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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

21
Jun08

Golo!...

pickwick

O facto de eu não ter televisão em casa é, só por si, um claro indício do meu interesse minúsculo pelo futebol. Eu gosto de entrar num campo, correr atrás da bola, marcar um golo a cada dez anos, correr atrás dos jogadores, suar que nem um mustang, tropeçar na bola, ser fintado, enfim. Mas não acho graça nenhuma ficar especado a ver uns iletrados grosseirões, com contas bancárias atulhadas de euros, fazerem a mesma coisa. Por mim, eram todos apedrejados e pagos com o salário mínimo nacional. Mongos!

 
Bom. Gostos à parte, outro dia fui convidado, pelos colegas de trabalho, para assistir a um jogo da selecção do Euro2008 em cada de um deles. Ah e tal, depois bebemos umas bejecas e comemos umas francesinhas. Futebol, cerveja, comida. Cerveja + comida = 2; 2 contra 1. Bem ponderado. Aceitei o convite.
 
Foi um jogo em que a selecção portuguesa teve uma sorte para além do normal e conseguiu ganhar. Não me lembro contra quem, porque também não interessa, nem puxa carroças. Já cheguei atrasado, no preciso momento em que festejavam o primeiro golo. Mas, assisti ao segundo golo. Pontapé daqui, cabeçada dali, ah e tal, e a bola entra. Golo, pronto.
 
Como é hábito nestas coisas pindéricas, nem me mexi com o golo. Sentadinho como se tivessem anunciado que nasceu mais um cogumelo na mata do vizinho. Se fosse eu a marcar, era uma coisa. Mas, sendo um gajo que ganha uma quantidade escandalosa e sobrenatural de dinheiro, o facto de ele conseguir enfiar a bola na baliza é completamente irrelevante.
 
O mesmo não se passou com os meus cinco colegas, que saltaram das cadeiras, tipo gorilas de pau feito, a gritarem “golo” como quem grita por socorro ao ser perseguido por um elefante de pila erecta. Um deles, o Zé, passou-se com a emoção e, para além de saltar da cadeira e gritar, correu para a parede (onde o jogo estava a ser projectado através de um videoprojector) e atirou-se de pés. Literalmente. Com os dois pés. Contra a parede. Punhos cerrados. Doentio.
 
Depois foi buscar um pano molhado e passámos cinco minutos de jogo com o Zé a tentar limpar o canto inferior esquerdo da imagem. Bonito. Como se não bastasse, depois vieram as francesinhas, ensopadas em molho respectivo, comprado no Lidl, com ar de sopa instantânea. Entre as 3h e as 5h da madrugada, todos os convivas se levantaram da cama para despejarem litro e meio de água pelas goelas abaixo, desidratados com o excesso de condimentos do molho.
 
Esta semana, combinaram todos ir ver outro jogo da selecção a casa do Paulo. A selecção portuguesa perdeu. Mas, marcou dois golos. Sortudos. O Zé, continuava com o mesmo grau exorbitante de emoção desportiva. O Paulo projectava o jogo na parede da garagem, numa tela. Outro Zé, presente, rogava pragas aos alemães, balouçando agressivamente uma cadeira de plástico nas mãos. O primeiro Zé, em cada golo português, saltava que nem uma mola e, por momentos, ia jurar que se ia atirar de pés contra a tela na parede. A sério. Corria para ela e estacava a escassos centímetros, pronto a espetar um sopapo na parede. Eu, ficava impávido e sereno, sentadinho na cadeira acolchoada. Eu, sonhava com o jantar que começaria a seguir ao jogo. Mal podia esperar. Carne grelhada. Ui!... E cervejas fresquinhas…
 
Ainda gostava de saber para que é que se grita “golo” quando a bola calha entrar numa das balizas. O pessoal pensa que são os jogadores que têm arte. O pessoal pensa que foi o treinador que os treinou fantasticamente. Mas, o pessoal esquece-se que o futebol vive mais de sorte do que de arte.
 
Palhaçadas à parte, há um motivo simples para os portugueses falharam sistematicamente o prolongamento da estadia nos campeonatos: falta-lhes o treino técnico de “remates sob stress”. Isto é como na tropa, onde o verdadeiro tiro se treina com uma modalidade conhecida como “tiro de combate”, em que o tiro é feito sob condições de elevado stress e pressão. É o que falta aos portugueses, assim de caras. Porque, convenhamos, e apesar de eu não perceber nada da coisa, os nossos jogadores dominam a bola. Mas, parecem uns ceguinhos a rematar em stress. Seguem uma proporcionalidade directa simples: quanto mais stress, mas alto sai o remate.
 
Enfim, depois de o espertalhão do Scolari sair, estou disponível para treinar a selecção portuguesa. E quero febras grelhadas e cerveja fresca todos os dias. E bolo de bolacha para as sobremesas. pickwick

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