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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

27
Mar08

O regresso do João

pickwick
A Primavera já começou. Para a comemorar, ou não, aproveitei para ir ao cinema com o meu irmãozinho, porque ah e tal é Páscoa e não sei quê da família e muitos doces e muito borrego. Fomos ver o regresso do João, esse mítico herói da faca e da metralha, na sessão das 23h50 algures para lá do CascaisShopping.
 
Eu sempre fui um fã do João. Os tiros, as facadas, a voz embargada pela emoção, as armadilhas, as granadas, a fitinha a prender a gadelha, o arco e as flechas, enfim, um gajo à maneira, aniquilador dos opressores e salvador dos oprimidos.
 
Passados estes anos todos, vinte seis deste a primeira aparição, o João continua com os mesmos tiques divertidos. Olhos de carneiro mal morto, comunicação por grunhidos, físico inchado, gadelha, fitinha, flechas, etc.
 
Noto, com este olhar clínico que às vezes faz de conta que me caracteriza, algumas diferenças: são sessenta e um anos na pele; tem um mal disfarçado e pouco másculo papinho debaixo do queixo; obviamente usa uma cinta elástica de cor branca para segurar a barriga.
 
Em relação ao filme, algumas diferenças, também: catana artesanal, muito mais eficaz que a tradicional faca de sobrevivência do exército; aliás, tudo naquele filme parece mais eficaz do que nunca, a avaliar pela capacidade dos projécteis em cortar soldados a meio ou fazer-lhes explodir um quarto do corpo; há uma senhora que é um verdadeiro naco de mulher, que dá pelo nome de Júlia (nome de código Sara), a qual ainda julguei que viria a protagonizar uma escandalosa cena de sexo com o João em plana selva asiática.
 
Quanto aos baldes de sangue falsificado que foram usados neste filme, em quantidade inovadora, julgo que a culpa é daquele gajo que realizou “O Resgate do Soldado Ryan” e que lançou a moda de todos os actores e figurantes possuírem cerca de sessenta litros de sangue no corpo.
 
João, gostei da tua catana. Tenho que arranjar uma igual, um dia destes, talvez em Espanha. Também gostei da Júlia, mas podias ter-lhe afogado o namorado. Tens umas frases novas muito bacanas e já consegues dizê-las sem a seguir pegares numa M60 e varreres o quintal. Aliás, folgo saber que já não usas uma M60, que era muito pesada e dava cabo da coluna. A Júlia nunca meteu silicone no tórax, pois não? Para a próxima, esquece lá os grandes planos com o arco e a flecha, porque notou-se que tremias por todos os cantos para esticares as cordas e não abona nada a favor da tua virilidade. Sabias que a Júlia é uma desavergonhada e que há por aí dezenas de fotos ordinárias da rapariga? pickwick