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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

22
Set07

Azevedo ganha um quinto de Macedo

pickwick
(comentário político… pode ser que me recrutem para a televisão e me paguem banheiras de dinheiro)
 
“O Estado vai poupar cerca de 260 mil euros com o novo director-geral dos Impostos. Segundo apurou o Correio da Manhã, José Azevedo Pereira ganha menos de um quinto do que auferia antes Paulo de Macedo. Se optar pela retribuição do seu lugar de origem (prerrogativa existente no Estatuto do Pessoal Dirigente), o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) não deverá ganhar mais de 4200 euros por mês, contra os 23 mil ganhos por Paulo Moita de Macedo (o salário que recebia como administrador da seguradora Médis, do Grupo Millennium/BCP).”
 
Poupar? Poupar?! Poupar o quê? Aqui, não se poupa nada! Só se redistribui irmãmente. Não se poupa no dinheiro, nem certas pessoas se poupam na vergonha – nem os que pagam, nem os que recebem. Aquele @#*/& do Paulo Macedo não tem ponta de vergonha para ocupar um cargo público a ganhar uma coisa daquelas… vinte e três mil euros! Não é normal! Para fazer o quê? Cobrar impostos? Não sairia mais barato contratar um motard com gadelha até ao cóccix, piercing à boi-mexicano, colete enfeitado e sovacos a cheirar a catinga? Aliás, daria para contratar exactamente vinte e três motards, com vencimentos de mil euros! Pensando melhor, contratavam-se vinte e dois motards e sobravam mil euros mensais para pagar a strippers e fornecedores de cerveja, garantindo a alegria permanente e a motivação. Eficiência profissional garantida. E não é preciso fazer comparações com nenhuma alta figura do Estado. Vinte e três mil euros por mês, merece bem um galho de figueira retorcido pelo rabo acima. Sem óleo de coco. Antes disso, o @#*/& já ganhava o mesmo numa empresa pertencente a um grupo bancário que faz parte – como todos os outros grupos bancários – da escumalha que nos últimos anos me tem andado a subir a prestação da casa. Porque não sei o quê e porque não sei que mais. Há dinheiro a mais. Só pode haver. Eu, sinceramente, não queria ganhar tanto, que até teria vergonha, mas não havia necessidade de ele ganhar vinte vezes mais que eu! Até cinco vezes mais, ainda vai, mas vinte já ultrapassa os limites da boa educação. E tanto dinheiro, para quê? Para fazer o trabalho de vinte e dois motards? Francamente! Ainda assim, nem fez metade do trabalho que devia ter feito. Meio país continua a rir-se com as escapadinhas do fisco. E não é a minha metade! Quatro mil e duzentos euros já me parece um vencimento em condições para um director geral auferir, sem ser mal-educado. Sim, porque o @#*/& é, definitivamente, um gajo mal-educado: ao fim de um ano, ganhava mais de um terço de milhão de euros. Em três anos, teria ganho um milhão de euros, já desprezando o facto consumado do aumento semestral de vinte por cento. Uma pessoa educada, uma pessoa de bem, que trabalhe para o Estado, recusa receber tanto dinheiro, especialmente quando o Estado é o Português, que é tão pobrezinho, coitadinho, e anda quase nu. E que raio é aquele Estatuto do Pessoal Dirigente, que permite que duas pessoas que desempenhem o mesmo cargo público, ganhem vencimentos com uma diferença tão escandalosa? Eu, se fosse o Zé Pereira, exigia um mínimo de vinte mil euros! Mas isto faz algum sentido? Então, imagine-se a função dirigente de escavadoras na Câmara Municipal da Frigideira-de-Cima. Dirige uma escavadora, portanto, manda nela, ela obedece, enche-lhe o bandulho com gasóleo, dá-lhe trabalho, dá-lhe descanso, toca a buzina, manda piropos brejeiros às meninas que passam, ah e tal. Esta função, imagine-se, por motivos que não lembram ao diabo, vai ser exercida por uma actriz de sucesso da cinematografia erótica, uma dirigente do corpo meio despido, que passará a receber o mesmo que recebia quando actuava para as películas, acrescido dos biscates na recta da Alfarrobeira-das-Naves e debaixo do chaparro à saída de Beja. Vá, assim por alto, catorze mil e quatrocentos euros por mês, para fazer contas redondas. Daí a algum tempo, e depois de meia dúzia de buracos mal esburacados, a actriz vai embora e é contratado um condutor de escavadoras, com fato-macaco, barba por fazer e barriga-de-cerveja. Como ganhava um rendimento mínimo de setecentos e vinte euros por causa dos oito filhos que não tinha, naqueles esquemas enviesados inventados por mentes distorcidas e aluadas, assim continua a ganhar, ao volante de uma escavadora, onde dias antes se sentava uma galdéria a receber um ordenado vinte vezes superior ao seu. Os munícipes, revoltados com a injustiça latente e sentindo-se enganados e roubados durante tanto tempo, perseguiriam a actriz pelas ruelas e vielas e jardins da sede de concelho, apanharam-na ao virar da esquina da gaiola dos periquitos e espancaram-na até à invalidez. Era o que o @#*/& do Paulo Macedo também mereceria, por ser mal-educado e aceitar receber do Estado um vencimento desumano. Ao pau com ele! pickwick