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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

06
Jan08

Ligue 114

pickwick
Começou aquela cena de não se poder fumar não sei onde. Lá na minha instituição, o dia dois de Janeiro serviu para, entre outras coisas, desinfestar a famosa “sala de fumo”. Na prática, era o cantinho reservado aos dois ou três trabalhadores que gostam de puxar pelas brasas nos beiços. Era, mas deixou de ser. Ao abri a porta, leva-se com um fedor a fumo de tabaco rasca que até dá tonturas. Podiam fumar assim umas cigarrilhas aromáticas, ou um bom cachimbo, mas não: é tabaco rasca e pronto. Abriram-se as janelas, arrancou-se a mola da porta, mandou-se a toalha da mesa redonda para a lavandaria, colocaram-se mais mesas e espetei com um pomposo cartaz na porta a dizer “gabinete de trabalho”. Mais um espaço roubado aos ricos para dar aos pobres. Foi um gesto bonito. Depois deixámos o espaço a “snifar” paus de incenso o resto o dia, para tentar eliminar o pivete a tabaco. Quando me vim embora, no final da tarde, já parecia uma sala normal. Respira-se, lá dentro. Na comunicação social, fala-se estupidamente que as pessoas estão a aceitar civicamente a lei que proíbe o fumo em locais fechados e não sei quê: Fala-se estupidamente porque, de facto, na realidade, na prática, não se trata de civismo por parte dos fumadores! É um erro pensar que as pessoas têm civismo. Nos países nórdicos, diz-se que as pessoas têm mais civismo, blá blá blá… mas que grande parvoíce. Um finlandês é tão cívico quanto um português, e vice-versa! A diferença é que, na Finlândia, se um cidadão resolver urinar fora do penico, está tramado. Em Portugal, se um cidadão resolver urinar fora do penico, molhar a parede, defecar na sala de um museu e a seguir atirar um tronco de bosta à nuca de um polícia, acontece-lhe o mesmo que se tivesse pedido uma imperial na esplanada de uma praia. Portanto, pare-se lá com essa conversa de retrete, está bem? O povo está é com medo! Medo que venha a ASAE e apanhe alguém em flagrante, de cigarro na boca, e lhe reviste o carro e leve os DVD pirateados. Se vier o presidente da ASAE, não há crise, mas, cuidado com os agentes! Em tempos, tive um colega de trabalho que insistia no seu direito de fumar a seu belo prazer, onde lhe apetecia, quando lhe apetecia, por mais pequeno que fosse o espaço, e por mais grávidas que partilhassem esse espaço. Malta assim, continua por aí, à solta. São os gajos por causa de quem deveria ser criado mais um número de emergência: o 114 (o 113 já está a ser usado pela equipa do urso amestrado). Assim, quando confrontado com um palhaço qualquer que insiste em fumar onde não deve, os incomodados, ou o proprietário do espaço, podem ligar directamente o 114, em vez de chamar a PSP ou a GNR. Ligando o 114, é activada de imediato a Team 114, que se deslocará de helicóptero. Sim, com um dístico gigante a dizer “Team 114”. Ao contrário da Team 113, cujo aparelho aterra na estrada, os elementos altamente treinados da Team 114 descem para o cenário de actuação por cordas, usando a conhecida técnica de rappel. Esta técnica, como é sobejamente sabido, deve o seu nome ao método utilizado inicialmente, que consistia em fazer passar a corda pelo corpo, em “S”, criando atrito, e, assim, permitindo fazer uma descida controlada. Na descida de grandes barragens ou edifícios, o excesso de atrito provocava um fenómeno de aquecimento e inflamação da pele, conhecido entre os praticantes por “rapa a pele”. Da conjugação das palavras “rapa” e “pele”, surgiu o termo hoje usado: rappel. Bom, os membros da Team 114 descem em rappel, por cordas estáticas esticadas a partir do helicóptero, estacionado a trinta metros do solo. Um outro cabo, em aço, é esticado também. Neste cabo é fixo um dispositivo metálico – o DARDO -, com uma pega, que será puxado para baixo por um dos elementos da equipa (o elemento Ómega), o último a descer. Em trinta metros, o atrito do cabo de aço no DARDO fará com que este aqueça ao ponto de ficar incandescente. Assim que o elemento Ómega pousar as solas das botas no chão, já os restantes elementos da Team 114 terão capturado o infractor e baixado as suas calças e roupa interior. Num instante, o elemento Ómega introduz no ânus do infractor o DARDO - Dispositivo Anal de Redenção Dolorosa e Olfativa. A imensa dor e o intenso cheiro a pêlos do cu queimados, terão o duplo efeito de convencer o infractor a redimir-se para todo o sempre, eternamente, recusando em definitivo o consumo de mais qualquer cigarrinho até ao final da sua vida, nem que seja numa praia deserta ou no cume de uma montanha! Um outro elemento da Team 114 enfiará um toalhete Dodot (embebido numa pomada para queimaduras, especialmente encomendado àquela empresa) entre as nádegas do infractor, como consolo, e toda a equipa é recolhida pelo helicóptero através de cabos com estribos para os pés. Mais um espaço liberto de nicotina! Missão cumprida! pickwick