrava-se uma moça, aparentemente trintona, trajando fato de treino cor-de-laranja. Podia ser gorda, mal feita e muito feia. Podia. Mas depois não havia assunto. Para gáudio da intimidade do meu cérebro pecador, esta mulher de laranja era elegantíssima e de feiosa não tinha nada. Agradável à vista, especialmente quando observada pelas 12h, com as calças a ajustarem-se suavemente às nádegas – aquele tipo de bochechas sem qualquer grama de gordura. Um gajo tem de ficar muito agradado com a oportunidade.

Ora, sucede que, a determinada altura, o exercício proposto pelo formador era um agachamento da bacia, com as plantas dos pés completamente assentes no solo. Do lado de fora da área ocupada pelos formandos, eu observava-os, preparado para intervir quando fosse necessário corrigir qualquer movimento. Do lado oposto, a mulher de laranja agachava-se também. Um harmonioso ómega (letra grega) laranja desenhou-se nos meus olhos, definido pelo perfil dos quartos traseiros daquela mulher. Não havia contorno do corpo dela que escapasse, ali, às evidências. Comparado com aquela paisagem alaranjada, a menina do bodyrock.tv ainda tem muito que malhar. Não bastasse o ómega, havia um destaque pulmonar impossível de desdenhar, na medida perfeita. Houve, ali, uns lapsos de segundo em que senti as minhas pernas fraquejarem. É terrível, este efeito devastador. Um gajo quase que cai de quatro com a língua de fora, entre o pasmo e a paragem cardíaca. Sobrevivi, com esforço. Desviei o olhar e recuperei a postura.

Mais tarde, o exercício proposto passou a ser um enrolamento parcial à retaguarda. Isto é, como quem vai dar uma cambalhota à retaguarda, mas pára antes de tocar com os joelhos no chão. Obviamente, fica-se com o rabo no ar. Eu já me tinha esquecido da mulher de laranja, mas, porque o destino gosta de me lixar a vida, fui apanhado de surpresa. Ia eu descansadamente a passar entre os formandos, a ver se nenhum partia a espinha ao meio com um movimento descontrolado, quando dei de caras com as nádegas laranja em plena elevação, à distância de braço e meio. As calças completamente justas. Impossível de sobreviver a isto. Nem deu tempo para fraquejar das pernas. Caí de joelhos, logo ali. Abri a boca num esgar muito hiena. Olhos de pirilampo a faiscar. Comecei a dar palmadas no chão, primeiro devagarinho, mas aumentando aos poucos o ritmo e a força. O pessoal começou a reparar que se passava qualquer coisa comigo. Às tantas, pararam todos para olharem para mim. Estava completamente fora de controlo. Parei de dar palmadas no chão e comecei a dar palmadas nas nádegas alaranjadas, aproveitando o facto de a moça ter ficado tão atónita com o meu descontrolo que nem foi capaz de baixar as pernas e o rabo. Palmadinhas, vá. Ela reagiu de forma negativa e pouco simpática, desviando-se e soltando uns palavrões. O formador ainda chamou o meu nome, mas eu já não ouvia nada. Atirei as beiças para o ar e comecei a uivar de forma pouco afinada, assim uma espécie de mistura entre Chopin e o grunhido de um porco a ser atropelado. Completamente coiso. O Gollum parece um acólito de oito anos com laçarote de veludo, comparado com as minhas figuras. Entretanto, a mulher de laranja fugiu para os balneários, a chorar, amparada pelas duas outras mulheres do grupo. Dois formandos mais musculados, acharam que estava na hora de salvar as honras da casa e fizeram-me uma placagem brutal, empurrando-me contra a parede espelhada do ginásio. Foi cacos de espelho por todo o lado, fiz um corte na testa, e um deles espetou um naco de espelho numa nalga.

Aproveitei o momento e corri porta fora, em fuga, deixando para trás os berros reprovadores dos formandos e o ar desolado do formador, milhão de vezes arrependido de me ter convidado.

Desde então, tenho suores na cama, atormentado por aquelas nádegas alaranjadas, que atrás de mim correm para me apertarem o crânio até explodir. Quão vingativas podem ser umas nádegas femininas? Não há limite! pickwick 

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publicado por pickwick às 23:53
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Sexta-feira, 5 de Abril de 2013
Mistérios do Corpo Feminino III

A Mimi foi uma amiga também da adolescência. As feições orientais e a pele morena, faziam uma excelente equipa com um corpinho elegante, esguio e alto. Os lábios, eram coisa para apetecer passar horas seguidas a mordiscar carinhosamente.

