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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

11
Out07

Fábula erótica – volume dois

pickwick

(continuação)

- Olha, para te ser franca, nunca tinha pensado nisso. Já tinha passado uns meses numa vacaria, com umas dezenas de outras vacas, todas a serem apalpadas nas tetas com tubos de plástico. Nessa altura, lembro-me de me passar pela cabeça como seria meter-me com as tetas de outra vaca, mas, como imaginas, não era capaz de sequer o tentar.

- Bem, mas uma coisa é uma vacaria com dezenas de vacas, outra coisa é um local paradisíaco como este, a duas, longe dos olhares indiscretos de terceiros.

- Pois, é capaz de ser mais fácil, realmente.

- É muito íntimo e o prazer inimaginável.

- Oh, mas aqui não costuma aparecer mais nenhuma vaca.

- Mas aparecem raposas!

- Sim, pois aparecem, mas são tão pequenas…

- E então? Qual é o problema? Eu também sou pequena!

- Pois mas tu e uma raposa, são praticamente do mesmo tamanho. Agora, eu e uma raposa, é bem diferente! Já viste a diferença de tamanho?

- Ora, é como com uma lontra. O que interessa é o prazer e não o tamanho.

- Pois, dizem que sim, mas…

- Devias experimentar, um dia destes.

- Talvez. Mas também não tenho lata para falar nisso à Ana Teresa. E se ela fica zangada, me chama nomes e me manda para a outra banda?

- Não exageres…

- A sério, não sou capaz de lhe tocar no assunto.

- Se calhar, era mais fácil experimentares com alguém com quem já tenhas abordado este assunto, não achas?

- Mas eu não costumo abordar este assunto com ninguém. Só contigo.

- Pois, já reparei que sim.

(silêncio no lameiro, som da água a correr e das folhas das árvores a serem batidas pelo vento)

(Magufas pisca o olho a Rebomilda e exibe um sorriso maroto)

- Ai, oh Magufas, estás a deixar-me sem jeito…

- Anda lá! Uma vaquinha tão linda e tão sexy como tu, não pode ficar assim…

- Oh…

(Magufas aproximou-se da vaca, rebolando os quartos traseiros para um lado e para o outro, provocadora)

- Hum… olá!...

- Olá… ai… eu não tenho jeito nenhum para isto, oh Magufas…

- Não tenhas problemas. Vais ver como é bom.

- Aiii…

(Magufas colocou-se debaixo do corpo de Rebomilda, estrategicamente. Ergueu-se em cima de duas patas, apoiando-se nas pernas traseiras da vaca, e começou a lamber, de forma suave e terna, as suas tetas. Uma após outra. Devagar, sem pressas. As pernas da vaca tremiam, umas vezes com mais intensidade, outras com menos.)

- Muuuuuu… - mugiu baixinho Rebomilda, quase a perder a compostura, com os olhos a revirarem de prazer e um fio de baba a escorrer pelas mandíbulas abaixo..

(Às tantas, as pernas de Rebomilda não aguentaram mais com o prazer tão intenso e deixou-se cair na erva, com as tetas excitadíssimas a mergulharem na erva molhada do lameiro. Respiração ofegante, língua de fora, a cauda sem forças para enxotar moscas. Magufas sorriu, a sabidona. Pacientemente, esperou que Rebomilda se recompusesse.)

- Agora, fofinha, é a tua vez de me dares prazer. – disse, piscando o olho, com o ar de general que comanda as operações.

(Magufas avançou para a cabeça de Rebomilda, ergueu-se e apoiou as patas dianteiras nos chifres, oferecendo as suas tetas. Rebomilda, possuidora de uma língua extraordinariamente comprida e áspera, não se fez rogada e tratou de pagar na mesma moeda. Em poucos minutos, Magufas estava estendida na erva, completamente exausta, consumida por um prazer universal e imenso.)

- Ai, oh Magufas… foi tão bom!

- A quem o dizes, sua maluca!

- Oh, eu não sou maluca!

- És, és… não viste o que me fizeste?

- Oh, então… foi só…

- Pois foi só…

(Entretanto, o sol desapareceu no cimo dos montes, dando lugar ao cair da noite. Magufas aconchegou-se numa espécie de regaço no corpo da vaca, ainda deitada na erva. Assim passaram a noite, naquela posição de intimidade. O dia seguinte trouxe felicidade, paixão e muito sexo. E o outro a seguir, também. E o outro e outros tantos mais. Até que Magufas achou que estava na hora de partir para outras paragens. Sabendo que a despedida seria um momento demasiado pesado, aproveitou um momento gastronómico da vaca, mergulhada na erva fresca, para se pisgar por onde havia chegado, desaparecendo ribeiro acima. Claro que Rebomilda sofreu como nunca, quando percebeu que a sua companheira de sexo lésbico havia desaparecido para sempre. Foi um sofrimento de pouca dura, contudo. Dois dias depois, apareceu no lameiro a Ana Teresa, com um ar acanhado. Contou como tinha visto as duas a consumirem-se em prazeres carnais, dia após dia. Contou como sempre tinha nutrido um fraquinho por Rebomilda, embora nunca tivesse coragem para o assumir. Agora, era o momento. Ana Teresa e Rebomilda meteram de lado a vergonha e a timidez e assumiram a sua relação lésbica até ao fim das suas vidas. Até Rebomilda virar Bife à Caçador e Ana Teresa ser embalsamada e exibida por cima da lareira de um malvado caçador.)

(fim) pickwick