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Quinta-feira, 1 de Março de 2007
A Arlete esteve grávida?!

Ontem fui a uma reunião, ali a uma simpática cidade a meia dúzia de quilómetros do local de trabalho. Fui com duas colegas de trabalho, o que é muito bem, pois não é todos os dias que se vai passear com colegas. Infelizmente, não eram as duas colegas mais interessantes, antes pelo contrário. Profissão, a quanto obrigas! A reunião foi convocada pela Arlete, personagem de um post anterior publicado no início do Verão de 2006. A reunião foi numa espécie de mini-auditório, ou qualquer coisa parecida, daquelas salas abichanadas com poltronas a descer como nos cinemas, mesa para oradores, projector de vídeo, computador, flores e uma garrafinha de água. E lá estava a Arlete. Poxa, é mesmo feia e mal feita, pensei eu para comigo, no habitual e frequente momento de reflexão sobre a estética feminina que me rodeia. O rosto meio achatado, como se tivesse levado tantas lambadas em criança, que ficou com aquilo deformado. Olhos azuis, que ficariam bem a umas quantas mocinhas que conheço, ali, completamente desperdiçados. O corpo, em forma de bola de râguebi depois de um bom chuto, continuava intragável e a ferir-me a sensibilidade, sem ancas, sem cintura, sem nádegas que se apalpassem, com uma pipa em vez da barriga, enfim. Causou-me arrepios na espinha! A sério! Mas, pronto, era uma reunião do foro profissional e não um encontro de engate fácil num sábado à noite. Sorte que na sala havia mais fêmeas, algumas até bem dentro dos padrões aceitáveis e comestíveis, o que ajudava substancialmente a melhorar a qualidade do ambiente. A reunião era para durar duas horas, mas, como parece ser habitual na Arlete, foi drasticamente encurtada: ah e tal, não têm mais dúvidas?, mais nada a dizer?, ainda estão aí?, ainda não foram embora?... Salvou a pátria um colega de uma terra onde há uma boa adega cooperativa, o qual, muito exaltado, produziu um discurso desassossegado sobre o estado da nação e sobre as intenções maléficas e tenebrosas de uma fulana qualquer que nos quer muito mal e que nos batia a todos com uma enxada se pudesse. Assim, a reunião de duas horas, que a Arlete se estava a preparar para encurtar para meia-hora, foi redimensionada para uma hora. Já na fase final, assim em jeito de despedida e ah e tal até à próxima reunião onde estaremos todos juntos e vai ser muito lindo, veio à baila algum pisar-ovos sentido nalguns meses passados, ao que a Arlete, como coordenadora de não sei bem o quê que não precisa de coordenação mas não faz mal mas pagam mil euros e dão não sei o quê, se prestou justificar. Ah e tal, estive em licença de maternidade. Disse ela. Eu até pestanejei! Maternidade?! Quem fica com licença de maternidade são as mulheres que engravidam e dão à luz! À excepção daquelas que obtêm a licença de maternidade em virtude do parto protagonizado pelo marido, num daqueles filmes futuristas de muita ficção. Ou seja, após cerca de quarenta segundos de incredulidade, cheguei à brilhante e luminosa conclusão de que a Arlete tinha estado grávida e, como se isso não bastasse, deu à luz, e, como se isso ainda fosse pouco, houve um homem neste mundo de candeias às avessas que lhe saltou para cima e a fecundou! Mas… como é possível? Eh pá, por favor, a Arlete é mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, mesmo feia, e muito, mas muito, muito, muito mal feita! Uma tia-para-sempre! Como é que alguém… Como é que o gajo sentiu… Como é que… Oh pá! Isto transcende-me, a sério! Parece uma daquelas cenas do jornal do insólito e inacreditável e muito incrível, tipo a mula que pariu dois leitões e cinco melancias, ou o gato que nasceu com meio bigode e uma unha encravada na orelha, ou o jumento que assobiava uma música do Julio Iglesias cada vez que a dona se abaixava para apanhar a roupa lavada do alguidar. É, basicamente, na mesma onda! E aconteceu! Eu já desconfiava que havia homens, neste planeta, com uma perspectiva estética muito adulterada, mas ainda tinha alguma esperança. Acabou-se. E não venham com a treta de ah e tal, o exterior e o interior, o interior da pessoa, que tem maminhas pequenas mas é muito boazinha, não tem ancas mas é um amor de menina, tem o corpo coberto de borbulhas enormes mas é uma querida, ah e tal mas é uma santa, o interior é o mais importante, blá blá blá. O caraças! Há é problemas ópticos, e não interiores amorosos e muito ricos! Mas, concordemos, fica bem o discurso do interior. Fica-me mal estar com estas conversas, a considerar impensável a paixão por uma mulher horrivelmente feia, e ficar-me ia lindamente um discurso a enaltecer o interior valiosíssimo da mulher, tão prendada, tão trabalhadora, tão paciente, tão empenhada, ah e tal, mas, depois de ver a Arlete e saber daquele pormenor da maternidade, confesso que perdi um bocado a capacidade para fazer filmes bonitos sobre o interior das mulheres. Não é por maldade, a sério! É só porque ainda estou com a mente atazanada por aquela visão. Isto passa! pickwick

publicado por pickwick às 22:12
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