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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

29
Dez07

Beijos, beijinhos e beijocas

pickwick

Após o regresso ao lar doce lar, aqui na aldeia, retornei ao serviço no meu distinto posto de trabalho, atrás de uma secretária, no belo gabinete do patronato. A pasmaceira reinava no edifício. Umas senhoras dedicavam-se a lavagem e limpezas, aqui e além. Eu gosto destes ambientes, assim, de pasmaceira, sem o formigueiro de gente de um lado para o outro. É bonito! É saudável! É acolhedor! Mas dura pouco tempo! Ah, pois é! Quando dei por isso, já tinha uma colega a entrar pelo gabinete dentro. Beijinho daqui, beijinho dali, e toma lá uma prendinha para vós todos. Mais tarde abri e era uma caixa repleta de chocolates da Ferrero Rocher… horrível… Bom, eu pensava que já tinha acabado a vaga dos chocolates que atacou implacavelmente nas semanas antes do Natal, mas, afinal, ainda está para durar. Pior que mais chocolates, é ter que trocar beijinhos com colegas. Eu nunca gostei muito de beijos. Não sei se é algum trauma por a minha bisavó ter um bigode estilo D. Carlos I. Não sei se é pelo promiscuidade que se gera. Nunca gostei, pronto. E, na última semana, tem sido um exagero. As minhas colegas fizeram questão de me vir pregar dois beijinhos a desejar Bom Natal, quando durante dois anos nem um aperto de mão se atreviam. Eu não acho bem. Primeiro, porque eu não gosto dessas cenas abichanadas de trocar beijinhos com as colegas. Segundo, porque me obrigavam a levantar o traseiro da cadeira e dar a volta à secretária, o que, depois da segunda vez, começou a tornar-se muito cansativo. E hoje foi a mesma coisa. Apareceu a Fátima, chuac chuac, depois apareceu a outra Fátima, chuac chuac, depois apareceu a Maria, chuac chuac. Não há condições de trabalho, assim. Fui salvo por uma das minhas colegas do patronato, que, numa clara demonstração de sapiência superior, topou que eu não sou de beijinhos e cumprimentou-me com um sorriso e uma palmada nas costas. Obrigado, colega. Só tu me compreendes. As duas Fátimas foram-se embora e mais dois beijinhos para cada uma, depois da tradicional voltinha à secretária. Irra! Eu acho que esta cultura do cumprimento deveria mudar. Apertos de mão para toda a gente e pronto! Beijos é na namorada, na esposa ou na amante. Ou na filha. Nossa. De resto, é tudo corrido a aperto de mão. Ou à índio, braço no ar: ugh! Hoje fiquei com a sensação de que as gajas gostam de dar beijinhos nos gajos. É daquelas sensações sensoriais fantásticas, inexplicáveis pela razão. Não percebo qual é o gozo, especialmente quando o gajo – moi – vai para o trabalho todo gordo que nem um texugo e com barba de quatro dias. Enfim. Tremo só de pensar como será no primeiro dia de trabalho de dois mil e oito. Vão andar todas a beijarem-se umas às outras? Vão andar a correr atrás dos gajos para roubar duas beijocas? Depois vão tentar a terceira e quarta beijocas com a desculpa que se tinham esquecido que já haviam dado a primeira e a segunda? Ah e tal, já te tinha cumprimentado? Ah e tal, não faz mal, dá cá mais duas. Ora bolas! Vamos lá ver… E espero que não tragam mais chocolates. Eu gosto de chocolate, mas já tenho chocolate até nas veias dos olhos, debaixo das unhas e a gotejar do umbigo. A cera dos ouvidos acho que já é castanha! Até o Big Mac me soube a chocolate! pickwick

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