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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

02
Set07

Também quero ser inspector

pickwick

Uma brigada da ASAE esteve ontem, ao princípio da noite, na Expo do Sexo, no Pavilhão Arena, em Portimão. A principal preocupação dos três inspectores presentes residiu na falta de tradução para português das embalagens de artigos eróticos à venda nos stands”. Esta foi a notícia. Para os mais distraídos, ASAE quer dizer Autoridade de Segurança Alimentar e Económica. E, em face desta e de outras notícias das actividades desta autoridade, também quero ser inspector e pertencer a uma brigada e ir às exposições de sexo e feiras do presunto e do leitão. Sim, quero. É bom. Um gajo mete-se no carro, com a pistola na sovaqueira e o crachá ao peito, os colegas de brigada todos sorridentes, ah e tal, entra-se num festival do sexo, confraterniza-se com as estrelas porno, quiçá recebe-se um donativo em forma de queca (é uma vertente da alimentação, como todos nós sabemos) ou um simples strip privado, trazem-se para casa umas dezenas de DVD’s pornográficos ou uma peça de lingerie obscena para cegar a mulher lá em casa, e pronto, missão cumprida. Quero ser inspector da ASAE. Já não bastava irem às feiras e trazer de lá quilos e quilos de roupas e óculos marroquinos, agora também se pode ir aos festivais do sexo. Parece-me muito bem. Gosto. Não consigo deixar de pensar no assunto. Imagino-me, fato e gravata, ar de manganão, pistola, gel no cabelo (tinha-o deixado crescer de propósito para poder usar gel), sapatos engraxados, fósforo por acender entre os dentes, yes, estilo q.b., e uns óculos Rayban. Ui! Entro na Expo do Sexo. Rapidamente, os organizadores da expo acercam-se de mim e dos meus colegas inspectores, com uma bandeja repleta de copos de champanhe caríssimo e salgadinhos apetitosos. Ah e tal, estávamos à vossa espera, temos ali um cantinho especial, não sei quê. Vamos para o cantinho especial, discretamente desviado do público, “a media luz”. Uma mesa redonda, sofás, espelhos, incenso, mais champanhe. Uma cortina fecha-se nas nossas costas. Música no ar. Elas entram, desfilando nos seus trajes minúsculos e botas altas. Eles despedem-se, coiso e tal, tenham uma boa estadia entre nós, até mais logo. Elas começam a dançar, besuntam-se com óleos aromáticos, abanam as nádegas com mestria inigualável, puxam pelas pontas das tetas como se estivesse na hora da ordenha, roçam-se nas nossas pernas e estragam-me as calças com a porcaria do óleo que trazem no corpo. O ambiente aquece. Já não há cuecas nem fio dental, as depilações estão perfeitas, elas riem-se, o prazer flutua no ar. Uma delas, morena, que tinha entrado com folhas de castanheiro atadas à cuequinha e um colar de flores pendurado no pescoço, dobra-se e, para além de mostrar a coisa e tal, apanha de um armário meio coco com uma palhinha lá dentro e começa a beber, a chupar pela palhinha, ah e tal, ui! que sexy!, exclama o Carlos, entusiasmado. Coco?, pergunto eu? Mas estas parolas não sabem que eu detesto coco? É pior que arroz de grelos com carapau frito depois de assado! Noite estragada! Levanto-me, ajeito a zona da braguilha, saco da pistola, dou três tiros para o ar, e elas fogem em pânico. Vamos a isto, cambada! Porra lá para o coco, palhaço, acabaste de me estragar a noite, diz o Tiago. Atiramos a cortina para os lados e invadimos a expo. O Carlos saca da pistola dele e dá dois tiros para o ar. Gente a fugir por todo o lado. Tiramos os sacos dos bolsos e corremos para os expositores das Sex Shops, repletos de objectos de incrível sofisticação, DVD’s, lingerie sugestiva, etc. Em poucos minutos enchemos os sacos e estamos dali para fora, com uma fortuna arrecadada e meses de entretenimento gratuito garantido. Quando já vamos a passar as portas do Pavilhão Arena, um dos organizadores vem a correr atrás de nós e interpela-nos: mas, então?, que é isso?, que vieram cá fazer?, porque levam esses sacos cheios? Com ar de poucos amigos, passo com a palma da mão na coronha da pistola recentemente devolvida ao coldre, meto ao mão ao saco e tiro, ao acaso, a caixa com o DVD do último filme da Dolly Golden. Esfrego-lhe a caixa nas ventas, com alguma agressividade. Seu palhaço, chamas a isto uma tradução em português? Golden? Como é que os clientes vão perceber que a miúda é dourada? Hem? Devolvo a caixa ao saco, viro-lhe as costas e vamos embora para o carro. Noite ganha! Como é bom ser inspector da alimentação. pickwick

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