Se bem me lembro, só não comecei a namorar com ela, porque as minhas idas à capital revestiam-se quase sempre de um espírito ermitão difícil de desmobilizar. Eramos muito amigos e trocávamos cartas com frequência assinalável.

Eu sonhava em sentá-la no meu colo e dar-lhe palmadinhas nas coxas, mas isso, agora, não interessa.

Outro dia, encontrei-a no Facebook. Fácil por causa do nome e do apelido, ambos invulgares. A deliciosa e esguia Mimi, tinha-se transformado num mulherão com carta de condução de Mercedes para cima, dada a evidente dificuldade em chegar com as mãos à maneta das mudanças num veículo ligeiramente mais estreito. Muito volume, portanto. Atrevo-me a estimar que quadriplicou o seu volume corporal, sem exagerar.

Como? Deve ter sido dos anos que viveu cá em Portugal. Este país tem efeitos devastadores. Agora, vive novamente no Oriente, mas não conseguiu desfazer a destruição que os ares lusos fizeram naquele corpinho outrora invejável.

E se eu emigrasse? pickwick

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Quinta-feira, 4 de Abril de 2013
Mistérios do Corpo Feminino II

Há uns anos atrás, escrevi um post sobre um episódio marado da minha adolescência, chamado “A violação da Susana”. Pela Páscoa deste ano de 2013, calhou tropeçar virtualmente nas duas moças que entram na peça, das quais não tinha notícias há quase 30 anos. Maravilhas do Facebook, obviamente. Vai daí, trocam-se umas mensagens a relembrar bons velhos tempos e aproveita-se para espiar as fotos alheias, só porque a curiosidade é algo que não se deve contrariar.

 

Jeni

A Jeni era a namorada do amigalhaço do peito que montou o esquema. Era gira de morrer. Daquele tipo de miúdas que um gajo fica de beiças caídas enquanto o cérebro trabalha ao ritmo do caracol. Agora, estamos todos quarentões, mas, a Jeni, continua com a mesma carinha e o mesmo corpinho de teenager. Devem ser os ares frios do Canadá, onde vive há vários anos, que lhe permitem este extraordinário bom estado de conservação, só pode. Nem barriguinha, nem nada repreensível.

 

Susana

A Susana, cheira-me que é como o Vinho do Porto: melhora com o tempo. É mãe de filhos, mas, também extraordinariamente, continua com o mesmo corpinho elegante, sem barriguinha que se possa apontar. Não sei como consegue. Pior que isso, está muito mais bonita de cara. Parece que tem 20 anos. Especialmente quando sorri. De morrer. De chorar por mais. De largar baba de caracol pelos cantos da boca.

 

Eu vivo no país errado, decididamente. Olho à minha volta e parece que, a partir dos 17 anos, as mulheres portuguesas substituem o brio pessoal pelo desleixo, a troco não sei bem de quê, provavelmente por telenovelas, computadores e muito tempo no banco da frente do carro. É um desespero… pickwick

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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
Mistérios do Corpo Feminino I

Estava eu a braços com as festividades pascais, isto é, na paz e no sossego do lar-doce-lar apenas com o compromisso do almoço familiar no Domingo de Páscoa, quando recebo uma chamada da Lulu. Surpresa!

A Lulu é uma quarentona, divorciada, mãe de filhos já adultos, na qual tropecei há uns três anos atrás. Foi daquelas oportunidades que… chutamos inexplicavelmente para canto. A terminar uma licenciatura em psicologia e com um passado ligado ao atletismo, como atleta e treinadora, acrescia a característica de ser uma boa moça, coisa rara nos tempos que correm. Do contra, uma relação mal finalizada e que lhe deixou mazelas psicológicas não desprezáveis, e uma barriguinha descuidada. O suficiente para me recusar a um envolvimento para o qual ela estava prontamente disponível, com múltiplas opções de profundidade. Sim, eu sou mesmo esquisitinho.

Ora, durante este tempo todo, acho que nos encontrámos duas ou três vezes, no máximo, uma das quais para uma saudável caminhada na Serra da Estrela, e outra para uma corridinha no mato, que terminou com um quase-desmaio da Lulu e um cotovelo avariado na minha pessoa. E meia dúzia de conversas para meter as novidades em dia.

