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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

09
Fev07

Misógino, misoginia e a mulher mistério

pickwick

Por estes dias, recebi um e-mail muito interessante e simpático, que rezava assim (depois da devida correcção ortográfica):

Olá Pickwick,

Estava a ler blogs "random" e achei o teu. Fiquei a ler o primeiro post sobre os penteados das mulheres. E perguntei-me porque fala tão mal das mulheres?! És misógino?? Não leves a mal esta minha pergunta. Só é que fiquei curiosa. Mas gostei da tua maneira de escrever. Peço já desculpa pelo meu português e pela falta de acentos. Aguardo uma resposta atenciosamente. PV

Querida PV, já me obrigaste a ir descobrir o que raio quer dizer “misógino”. Foi uma estafadeira! E misoginia, também. Uma tímida busca na Internet resultou em:

- que tem aversão às mulheres.

- desprezo ou aversão ao sexo e/ou ao género feminino.

- do grego 'misogynía'

Por favor? Eu?! Oh PV! Mas que conversa é essa? Eu?! Eu, que sou um dos maiores admiradores e fãs do sexo feminino, dos seios firmes, das ancas torneadas, dos cabelos caídos, dos lábios pecaminosos, dos tornozelos com tatuagem, das cuequinhas atrevidas, das pestanas compridas, da pele de seda, das nádegas fibrosas, da voz fina, e de mais uma infinidade de atributos e produtos agregados à condição de mulher, que tanto apraz ao género masculino! Como é possível que confundas, com tanta facilidade, a busca incessante pela qualidade e beleza do sexo e género femininos, com misoginia?! A única aversão que tenho, mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, é àqueles defeitos de fabrico, àquelas ultrapassagens de prazos validade sem controlo de qualidade, e àquelas mentes estupidificadas pela condição de gaja pindérica com manias de fineza foleira. Aí, sim, sou um misógino ferrenho e incontrolável. Mas, francamente, se forem a um restaurante e vos sair uma barata escondida numa lula, também não reclamam e apontam o dedo? Pronto, eu faço o mesmo, transformando em baratas as borbulhas mal cuidadas, os pêlos grandes e desprezados, a estupidez crónica, as vestimentas e maquilhagens pindéricas, o volume de celulite exagerado e esquecido, e demais deformações, sendo a lula a mulher perfeita que deveria habitar em todos os exemplares do género e sexo femininos. Está bem? Limito-me a tornar público um processo pessoal de controlo de qualidade. Com boas intenções. Já sei que as gajas não vêem aqui nenhuma boa intenção, mas, a bem dizer, gaja que é gaja vê maldade até numa tampa de sanita esquecida na posição vertical. Quanto a ti, PV, lamento ter descoberto que não pareces ter uma conta no “aifáive”, para grande pena minha. A minha incansável missão levar-me-ia a pesquisar, cientificamente, se a simpatia, simplicidade e delicadeza com que escreveste este e-mail, fazem parelha com uma mulher de atributos ao mesmo nível. Não é todos os dias que uma mulher escreve assim, como tu, com suavidade, porém curiosa e algo magoada, delicadamente, com muita educação, como se estivesses a tocar num baralho de cartas de cristal empilhadas em castelo. Por momentos, quase senti os teus dedos tocarem ao de leve na minha alma, com o indicador a tocar com jeitinho naquela parte do cérebro que comanda o olho atento sobre as mulheres. Quem és tu, PV? Uma mulher misteriosa? De que cor é o teu cabelo? E os teus lábios, são carnudos? Choras na solidão de uma almofada? Andas pelas esquinas, escondida dos olhares? Ou passeias-te pelas passerelles ao fim-de-semana, entre aplausos e bocas abertas de espanto? Onde vives? Partilhas este país de brutos, ou vives nalgum paraíso além-mar? Corres o areal da praia num vestido branco enquanto o sol se põe e o povo já debandou? Escreves poemas sobre sonhos e paixões, que escondes na gaveta da privacidade? Quedas-te a olhar a lua, a tentar encontrar o reflexo de um rosto que se enchesse de sorrisos só por te saber existir? Olhas-te no espelho, sem coragem para rodopiar? PV, quem és tu?, ó mulher misteriosa! Onde andas? Que fazes? Que cantas? Que te move? A que cheiras? Quantas vezes sorris num dia? (suspiro) Bem, não respondes? Pronto! Vou comer um iogurte e não se fala mais nisso! pickwick

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