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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

22
Mai08

Reclamação amarela

pickwick

 

É isso mesmo! Uma reclamação amarela! Porque daqui a sensivelmente um mês vai começar o verão! Mas não se nota nada! Está frio, está chuva, está o tempo encoberto, e, como consequência gravosa de tal contexto climatérico, o mulherio traja de forma pouco apetecível. Isto é, com roupagem em excesso. Que mal! Todos sabemos que o mundo funciona por ciclos de compensação, o frio compensa com o quente, a chuva com o sol, a mulher atascada de roupa com a mulher arejada. Este ciclo de compensação proporciona um equilíbrio psicológico temporal que é essencial ao bem-estar da sociedade. Pelo menos, a mim. Quando chega a Outubro, um gajo já está tão farto de ver biquinis, que até enjoa, pelo que o fim dos biquinis, naquela altura precisa do ano, é bem-vindo. Quem diz bikinis, diz calções minúsculos com as nádegas a saltar fora dos contornos do tecido, diz decotes até ao umbigo, diz… enfim!, não me quero martirizar mais a identificar as belezas da vida. Isto quer dizer que, com base no mesmo ciclo de compensação, quando chega a Março, um gajo já está tão farto de ver camisolas de gola alta, que até enjoa, pelo que o fim das camisolas, naquela altura precisa do ano, é sempre bem-vinda. Ora, acontece que, Março já lá vai, assim como Abril e, pelos vistos, assim como Maio. E elas continuam a usar camisolas de lã, camisolas de gola alta, casacos, calças, calças, eventualmente saias abaixo do joelho, mais camisolas, etc. Desequilíbrio psicológico, é no que dá. Se isto não mudar rapidamente, sinto que isto terá consequências pouco simpáticas. Já me sinto, de vez em quando, a rosnar baixinho pelos cantos, a olhar de lado para as minhas colegas e demais mulheres, com os olhos em sangue e um pouco de espuma no canto das beiças, reclamando por ainda andarem todas ensopadas em tantas roupas. Um dia destes, desequilibro-me de vez e estico as mãos a todas as roupas femininas e rasgo-as, arranco-as às donas e desato a uivar e a bater com o pé no chão! Isto começa a desesperar! Não tarda, é Agosto e ainda andam com camisolas de gola alta e embrulhadas em casacos. E depois? Depois, o povo português arrisca-se, seriamente, a ver aparecer um novo fenómeno de criminalidade, ímpar e imparável: o “clothesjacking”. Mulheres que circulam na via pública, atacadas por homens com ar desesperado e armados até aos dentes com tesouras de podar, que lhes subtraem violentamente todas as peças de roupa que pertencem a camadas superiores à das roupas interiores. Medo! Muito medo!... pickwick

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