Então, recebo a chamada da Lulu, e, para evitar o aquecimento exagerado da minha orelha por causa das ondas electromagnéticas do telemóvel (algo que cada vez mais me irrita), desafiei-a para irmos jantar os dois. Assim, eu sempre saía de casa para desanuviar, poupava-me à fritura dos miolos com ondas electromagnéticas, e gozava de alguns momentos em companhia feminina, coisa que tem escasseado.

Sempre vi a Lulu de calças. Tanto ao vivo, como em fotos. Daí que, quando apareceu ao pé de mim de salto alto-moderado, com uma mini-saia e umas meias escuras fantasiadas, comecei a pensar seriamente na minha vida. Elegante. Muito elegante. Pernas esguias. Postura direita, muito agradável à vista. Uma delícia. Cabelo pintado de castanho. Sem maquilhagem que se vislumbrasse, mas com um rosto muito bonito. Um gajo começa a fazer contas de cabeça e tem que se conter para não começar a uivar, nem a fazer comentários como se acartasse tijolos de sol a sol.

Dadas as condições climatéricas, a Lulu só tirou o casaco à mesa, no restaurante. Camisola carmim, justa ao corpo. Como é que um gajo tira as medidas a uma mulher sentada à sua frente durante uma refeição? Liliana, sempre quiseste saber, não? Eu explico. Há fracções de segundo, ao longo do tempo, em que, ou porque ela precisa de olhar para o bife que está a cortar com a faca, ou porque ela farta-se de olhar para mim e precisa de descansar a vista noutro alvo. Aí, um gajo está atento e tira as medidas. Num piscar de olhos, para não ser apanhado em flagrante. É tudo um jogo de velocidade. Ela nem dá por nada. É preciso é estar sempre a controlar-lhe o olhar.

Esta técnica só não resulta quando se está em frente a uma gaja extremamente sabidona e desconfiada, que já conhece a técnica, e que simula, por um cagagésimo de segundo, o esperado desvio de olhar para o bife ou para o além. Simula que olha o bife, um gajo detecta que desviou o olhar, o cérebro diz que é altura de olhar para o decote, mas, no preciso momento em que os olhos pecadores caem sobre o peito dela, já está o olhar reprovador a apanhar o flagrante delito. Pimba! Eu sei que só me lixo a relevar publicamente esta técnica, mas, depois deste jantar, não resisti.

E pronto, foi uma fartura de tirar de medidas à Lulu, só para confirmar que aquela elegância era transversal ao corpo inteiro, desde os pés à cabeça, incluindo a barriguinha. Houve uma evolução positiva, inegavelmente.

Ela falava da vida dela e eu perdia-me em sonhos. Momentos houve em que já me estava a ver, qual animal incontrolado, a varrer a mesa com os copos e os caroços de azeitona e os bifes e as batatas fritas, tudo a voar pelos ares, para lhe agarrar as mandíbulas com um toque de veludo e encher-lhe aqueles lábios de beijos. Felizmente, sou um homem com um auto-controlo acima da média, e comi mais umas batatas fritas e duas folhas de alface, na esperança de uma calma interior que tardava em chegar.

Eu nunca tinha visto a Lulu naqueles preparos. E fiquei fascinadíssimo. Estava uma figura, que não há homem à face da Terra que não se sentisse orgulhoso de passear de braço dado com ela. Ou de mão dada, pronto.

Depois tirei-lhe uns vírus do computador portátil, dois beijinhos de despedida e lá foi ela. Fiquei uns segundos imóvel, no carro, de olhar grudado naquelas pernas enquanto ela atravessava a rua até ao carro dela. E o resto da noite foi para pensar na vida, nas oportunidades chutadas para canto e nos mistérios do corpo feminino. pickwick

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publicado por pickwick às 18:37
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012
Uma voltinha de mota

A colega que me apalpou o braço, continua imparável. Para além de passar a vida a mandar-me SMS com conteúdos despropositados, como “bom fim-de-semana” ou “foste embora e nem te vi”, agora manda-me SMS a pedir para a levar a dar uma voltinha na mota. Será que um dia destes tenho que lhe explicar que é casada e mãe de filhos, e que eu não fico seduzido com a ideia de a ter colada às minhas costas em cima de duas rodas? Ainda me furava as omoplatas com aqueles seus mamilos sempre em pé! Credo! Não, não!... pickwick

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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012
A Honda, a neve e a mula

Após muita ponderação, muitas pesagens de prós e contras, e muitas contas, sempre me decidi comprar uma mota. Já lá vai um mês, é verdade. Honda CBF125M. Consumo de 1,8. Como na foto. Com carta de automóvel. Porque a vida não está fácil e estou farto de estoirar setenta e tal euros para encher o depósito do carro quando posso fazer a festa só com vinte, tirando duas rodas e uma bagageira e o aquecimento para os pés e mais umas miudezas.

