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Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Miss t-shirt molhada de Ermelo 1
Serve o presente post para dar conta das desventuras do passado fim-de-semana, numa intensa e cansativa expedição ao Parque Natural do Alvão, de botas e mochila.
 
1. Rumo às fisgas
O Parque Natural do Alvão não é assim uma coisa muito grande… é como um bidé em relação ao rio Tejo, em termos comparativos. Mas é bonito, verdejante e cheio de fios de água. A escolha recaiu sobre Ermelo, como destino para largar o carro e avançar mato dentro de mochila às costas. Ermelo, essa bela localidade de casas de pedra, plantada na encosta da montanha e ah e tal. Perto, mas não demasiado perto, ficam as Fisgas de Ermelo, fenómeno natural muito procurado pelos turistas. Era o nosso destino desse dia. Optámos por um trajecto menos óbvio, fora de alcatrão. Aliás, fora de tudo e mais alguma coisa, a avaliar pelo ribeiro que tivemos que atravessar, saltitando harmoniosamente sobre uns calhaus. Foi neste ribeiro, de água límpida e gelada, que aproveitámos para almoçar e bater uma valente sesta. Vida difícil, a de quem se mete pelo mato em busca de momentos descontraídos e em contacto directo com a natureza.
 
2. Pornografia de graça
Por falar em natureza, dediquei mais de uma hora à fotografia, aproveitando o facto de o dono da máquina estar esparramado em cima de uma rocha a roncar que nem um porco. Já tinha saudades de tirar fotografias. Borboletas, calhaus, quedas de água, calhaus, ervinhas, calhaus, árvores, calhaus, folhas, árvores, etc. Uma das últimas fotos, teve como protagonista uma libelinha que se abanava toda rente ao chão, junto a um calhau, para a frente e para trás. Se fosse um urso, eu diria que estava a procriar. Aproveitei para fotografar a libelinha, que não parecia querer sair dali. Até que, de repente, afastou-se definitivamente. Aí, pude ver, então, que não era uma libelinha, mas duas. Estavam a dar uma queca à sombra e ficaram tão incomodadas com a minha indiscreta presença que foram continuar o serviço para a sombra de outro carvalho. Desculpem lá, ó pá, não sabia…
 
3. Raio do lameiro
Já me tinha esquecido do que é um lameiro. Quando se anda, assim, por locais esquisitos, corre-se o risco de encontrar um lameiro. Um lameiro, que não sei bem o que é nem para que serve, é um terreno inclinado, numa encosta, permanentemente inundado, cheio de marcas de cascos de bovinos, com erva até mais não. Provavelmente serve para as vacas lá irem empanturrar-se com ervas. Para o excursionista, o lameiro serve apenas para um gajo se enterrar com lama até ao tornozelo, borrar as botas todas, e obrigar o cérebro a processar rapidamente palavrões e obscenidades. Uma nojeira, portanto.
 
4. As fisgas
No meu tempo, as fisgas serviam para dar um ar macho, colocadas no bolso de trás de uns calções rotos. Agora, há estas modernices dos telemóveis com sons polifónicos e muito maricas, e quedas de água a que dão o nome de fisgas. Pronto, assim seja. Tivemos o privilégio de chegar às Fisgas de Ermelo pelo lado contrário dos turistas. Do outro lado do caudal de água, portanto. Abancámo-nos no cimo de um penhasco, feitos lordes, a observar a gigantesca queda de água. É uma coisa bonita de se ver. Os turistas aparecem do outro lado do vale, nos seus carros e autocarros, ah e tal, tão bonito. Enfim.
 
5. As banhistas
As quedas de água dão lugar a piscinas naturais, onde se amontoam banhistas. Também é bonito de se ver. No Verão, os jovens das aldeias trazem os outros jovens das aldeias cujos pais emigraram para algures. As jovens, essas, exibem os melhores dos biquinis, com os melhores dos penteados e os apetrechos de maquilhagem mais modernaços. Um gajo nem consegue apreciar a natureza e a transparência das águas. É uma chatice!
 
6. Paz e sossego
Com o cair do dia, os banhistas metem-se a milhas, de regresso às aldeias, onde os papás já estão com copos a mais e as mamãs ultimam o repasto para o jantar, sendo que a noite terminará bem tarde, provavelmente com umas cambalhotas atrás de uns fardos de palha. Com a debandada, procurámos um local adequado para abancarmos, tomarmos o gosto à água, jantarmos e passarmos a noite. Uma praia fluvial em miniatura esperávamo-nos, a uns cem metros das fisgas, rumo à nascente do rio Olo. Do outro lado da praia, um fio de água escorria lentamente para o leito do rio, rocha abaixo. Na perspectiva de uma noite agoniante de desidratação, derivada do muito provável consumo de vinho tinto ao jantar, utilizei uma série de refinadíssimas técnicas para conseguir captar alguma da água potável. Pura e fresca. Enquanto o jantar não era servido, aproveitámos para ficarmos enfiados na água até ao pescoço, tipo morsas. O termómetro especial-de-corrida do Paulo, que faz parte do seu relógio também especial-de-corrida, marcava vinte graus, depois de meia hora soterrado debaixo de calhaus, a vinte centímetros de profundidade. A isto, chama-se boa vida. A única coisa a perturbar o ambiente relaxante era mesmo o coaxar das rãs, esses estúpidos seres saltitantes. Por várias vezes, ponderámos seriamente a hipótese de trocar a chouriça por coxas de rãs. Optámos por manter a chouriça e enxotar as rãs com calhaus certeiros. pickwick
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publicado por pickwick às 22:22
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