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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

30
Dez07

Gordo, disse a mamã

pickwick
Enquanto os convivas para o jantar e posterior comemoração da passagem de ano não chegam, aproveito para me lamentar. Durante este Natal, e pela primeira vez em praticamente quatro décadas, a minha mãezinha chamou-me gordo! Eu, que sou filho dela, sempre me submeti àquela forma de estar na vida tão engraçada, sempre com comida a saltar pelos olhos e ouvidos, sempre a enfardar para dentro, sempre a consumir enormes quantidades de doces e chicha. Para a minha mãezinha, tal como para quase todas as mãezinhas deste mundo, não há filhos gordos – há, sim, filhos saudáveis e bem alimentados. Felizes, portanto. Sempre assim foi, mesmo quando se dava um murro na mesa por o ritmo de produção de arroz doce ser superior à capacidade de enfiar goelas abaixo. Anda lá, come, dizia ela. Os filhos, preocupados com a linha, pois daí depende a rentabilidade quando se sai à caça de fêmeas, bem que tentam inventar desculpas para escapar, mas a mãezinha e a gula são aliados poderosíssimos! Invencíveis! Recordo um belo verão, ainda na década de noventa, em que passei as férias com o meu irmão lá em casa, a enfardar e a ver TV. No final, precisei de sair à civilização e descobri que só tinha um par de calças que me serviam – e apertadinhas! Foi quando dei o pulo dos oitenta para perto dos noventa. Um marco! O que me estranha, portanto, é esta mudança de postura da minha mãe. Logo, logo, logo no Natal de 2007. O meu irmãozinho ria-se que nem um perdido. Ah e tal, estás mais gordo ainda que o teu irmão, dizia-me ela, porque ele é mais alto e disfarça. Para mim, pessoalmente, francamente, sinceramente e tristemente, foi um choque. Até quase perdi o apetite, assim como que subitamente, mas ainda consegui atacar na aletria e na torta de cenoura. Enfim. Talvez seja a minha mãezinha preocupada com a minha saúde, que poderá ser afectada por um excesso de peso. Talvez seja a minha mãezinha preocupada com o meu estado civil, atribuindo à fasquia volumétrica a razão para não ter arranjado ainda uma namorada. Não sei. É um mistério. Mas, vou debruçar-me seriamente sobre o assunto. Talvez dar umas voltas de bicicleta por aí. Apostar numas partidas de futebol com os colegas de trabalho. Tirar a ferrugem aos halteres. Beber mais água. Coisas assim. Mas isso, claro, só a partir de 1 de Janeiro! Porque, até lá, e a começar daqui a poucas horas, vou tomar parte numa orgia gastronómica contínua. Começa com um jantar em minha casa, hoje mesmo, continuará com um almoço desportivo amanhã, dia 31, e terminará a poucos metros da Torre, dentro de uma barraca à cigano, atolado em garrafas de vinho e chouriças e outras porcarias nada saudáveis. Depois, novo ano virá, a 1 de Janeiro. Ano novo, vida nova. Mais cuidados com a saúde, mais cuidados com a alimentação, menos doces, menos carnes, menos cervejas, mais exercício. Por falar em carnes, o Nando está com esperanças que o restaurante aqui da aldeia que tem “rodízio à brasileira” esteja aberto para nós no dia 1, assim que chegarmos da serra esganados de fome e capazes de enfardar uma vaca inteira. Sim, vou começar o ano lindamente… pickwick

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