 

Bom, já tinha dado umas voltas com a menina, mas faltava mais um punhado de quilómetros para a levar à revisão dos 1000, pelo que aproveitei a previsão de bom tempo para sábado e quis ir às Penhas Douradas apanhar sementes. Luvas, cachecol polar, casaco xpto, calças impermeáveis (tipo trolha), botas Boreal 130€, mochila às costas, enfim. Correu tudo lindamente, até chegar aos 1400 metros de altitude, lá para as 9h e pouco. O sol desapareceu atrás de uma nuvem gigantesca e havia neve por todo o lado.

 

Em poucos minutos, fiquei com os pés gelados, as mãos idem, o nariz idem, e só se safaram os tintins porque estavam resguardados estrategicamente atrás do depósito de gasolina. No cruzamento para as Penhas Douradas, meia-volta e força, que as rodas patinavam que nem vaselina e já não havia mãos para distinguir uma semente de um penedo de granito.

 

Devagarinho, com jeitinho, safei-me da zona deslizante e comecei a descer em direcção a Gouveia. Lá para os 1200 metros de altitude, já sem neve, encostei a menina e larguei a correr montanha acima, na esperança de conseguir aquecer o suficiente para descongelar a bexiga e dominar a destreza nos dedos. Figurinhas, portanto. Minutos mais tarde, a arfar, de bexiga vazia, estava de regresso à estrada, deslizado montanha abaixo, saboreando o encosto reconfortante dos raios solares matinais.

 

Em Gouveia, pensei: ah e tal, vou ali ao Curral do Negro ver se há sementes. Para meu espanto, poucos metros antes do Curral do Negro, alcatroaram um trilho que leva a Folgosinho. Nem pensei duas vezes: pumba a caminho de Folgosinho, como se fosse levado pelo vento numa pista de motociclismo. É curioso, o país supostamente em crise, e andam a alcatroar trilhos no meio de um parque natural.

 

Chegado a Folgosinho, desci para os viveiros. Boa jogada. Havia bolotas de carvalho em quantidades obscenas. E com dimensões muito generosas. Grande delírio! A determinada altura, cheguei à conclusão de que não havia carro para transportar tamanha quantidade de bolotas. Parei com a recolha e meti a mochila cheia às costas. Quase que me vergou a espinha, tal era o peso. E lá fui eu, carregadinho que nem uma mula. Ou a mota a fazer de mula. Não, era eu mesmo, que as costas eram minhas. Podia ter apanhado outras tantas bolotas, mas não havia condições. Fazer de mula, em pleno século XXI, não é das coisas mais inteligentes, eu sei. Podia ter arranjado uns alforges rudimentares, com restos de calças de ganga, à cowboy-rafeiro, mas nunca me tinha passado pela cabeça arranjar tantas bolotas de uma só vez. Fica para a próxima. pickwick

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publicado por pickwick às 20:11
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Domingo, 2 de Dezembro de 2012
Aldonza Lorenzo de leggings

É verdade. O frio não é amigo de boas paisagens, mas, por vezes, o Pai Natal chega mais cedo. A Aldonza foi trabalhar de leggings. Pretas. Assim, sem mais, nem menos. Um gajo é apanhado de surpresa e, para variar, fica desorientado do GPS. A moça é elegante, o que é de admirar para a idade, pelo que as leggings cobrem-lhe as pernas sem provocar azia nos observadores mais atentos, como era o meu caso. Os saltos extremamente altos que ela insiste em usar todas as sextas-feiras, no trabalho, pressionam os músculos das pernas e o resultado é agradável à vista, tenho que confessar. Para aliviar a tensão que me assalta quando recordo a paisagem, reconheço que uma mulher em cima de uns saltos exageradamente altos tem sempre um aspecto pouco abonatório, ficando qualquer coisa entre um flamingo com poliomielite e um camaleão com a língua nos 220v. Mete dó, pronto. E passei a manhã assim, a espreitar pelo rabo do olho, a fazer analogias com flamingos e camaleões, e a inventariar o leque de actividades lúdicas que protagonizaria caso o conteúdo daquelas leggings repousasse por uns breves minutos no meu colinho… pickwick

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publicado por pickwick às 19:43
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