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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

02
Jul08

Formadores da treta

pickwick

Ou a formação é que é da treta, porque, lá no fundo, eu até acho que os formadores – coitados – não têm culpa nenhuma. Apenas são peças de uma engrenagem muito mal feita.

 
Hoje, terminou o segundo dia de um módulo de formação para patronatos. O dia de hoje foi igual ao de ontem, com um horário tipo 9h30-18h00, intervalo de uma hora para almoço, intervalo a meio da manhã e a meio da tarde, Powerpoint, trabalhos de grupo, muita treta, e uma reflexão final. A formação em Portugal é como uma pêra apodrecida: cheira mal, não presta e nunca mais a deitam fora.
 
Sistematicamente, os formadores não dominam os temas das formações, raramente se aprende alguma coisa de novo, o que se pretende transmitir nunca coincide com as necessidades dos formandos, e nunca se dão receitas! É crónico!
 
Esta questão das receitas parte-me todo. Mesmo! Está na moda, quando se dá formação, dizer-se que não se dão receitas. É uma moda idiota, patética e típica de um sistema podre e mal engendrado. Imagine-se, a título de exemplo, que era emanada – superiormente – uma ordem para que os edifícios das instituições do tipo X fossem todos pintados com leite condensado, usando padrões representativos de crocodilos do planeta Marte e de libotauros do deserto do Kalahari. Muito bem. Ordem dada. As instituições, ansiosas por cumprirem com as ordens superiores, vêem-se confrontadas com várias questões: como se pinta com leite condensado? como são os crocodilos do planeta Marte? o que são libotauros? e os padrões, são grandes ou pequenos? Confusos, os patronatos pedem formação. Chega o formador: ah e tal, teoria da pintura para a frente, teoria da pintura para trás, a pintura dos animais ao longo da História da Humanidade, os rituais dos povos indígenas do Kalahari, os pintores da Grécia antiga, o comércio ilegal de crocodilos africanos, blá blá blá, trabalhos de grupo, ah e tal, texto final de reflexão e vamos embora.
 
Há outro aspecto também quase crónico em sessões de formação para patronatos. Esta é a primeira sessão do género em que participo, mas sinto-me perfeitamente habilitado para dissertar – qual tese de doutoramento – sobre o assunto. É o aspecto, em si, das formandas. É deprimente, mas um gajo está numa sala, quer desanuviar um pouco, olha
em redor em busca de adoçantes para a mente, e só tropeça em mamarrachos femininos. É caso para constatar que as boas nunca chegam ao Poder. Enfim, ossos do ofício… pickwick