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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

19
Jun07

O varão, o tédio e os pêlos

pickwick

No domingo passado, um daqueles dias para esquecer, alapei-me no sofá de uma amiga e matei o vício da televisão. Já não sei que filmes passaram, nem que filmes vi, mas fiquei fascinado com o episódio de uma série policial da treta. Daquelas séries em que os agentes usam técnicas sofisticadíssimas de investigação e blá blá blá, e computadores, e microgaitas, luvas de borracha, e vão à morgue remexer os restos mortais das vítimas. Acho que está na moda, por isso é melhor não tentar achincalhar demasiado a coisa. Bem, neste episódio, ah e tal, um gajo é assassinado (pouco original) na sua própria casa, vindo a descobrir-se que uma irmã dele vivia secretamente na mesma casa que ele, num quarto secreto. Se assim não fosse, não viveria secretamente. E porque vivia a mocinha secretamente num quarto secreto? Porque sofria de hipertricose! E eu, na minha santa falta de cultura, imaginei a mocinha com deformações nos dedos por passar tempo a mais a fazer tricô. Afinal, não era nada disso. Hipertricose, segundo parece, é um funcionamento defeituoso do organismo que provoca o crescimento excessivo de pêlos. E que afecta, também, as mulheres. Nada melhor do que uma “notícia” destas para me estragar a tarde… Escusavam era de ter mascarado a actriz com a mesma maquilhagem do… do… nem sei! Bom, isto agora parece-me estranho, mas, depois do episódio, a amiga trouxe à conversa outro tema que, para além de me fascinar, foi uma novidade para mim: as gajas casadas que aprendem a dançar no varão e depois compram um varão por 200 euros e vão para casa enroscar-se nele à frente do marido para combaterem o tédio da vida conjugal. Não consigo ainda perceber a ligação entre os dois temas. Qualquer dia, pode ser que venha a perceber. Seja como for, depois de chegado a casa fui investigar os dois temas. Vi fotos de gajas com hipertricose acentuada e até fiquei com medo de ir este Verão à praia. E fui ler uma notícia sobre as dançarinas do varão. Ui, ui! Abana para aqui, abana para ali, enrosca, desenrosca, ah e tal. E não chegava a perna de uma mesa? Não chegava a perna da cama? Não chegava a perna do marido? Não chegava o cabo de uma vassoura? Não! Não chegava e por isso toca a comprar varões a 200 euros! Um tubo rasca para aparafusar ao tecto e ao chão e toma lá. Mas, há mais, e passo a citar: “há varões no mercado que têm um gancho próprio para o disfarce; o gancho é para pendurar um vaso e enganar a sogra; afinal, o que é que ela ia pensar se visse aquilo lá na sala do filho e da nora? assim, com uma planta pendurada, fica muito mais versátil!”. Versátil?! Com um gancho para pendurar um vaso?! No meio do quarto? Sogra que é sogra, fica mais escandalizada por ver um vaso pendurado de um varão suspeito no meio do quarto do filho, do que ver um varão para danças eróticas! Aliás, um varão com um gancho e um vaso nele pendurado, levanta enormes suspeitas! Imagine-se. Pode ser para pendurarem nacos de carne crua num ritual satânico. Pode ser para o gajo pendurar a mulher com as mãos amarradas atrás das costas e um pêssego na boca. Pode ser para pendurarem a roupa suja para ser mais facilmente levada pela fada madrinha para lavar. Pode ser uma antena interior para apanhar melhor a TV Cabo. Pode ser um gigante cachimbo de água para fumar pêlos de rabo-de-boi. Pode ser um vibrador gigante com botão de arranque em forma de gancho. Sei lá. O que eu acho é que é altamente perigoso! Imagine-se, uma gaja que sofra de hipertricose (assim coisa para tufos com o mínimo de 27 cm), ficar com os pêlos emaranhados no gancho, lá no cimo do varão, a dois palmos do tecto. Não é bonito. Não é sensual. Não é aconselhável. Portanto, mulheres com hirsutismo, ou hipertricose, ou outra coisa começada por “hi” e acabada em muitos pêlos, aqui fica um sábio conselho: para combater esse tédio, nada de arraiais em varões! Vão fazer patinagem no gelo, vão nadar em pêlo num dos tanques do Oceanário de Lisboa, mas não se metam com varões com ganchos para pendurar vasos, está bem? pickwick

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