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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

23
Jun07

Retalhos e apontamentos

pickwick

Porque a vida também é feita de retalhos e apontamentos…

 

1. A Lena, hoje, veio confessar-me que não bebeu álcool ao almoço. Não é que uma quarentona tenha que me prestar contas do que bebe ou deixa de beber, mas, depois do olhar reprovador que lhe lancei quando regressou do almoço toda eufórica, deve ter-se sentido na obrigação de mostrar que aquilo foi uma excepção. A Lena é uma porreira. Estás é muito pálida, ó Lena, disse-lhe eu. Pálida, eu?! Lá vai a mulher ficar sem dormir, a pensar se deverá beber diariamente um copito de tinto para ficar com as faces mais rosadas e atraentes.

 

2. A Ju chegou, encasacada. O tempo não está para brincadeiras, apesar de ser Junho. Na sala estava-se agradavelmente, à temperatura de uma noite de Verão. Ao fim de cinco minutos, a Ju tirou o casaco. Ui! Uma camisa bem aberta, deixando ver o brutal decote proporcionado por um top preto. Hum… carne fresca, pensei para comigo, entre derivadas e complexos. A dois metros, a janela aberta ajudava a renovar o ar. Chama-se a isto arejar. Ao fim de cerca de uma hora, a Ju voltou a vestir o casaco e puxou o fecho até cima. Está a ficar frio, queixou-se. Portanto, companheiros de luta, já sabem: nunca, nunca, nunca, mas nunca estejam numa sala com uma gaja e tenham a janela aberta. É um erro de palmatória. Não se faz!

 

3. Eu já sabia que a Ana pintava o cabelo de preto, para não se notarem os cabelos brancos. Afinal, ser-se quarentona sempre pesa no aspecto. Mas, a novidade do dia, é que ela mete pó talco no cabelo! Ah e tal, tenho o cabelo oleoso, justificou-se perante o princípio de gargalhada geral. Ana, francamente, pá!…

 

4. As miúdas da escola secundária da minha terra passam a vida agarradas ao telemóvel, enquanto caminham na rua. Será GPS? Não sei, mas parece ser crónico. Ainda há bocado passou-me uma aqui debaixo da janela, com um decote generoso, olhos postos no telemóvel enquanto carregava freneticamente nos botões. É todos os dias. Aqui, na rua principal, de manhãzinha, ao final da tarde, tanto faz. Não me parece nada saudável…

 

5. Na semana passada recebi um e-mail da Arlete. Como devem saber os leitores assíduos deste blog, a Arlete é uma gaja que até meteria medo ao Drácula numa rua escura. Tive um aperto no peito, quando vi que era dela. Afinal, era só para perguntar onde é que poderia comprar determinado software que me tinha visto usar. Eu devia ser mais condescendente para com as gajas feias, mas não consigo. Shame on me…

 

6. As minhas colegas têm o pé muito pesado. Ouço com cada estória que até parece mentira. Uma não pára nos semáforos quando passa em claro excesso de velocidade. Outra só pára de vez em quando. Outra já foi multada. Outra idem. Outra acha que um dia destes também. Outra voa. E depois ainda há estudos que dizem que, ah e tal, as mulheres conduzem com segurança. Pois sim…

 

7. A Ana insiste em trazer todos os dias um vestido e, por baixo, calças de ganga. Eu acho mal. Ao primeiro olhar, parece que ela vem toda provocante, com um vestido curto a realçar as curvas, mas, num segundo olhar, lá está a porcaria das calças de ganga. Hoje, o Philip passou-se: mas para que é que trazes sempre calças de ganga por baixo do vestido? Ah, é para não me verem as pernas, respondeu ela. Às vezes, não há paciência para as aturar… não há, não…

 

8. A minha colega da cuequinha laranja diz que se beber um copito conta tudo o que quisermos. Isto, a propósito de marcarmos um jantar na próxima semana, para comemorar a chegada do Verão. Ela até não vai para casa, a cerca de cem quilómetros daqui, só para poder ficar a jantar calmamente. Nós, não conseguimos resistir à tentação de lhe enfiar um copito ou dois pelas goelas abaixo. Então, conta tudo o que quisermos? E o que é que nós vamos querer ouvir? E o que é que ela quererá contar? Estará ansiosa para contar alguma coisa? Alguma novidade tórrida? Está mesmo a meter-se a jeito para a noite lhe correr de feição e acabar no largo da igreja, em pêlo, a cantar as Janeiras, com a cuequinha laranja enfiada na cabeça. Está mesmo a meter-se a jeito…

 

9. A minha fã número um mandou-me agora mesmo uma SMS. Ah e tal, tenho cá em casa o “xereque número três”. O quem?! Passados cerca de oito minutos, e na chegada de uma outra SMS perguntando se eu não queria ir ver o filme, fez-se-me luz. O xereque! Três! O filme! Devo andar mesmo lerdinho, para demorar tanto tempo até me cair um raio de luz pela testa adentro… pickwick

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