Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

20
Jun07

Um copito

pickwick

Hoje, à hora do almoço, e como já é costume desde há dois anos, fiquei sozinho na paz e no sossego enquanto os meus colegas debandaram para o restaurante. Às vezes, há uma ou outra colega simpática que, por motivos obscuros eventualmente relacionados com problemas de passagem nas portas, fica a fazer-me companhia. Mas, hoje não foi o caso, até porque soa a Verão, apesar de ter acabado de cair uma carga de água dos céus daquelas que metem medo ao susto. A paz e o sossego souberam mesmo bem e consegui dar um adiantamento razoável no trabalho. Mas, como tudo o que é bom ou sabe bem, acabou-se com o regresso do magote de gente. A Lena, essa aterrorizadora de criancinhas, regressou extremamente bem disposta, com as bochechas rosadas e uma vontade incontrolável para dizer piadinhas e soltar disparates. Foi só um copo de tinto, comentavam as colegas no intervalo de mais uns disparates. Risinhos, mais uma gracinha, ah e tal. Eu, com um ar de pilar inabalável da moralidade, abanava a cabeça em jeito de reprovação. Fica-me bem este ar, devo confessar, mas acho que não já não convenço ninguém. Bom, com a brincadeira do copito de tinto, abriu-se-me a mente para mais uma realidade factual: o monstro-das-bolachas que se esconde no corpo feminino e que é facilmente acordado pelo degustar de pomada de uva. A Lena, que normalmente é uma pessoa séria e grave embora humorada, transformou-se no Jô Soares com um ataque de urticária hilariante. Não comparei com o Jô Soares à toa, como se depreende, embora lhe faltem uns quilos. Será por causa deste monstro-das-bolachas que muitas mulheres preferem não beber umas pomadas, ou umas cervejolas, ou uns licores? Porque têm medo que o monstro lhes salte para fora da pele e façam figuras inimagináveis e altamente comprometedoras? Porque vão perder a compustura? Porque nunca mais ninguém as vai levar a sério? Será? Medo? Pavor? Ora, francamente! Não era preciso serem assim. A avaliar pela Lena, até ficam muito engraçadas quando bebem um copito e começam a dizer disparates e a atirar graçolas picantes. É bonito de se ver. Quem assiste, fica sempre com a impressão de que nos próximos três minutos ela vai arrancar a camisola e fazer uma fisga com o soutien para atingir a plateia atónita, mas não é preciso stressar com os pensamentos alheios. Quem assiste, fica sempre com a impressão de que ela vai pendurar-se de surpresa na braguilha do gajo com quem tem sonhos eróticos secretos, mas não há problema. Bom, se a Lena se pendurasse na minha braguilha, com aqueles presuntos todos, haveria problemas sérios… de hérnia! Chiça! Não que ela tenha sonhos eróticos comigo. Ou que tenha sonhos eróticos, sequer. Hum… bem, é capaz de ter… é loira, mesmo que o cabelo seja pintado, portanto, tudo é possível. Medo! Ok! Adiante. Mas nem todas reagem assim. Há delas que ficam incapazes do que quer que seja. Há delas que começam a chorar. Enfim. O melhor, mesmo, é beberem um panaché. Ou sumo de framboesa. Copos à parte, e para terminar, o relatório do dia: Gorety, cuequinha laranja; Maria, cuequinha branco-sujo; Patrícia, cuequinha vermelha; Celine, provavelmente cueca XXXXL. pickwick

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.