Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

26
Jun08

A fraude nacional

pickwick

Apetece-me falar de política, se me for permitido.

 
Podia falar do trotil para o depósito do meu quatro-rodas, podia falar da carcaça, podia falar da Manuela Leite que também é uma valente carcaça, podia falar do disfarce da liberdade, podia falar das escandalosas diferenças de nível de vida, etc.
 
Mas, não. Quero falar mesmo é de uma fraude nacional que me anda a tirar a paciência: essa coisa bonita que dá pelo nome de “Novas Oportunidades”!
 
As “Novas Oportunidades” não são, ao contrário do que possam pensar, novas oportunidades. São oportunidades únicas, impensáveis, irracionais e escandalosas. O povo é que ainda não percebeu o alcance da coisa.
 
O “9º ano”, por exemplo, que se obtém com um mínimo de 3 anos de estudo no ensino regular diurno, ou menos que isso no ensino nocturno, pressupõe, penso eu, que se estudem X disciplinas e Y conteúdos em cada uma, com conhecimentos testados através de provas. A partir das “Novas Oportunidades”, o “9º ano” não pressupõe absolutamente nada, pois pode obter-se em três meses qualquer teste sério de conhecimentos. E o 12º ano vai pelo mesmo caminho, com facilidades que seriam inimagináveis num mundo racional. É apenas preciso aturar o sistema que dá estas facilidades, alinhar nas sessões presenciais e fazer os pseudo-trabalhos (com a mão mágica de um amigo ou familiar que, de facto, obteve uma qualificação no ensino regular). Coisa pouca e ridícula, quando comparada com o esforço necessário para concluir o 12º ano no ensino regular diurno.
 
Já pouco nos falta para sentirmos necessidade de questionar onde cada profissional obteve a sua qualificação. Pouco nos falta – acreditem – para começarmos a questionar se o médico que nos atende tirou o curso via “Novas Oportunidades” ou via ensino superior regular.
 
Na prática, o país salta, de uma forma milagrosa, para um nível de qualificação escolar do povo que apenas se podia sonhar. Resmas de iletrados certificados com o 9º ou 12º ano. Resmas! Um país qualificado, mas mantendo o mesmo nível de iliteracia do tempo da outra senhora. Uma coisa bonita de se ver, que encherá de orgulho toda uma classe política e todo um povo. Uma fraude, portanto!
 
E, sendo uma fraude, porque não é denunciada aos quatro ventos, a toque de trombone e buzina de camião? Porque metade do povo está a aproveitar a coisa. E a outra metade que não está, das duas, uma: ou não está para se dar ao trabalho intelectual mínimo necessário, ou é familiar de alguém que está a aproveitar. E assim continuamos.
 
A seu tempo, espero, a História se encarregará de denunciar, preto da tinta no branco do papel, a fraude nacional destas oportunidades. pickwick

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.