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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

10
Jul07

O Gang do Xunga

pickwick
Hoje foi um dia do caraças. Estou aqui capaz de espetar pregos de aço na testa de alguém. Hoje foi dia de grupos de trabalho, para dar oportunidade às pessoas para, de forma organizada, colocarem no papel aquelas ideias que partilham nos corredores. Ah e tal, podia fazer-se assim, podia fazer-se assado, e tal. Pois, foi dada a oportunidade, hoje, com continuação durante o dia de amanhã. O Xunga do ex-patrão, embora não tivesse sido convocado, marcou presença, para poder injectar veneno nas peruas do seu gang. É tudo uma malta com um muito mau perder, desde o Xunga até às peruas, e vice-versa. E, como é costume, que não sabe perder, enfrenta a derrota eleitoral com cara de poucos amigos, com cara-de-pau, com cara-de-pila-de-morcego. Só ao estalo! Foi recompensador verificar que a maior parte das pessoas aproveitou os grupos de trabalho para, de facto, colocarem por escrito, e em equipa, os pensamentos e as ideias que foram tendo nos últimos meses, tudo a bem da instituição e da sua missão. Pessoas motivadas, cheias de energia, entusiasmadas, produtivas. Gostei de ver. Excepto o Gang do Xunga. Que mais se poderia esperar de um gang de gajas liderado por um gajo xunga? Nada mais, pois claro. Uma é gorducha, mal feita e é conhecida internacionalmente por ser lerdinha todos os dias e até quando nem é dia. Outra é sexagenária, mas tem a mania que tem vinte e quatro anos e que está sempre numa festa da Lili Caneças, vestindo-se diariamente a rigor e conduzindo um Opel Tigra amarelo-canário. Outra é casada, mas desde há muitos anos dá umas baldas ao ex-patrão, o Xunga, sendo-lhe conhecida uma famosa queca num pinhal das redondezas, no interior de um conhecido BMW. Outra é neurótica, já se tentou suicidar, toma comprimidos anti-qualquer-coisa e engordou brutalmente nos últimos meses, tal como já dei conta neste blog; o marido é veterinário e bem que lhe podia injectar umas doses de urina de pato para ver se ela acalmava. Depois, anda o gang lá pelos cantos, a tecerem planos maquiavélicos, a roerem-se com ameaças mal esboçadas e feitiços fatais que não têm coragem de concretizar. O Xunga a injectá-las com veneno e elas a reagirem como fiéis canídeos. Ladrem! Au, au, au, dizem elas. Vitelas do caraças! A sexagenária parece mais um cadáver de mula do que uma vitela, mas isso agora são pormenores. Amanhã será outro dia. A dose final será no final, em plenário, oportunidade excelente para se lançarem petardos e peidos mal cheirosos para o meio da plateia. Não bastasse os maus fígados dos membros do gang e as respectivas mentes distorcidas pela parvoíce, o pessoal não percebeu o que é um dia de trabalho em grupos. Tentei ser claro: jornadas de trabalho para dois dias, divididas em quatro blocos; uma manhã, uma tarde, outra manhã, e outra tarde; N grupos de trabalho, distribuídos pelos quatro blocos, sendo que o pessoal se inscrevia nos grupos. Depreendia-se, pensava eu, que as pessoas estariam ocupadas durante os dois dias, certo? Mas, umas mentes brilhantes entenderam que só se inscreviam num grupo de trabalho do segundo dia, pelo o resto do tempo podiam ir alourar as pilas e as passarecas. Mongos! Cérebros de minhoca! Três bufardas em cada um, era o mínimo. Enfim. Anda um gajo a organizar coisas para depois desligarem o tradutor de português-português. No fim do dia, depois de umas peripécias protagonizadas pelo gang, comentava a Rosinha (sexagenária também) entre amigos: ah e tal, o que vale é que o (eu) é uma pessoa muito calma… Pois sim, pensei eu para com os meus botões. Se ela soubesse o pouco que faltou para me saltar a tampa e arrancar as cadeiras do auditório e fazê-las engolir às peruas do gang e enfiar o projector de vídeo pelas narinas acima do ex-patrão e regá-los a todos com gasolina sem chumbo noventa e cinco e pegar-lhes o fogo e embrulhá-los na tela de projecção e atirá-los do telhado e rasgar-lhes os pneus dos carros e partir-lhes as tíbias com um taco de basebol e arrancar os ovários a elas e pendurar o gajo no tecto preso com fio de pesca por um dos testículos… Coisas assim… Pessoa muito calma, dizia a Rosinha. Está bem. Bom, como se não bastasse isto tudo, o dia teve, ainda, como protagonista falhado, o próprio senhor sol. Querido sol, hoje andaste a vadiar e não vieste cá? Como passei o dia todo enfiado dentro de um edifício, desde as oito e trinta da manhã até às vinte horas, quase que não te via. Contudo, rapidamente descobri que te andavas a baldar, que estavas a falhar, que tinhas ido vadiar para nenhures. E como é que eu soube disso? Simples: o vestuário das minhas colegas, hoje, era abundante! Ou seja, por causa da tua vida de boémia, fiquei privado das poucas coisas que podem animar a vida a um triste como eu dentro daquele edifício. Em face disto, aqui te deixo um apelo: querido sol, amanhã, por favor, apresenta-te a escaldar por volta das nove e meia, hora a que a maior parte das minhas colegas vão sair de casa. Está bem? Obrigado. pickwick

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