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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

01
Set07

The Hooligans of the Green Eufémia

pickwick
Vem isto a propósito de mais um grotesco episódio da nossa praça pública, algures ao sul, protagonizado por um bando de mascarilhas e eco-mutantes. Anda na moda falar sobre isto e como ainda andam notícias nos jornais sobre isso, vou bem a tempo. Vamos lá. Eu só gosto assim-assim de milho. Cozido e misturado com ervilhas e cenoura e umas massas, trespassado com um fio de azeite e borrifado com vinagre, não fica nada mal. Melhora com uma borradela de maionese por cima. Já nas pipocas torna-se irritante quando se entala nas profundezas da dentadura. Acontece que um senhor plantou, no seu quintal, uma versão radical de milho, a que chamam pomposamente Transgénito. Podiam chamar-lhe Milho Tia Maria, ou Milho Equilibrista de Alcoitão, ou simplesmente Milho Mutante. Podiam, mas não o fizeram, e, para se armarem aos cágados, inventaram este nome tão esquisito, que mais parece saído de um filme com o Super-Homem e as forças do mal. Assim seja. Depois, vieram outros também armados aos cágados, e, num gesto comunitário bonito, desbastaram o milho ao homem. Depois, veio a GNR e impediu que o dono da plantação e os que lá trabalham comessem vivos os desbastadores, o que ficou muito bonito na fotografia, mas não impediu o desbaste. Estranho, não é? Obviamente que os organizadores do desbaste compraram os militares da GNR com uma caldeirada de peixe e algumas caixas de tinto alentejano, mas isso agora não interessa. Depois, veio a comunicação social, outro bando de doentes-de-artrose-nos-neurónios, filmaram os rapazes e as raparigas, filmaram as bonitas e elegantes mascarilhas brancas, filmaram a plantação estragada, e registaram os depoimentos dos desbastadores e dos desbastados. Depois a imprensa escrita. Alguém deu a cara, sem mascarilha, armado em herói, e largou umas barbaridades como “a prisão seria um acto de muito baixa democracia, uma vez que não se atentou contra a vida de ninguém”, “não foi uma acção criminosa e destrutiva, mas política” ou “a desobediência faz sentido”. Posto isto, tiro as minhas ofuscantes conclusões, correndo o risco de ser virtualmente espancado ao virar da esquina.
1. Os mascarilhas que protagonizaram o desbaste são, preto no branco, um simplório bando de hooligans, apesar de usarem um nome piroso para um suposto Movimento supostamente ecologista, aludindo a tendências desportivas com juba e fazendo referência a uma santa que não tem culpa de eles serem assim tão pobres de espírito e terem uma necessidade tão grande de dar cabo do trabalho alheio.
2. Entre estes mascarilhas e um grupo de skinheads com o fogo nos genitais e uma barra de ferro nas mãos, a diferença está apenas no efeito visual, porque o resto é idêntico, ou seja, há que destruir qualquer coisinha, nem que seja um castelo de cartas, quer se faça a proeza com uma máscara nas beiças ou em tronco nu e meia dúzia de suásticas tatuadas no ombro.
3. A questão não é o Milho Transgénito, pois esse tema já é uma preocupação de associações ecologistas e defensoras do ambiente; a questão é, tão só e apenas, uma mera oportunidade para destruir qualquer coisinha sem levar um tiro de caçadeira entre as nádegas e, ainda por cima, ser estrela de TV.
4. A avaliar pelos inteligentes depoimentos de um Gualter não sei quê, pseudo-porta-voz do pseudo-movimento, e tendo-os como base, sinto-me com toda a legitimidade para fundar um Movimento qualquer e empreender algumas acções políticas com sentido, a saber:
a) Vou pegar fogo a todos os carros dos membros do Green Eufémia que não sejam fabricados na Europa. Justificação? Ah e tal, não foi uma acção criminosa e destrutiva, mas política, pois queremos que seja defendida a economia europeia e as vendas das marcas europeias.
b) Vou esperar cada um dos membros do Green Eufémia à entrada para os seus empregos (dos poucos que tenham emprego, entenda-se) e, sorrateiramente, vou despejar-lhes um balde de diarreia de boi barrosão pela cabeça abaixo; não há problema, pois, apesar de ser apanhado com o balde na mão e me ter sido dada ordem para não o despejar, o certo é que a desobediência faz sentido.
c) Vou apanhar cada um dos membros do Green Eufémia, num local público, e, aos membros do sexo masculino, vou espetar dois bufardos nas fuças e amachucar-lhes os testículos com uma tenaz, sendo que, aos membros do sexo feminino, vou arrancar as roupas todinhas e besuntar-lhes o corpo com óleo-de-fígado-de-bacalhau estragado; não há crise, pois não vou atentar contra a vida de ninguém. 
d) Vou financiar o meu próprio Movimento, extorquindo dinheiro a todos os membros do Green Eufémia e aos respectivos paizinhos, utilizando todos os meios ao meu alcance, na certeza absoluta de que a desobediência faz sentido e de que todo o acto criminoso e/ou de destruição pode justificar-se e ilibar-se com uma motivação política qualquer, mas sempre com o extremo cuidado de não atentar contra a vida de ninguém, porque isso é que não pode ser.
E a Diana Dias? Também lá foi ajudar à ceifa. Já viram o profile dela? É só espreitar em http://www2.couchsurfing.com/people/utupiar. Uiiii!, que desperdício... pickwick